Angry Birds: O Filme | Crítica

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É incrível que, com décadas de vídeo game nas costas, a humanidade ainda não tenha sido capaz de produzir um único filme que preste baseado em um jogo. Isso é ainda mais surpreendente se pensarmos que os games têm se aproximado cada vez mais do próprio cinema, com tramas complexas, intrincadas e extremamente visuais.

É bem possível que o grande problema esteja ligado à jogabilidade e interação, que são pensados desde a criação do conceito do jogo. Isso não existe na hora da adaptação para o cinema e precisaria ser pensado com cuidado, o que de fato não vem acontecendo.

A questão toda, no entanto, pode ser menos complexa com jogos mais simples, o exato caso de Angry Birds. Joguinho de celular de grande sucesso alguns anos atrás (e que, sim, decaiu bastante até o momento da estreia na telona), sua concepção começa com o mais básico: pássaros nervosos atirados com um estilingue sobre construções feitas por porcos.

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Angry Birds: O Filme constrói uma trama razoável a partir dessa premissa, mas peca por se deixar levar pela necessidade de ser sempre engraçadinho. É mais ou menos o que acontece com Meu Malvado Favorito, que mais parece um conjunto de esquetes do que uma história contínua e coesa. A diferença é que Meu Malvado Favorito às vezes conseguia ser engraçado.

Dirigido por Clay Kaytis e Fergal Reilly, dois cineastas estreantes na posição, e produzido pela Rovio Entertainment, empresa estreante em longas-metragens, o filme foi claramente feito por pessoas que não têm muita noção de cinema, construção narrativa ou ritmo.

Embora seja intenção do roteiro fazer da história uma trajetória para o controle emocional e a descoberta da amizade do pássaro protagonista Red (Jason Sudeikis/Marcelo Adnet), o longa é incapaz de criar um envolvimento emocional com o protagonista que vá além do puro “abandonado, triste, sozinho e desprezado”.

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Os dois outros “grandes amigos” de Red, Chuck (Josh Gad/Fábio Porchat) e Bomb (Danny McBride/Mauro Ramos) são alívios cômicos e só isso, porque não há um único momento mais profundo e de conexão entre eles.  As piadas, até mesmo aquelas com potencial, recebem um tratamento desleixado, de gente que não parece estar muito acostumada com comédia.

Angry Birds aposta em um universo que nunca ganha vida em tela, apesar do belo visual colorido, feito na medida para agradar às crianças e levar a uma ligação direta com o joguinho de celular. Não ofende ninguém. O problema é que o jogo era sempre divertido e desafiador, tudo que o filme está longe de ser.

Cotação-2-5

angry_cartazAngry Birds: O Filme (The Angry Birds Movie)

Direção: Clay Kaytis, Fergal Reilly

Roteiro: Jon Vitti

Duração: 97 minutos

Gênero: Animação, Ação, Comédia

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