The Walking Dead – 6ª Temporada | Review

A sexta temporada era de longe a mais aguardada pelos fãs de The Walking Dead, e grande parte disso se dava por conta do vilão Negan que fode a parada toda nas HQs. Com a alta expectativa, era difícil a série corresponder, entretanto, a temporada vinha se mostrando um ótimo acerto durante sua primeira parte ao focar o drama naqueles personagens que já conhecíamos. O problema veio quando a série tentou expandir seu universo e não se mostrou corajosa o suficiente.

Há quem alegue que a série é “sobre os personagens” e não sobre as mortes. Talvez lá no começo ela realmente tenha sido uma série de personagens, mas há muito The Walking Dead virou mesmo uma série que usa e abusa de mortes para prender o público, no melhor estilo “quem será a próxima vítima agora?”. A história avança, novos personagens são introduzidos, mas o gancho é sempre a morte pela morte, não há uma exploração narrativa desse artifício, porque simplesmente é algo feito unicamente pra chocar. Ou você se lembra de como Bob, Aiden ou qualquer outro personagem que você nem lembra mais o nome, morreu? A série está se resumindo a isso, uma lista de pessoas que vão deixando ela, sempre morrendo claro.

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Não é estranho que Maggie e Negan tenham sido os pais do Batman em Batman v. Superman?

A série usa e abusa desse artifício porque sabe que é um recurso barato para prender milhões de pessoas ao redor do mundo, é o velho “quem matou Odete Roitman” dos ianques. Tomem por exemplo o final do episódio 8 que marcou o fim da primeira parte da série em que vemos claramente Glenn ser devorado por zumbis, somente para no episódio anterior descobrirmos que na verdade tinha alguém em cima dele e que, milagrosamente, ele não foi mordido (aham, ok!) ou quando no penúltimo episódio vemos Daryl levar um tiro e sangue jorrar na câmera para no episódio seguinte nada ser mencionado e ele aparecer somente com o ombro machucado.

O ápice é claro se deu na cena em quem todos estão comentando, a cena que fechou a temporada com Negan matando um dos personagens com seu bastão, carinhosamente chamado de Lucille. O discurso de apresentação foda do vilão ficou de lado com a frustração que foi ver o episódio terminar sem saber quem estava tendo o seu crânio esmagado. E o pior é que é um cliffhanger que não se sustenta, já já o nome do felizardo vai vazar, não será preciso esperar até outubro (se é que você vai continuar com a série) pra descobrir.

Nem mesmo o elenco parece ter certeza de quem vai morrer, Andrew Lincoln disse em recente entrevista:

Eu tenho teorias e algumas ideias, mas eu não vou dizer-las ainda! Talvez em algum momento no próximo ano! Tudo o que sei é que não filmamos a cena totalmente ainda e eu só vamos saber como Rick se sente quando a cena estiver finalizada . Um de nós irá sofrer e vai ser terrível pessoal e profissionalmente. Fizemos um acordo em não falar sobre isso.

O showrunner Scott Gimple disse no talk show The Talking Dead que o motivo de não terem revelado é que isso terá consequências na narrativa:

Temos que fazer um episódio que o justifique – o cliffhanger – para você. Nós temos que fazer algo tão grande e tão intenso que você fala, ‘OK, certo, é justo. Esse é o desafio que nós temos, e vamos fazê-lo. Nós estamos preparando uma coisa fantástica. Quando nós revelamos quem está levando as porradas é que se dará o início de uma outra história.

Ou seja, não disse nada, tentou justificar o erro com mais e mais promessas infundadas. A dúvida “Quem Negan matou?” poderia ter sido respondida sem qualquer prejuízo para a série.

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Outro plot que desandou foi a situação de Carol, o seu desenvolvimento desde a primeira temporada mostrou que ela deixou de ser uma personagem passiva para defender aqueles que ama a qualquer custo, como se ela nunca tivesse pensado nisso, chega Morgan mostrando que matar é ruim e blá blá blá. Eu entendo a posição do personagem na série, porém é um questionamento tardio pelo que a série já passou, e escolher justamente a Carol dentre todos para sofrer essa conversão é jogar fora tudo que ela já fez. O lado bom foi ela não estar ajoelhada na frente do Negan.

No mais, The Walking Dead continua fazendo o que sabe fazer bem, efeitos e cenas de ação, em diversas oportunidades a série soube impor tensão, a principal delas sendo a queda da torre e a consequente invasão da Alexandria. O acontecimento perdurou por alguns episódios e foi importante para que personagens como Eugene e Denise pudessem contribuir com algo relevante para a série.

No quesito audiência, a finale reuniu um público de 14,2 milhões de expectadores, um bom número, mas inferior aos 15,8 milhões do ano passado em que Rick matou Pete e Morgan retornou.

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