Capitão América: Guerra Civil | Crítica

capitao_america_guerra_civil2016 deveria ficar conhecido como o ano em que o papel dos super-heróis começou a ser questionado no cinema. Primeiro, o Batman decidiu acabar com a invulnerabilidade de um Superman com potencial para se tornar uma grande ameaça. Agora, Capitão América e Homem de Ferro se encontram em lados opostos da lei. Até o fim do ano, ainda teremos Esquadrão Suicida, um grupo de supercriminosos contratado pelo governo para realizar missões questionáveis.

Mas não é bem assim.

Uma das coisas mais irritantes dos filmes do gênero é a impossibilidade que eles têm de se comprometer com o que quer que seja.  Isso pode ser menos problemático em longas mais comuns, que têm heróis e vilões de lados opostos e todo mundo já sabe muito bem por quem torcer, mas a coisa ganha uma camada extra de complexidade em um filme como Capitão América: Guerra Civil.

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A história encontra os Vingadores em um momento de dificuldade. Após uma perseguição em terras nigerianas que acaba em tragédia, as ações dos super-heróis são colocadas em perspectiva. A ONU chega à conclusão de que deve comandar as missões do grupo, o que leva a um racha entre alguns dos principais heróis da Terra, comandados por Capitão América (Chris Evans) de um lado e pelo Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) do outro.

Com um tom mais sério que o comum para a Marvel, o filme fica aquém de suas pretensões devido a limitações que representam seu principal trunfo, mas também um calcanhar de Aquiles difícil de superar. E não estou dizendo que ele não é divertido ou interessante. Há a apresentação de bons novos personagens, como versões instigantes do Homem-Aranha (Tom Holland) e do Pantera Negra (Chadwick Boseman) e até mesmo uma bem-vinda repaginada de Tony Stark, que vinha entrando em um padrão automático bem preguiçoso.

O problema mesmo é que nada aqui faz diferença, não importa a roupagem solene e épica que se tenta dar. Apesar de sua premissa potencialmente arrasadora, Guerra Civil, anunciado como um grande evento do MCU (o universo cinematográfico da Marvel), na verdade acrescenta pouca coisa para os próximos filmes.

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Como é possível que uma guerra entre super-heróis, antes aliados, não deixe marcas? A resposta é simples: nada pode durar. Até mesmo posições absolutamente opostas e incontornáveis aqui não são capazes de criar um conflito duradouro.

É triste que os responsáveis pelo filme achem que ideologias não consigam motivar uma guerra de alta magnitude. Ainda mais em um momento em que aprendemos constantemente que a polarização, para usar uma palavra que tem estado bastante em voga no Brasil, pode sim fazer muitos estragos.

Os irmãos Joe e Anthony Russo, diretores do filme, não parecem confiar o suficiente em seus personagens ou no público, e precisam forçar um conflito familiar no meio para que, aí sim, tudo tenha cunho pessoal e mais “inteligível”. É mais ou menos a mesma solução que Batman vs Superman deu para seu conflito original, mas de maneira menos desajeitada e mambembe.

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Os roteiristas e cineastas se veem, por exemplo, na necessidade de criar uma cena de grande impacto emocional, equivalente ao da morte de um personagem, mas sem poder matar um personagem. O que cria bizarrices como sequências em que alguém aparenta estar morto, todos agem como se ele estivesse morto, enquanto na verdade o personagem não só não morreu como não terá nenhuma sequela séria por causa do ocorrido. É uma tentativa inócua de causar impacto sem arcar com as consequências. E que, é claro, não dá certo.

O esforço para ser irrelevante é até louvável, considerando-se que serve a “um bem maior”: o perpetuamento destas histórias por todo o sempre ou até quando continuarem sendo rentáveis. A questão é que o interesse em uma narrativa que se alonga demais tende a decrescer com o tempo, não importa quantos personagens bacanas você acrescente a ela.

Os filmes de super-heróis têm se tornado, a bem da verdade, correntes intermináveis de mesmice, irrelevantes até dentro de seu próprio mundo. No centro do furacão, o “universo” da Marvel é como um livro enorme e em branco, repleto de longas notas de rodapé.

Cotação-3-5

Capitão América: Guerra Civil - poster nacionalCapitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War)

Direção: Anthony Russo e Joe Russo

Roteiro: Chistopher Markus e Stephen McFeely, baseado nos quadrinhos de Mark Millar e nos personagens criados por Joe Simon e Jack Kirby

Elenco: Chris Evans, Robert Downey Jr., Scarlett Johansson, Sebastian Stan, Anthony Mackie, Don Cheadle, Jeremy Renner, Chadwick Boseman, Paul Bettany, Elizabeth Olsen, Paul Rudd, Emily VanCamp, Tom Holland, Daniel Brühl, Frank Grillo, William Hurt, Martin Freeman, Marisa Tomei, John Kani, John Slattery.

Gênero: Ação/Aventura/Ficção

Duração: 147 minutos

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