Marvel’s Daredevil – 2ª Temporada Ep. 1 – 7 | Review

A primeira temporada de Marvel’s Daredevil serviu pra introduzir uma visão particular do Universo Compartilhado da Marvel, um universo mais sombrio, mais sanguinário e que foca em um público mais adulto, ao contrário das série de TV aberta e dos filmes da Disney. A segunda temporada consegue manter esse nível e ao mesmo tempo expandir aquele mundo ainda mais ao introduzir novos personagens como o Justiceiro e a Elektra.

Logo no primeiro episódio vemos a rotina do Demolidor atuando como o justiceiro das ruas de Hell’s Kitchen, e não muito demora para alguém perceber que, embora tenha sido uma boa ideia, a maneira como ela está sendo executada é ineficaz uma vez que a criminalidade não diminuiu, pelo contrário, tornou-se mais forte. E é nesse contexto que surge o Justiceiro, um cara que, ao contrário de Matt, não hesita em matar criminosos.

O Justiceiro foi a melhor adição à série nesse início de temporada, e não poderia ter vindo em momento melhor. Ele é o contra-ponto ideal para o Demolidor, que já há algum tempo vem se questionando acerca dos seus limites. E é importante destacar que, a série se preocupa em dar o seu devido tempo ao personagem, não só para explicar a sua origem, mas igualmente a sua motivação.

Em dois momentos o embate entre o Demolidor e Justiceiro deixa de ser físico e passa a ser ideológico, e em poucos minutos consegue ser algo bem mais crível do que já visto em outras adaptações (e somente esse ano teremos duas superproduções cinematográficas que devem tratar de um embate semelhante, mas que não devem mostrar algo tão ou mais interessante do que a série).

Demolidor season 2 - justiceiro 12

Enquanto o protagonista da série acredita na eficácia da justiça e em oferecer segundas chances, o Justiceiro opta sempre pela solução mais radical e segura, que é eliminar o criminoso de uma vez, garantindo que este não irá mais matar ninguém. E por mais severo que esse caminho seja, ele chega a deixar várias pessoas divididas, como por exemplo a Karen.

Matt passou a primeira temporada inteira tirando bandidos da rua, pra chegar aqui e encontrar literalmente os mesmos rostos (inclusive de quem já tinha até morrido). Frank não está errado ao dizer que os bandidos estão se levantando de novo, e muito menos Matt está errado quando diz que ninguém está acima da lei, que a nenhuma pessoa pode ser dado o poder de decidir o que é certo e o que é errado, quem morre e quem vive. Então quem tem razão no fim das contas?

O passado de Frank Castle corrobora todas as suas ações no presente, e embora o seu foco inicial esteja ligado aos envolvidos na morte de sua família, já no começo da série ele reconhece que o modus operandi o Demolidor é falho e que precisa ser melhorado, o que já demonstra que o personagem pode ter um futuro em outras séries da Marvel (não apostaria em Agents of S.H.I.E.L.D. mas que sabe Marvel’s The Defenders)

Essa primeira parte da temporada focou principalmente na trama do Justiceiro e no desenrolar de sua cena inicial ao exterminar os gangsteres irlandeses e a gangue de motoqueiros Cães do Inferno. Uma vez explicado o passado de Frank, a série caminha então pra um momento procedural envolvendo o julgamento do Justiceiro. Obviamente Matt se oferece para defendê-lo, mas a surpresa fica por conta de Karen e da relação que ela desenvolve com Frank. Na primeira temporada ela já havia deixado claro que era capaz de tudo pra sobreviver, inclusive matar, mas o que mais me instiga é que mesmo conhecendo mais a personagem, sabemos pouco ou quase nada do seu passado (ela mencionou que tinha um irmão umas duas vezes, e em uma deles teve uma reação bem misteriosa).

Demolidor season 2 - trio

Uma das principais mudanças em relação à temporada anterior são as tramas paralelas. Se antes Foggy e Karen serviam apenas pra mostrar o mundo real do Demolidor e contribuir como alívio cômico, nessa segunda temporada eles realmente possuem alguma importância, seja descobrindo algo relevante (antes o Demolidor sempre estava uns 3 passos à frente de tudo), seja fazendo seu papel corretamente, e o crescimento de Foggy como advogado foi louvável, mostra que o personagem não precisa de Matt para existir. Novamente tivemos a fragilidade da amizade posta em questão, mas dessa vez por motivos diferentes, Matt já não mais consegue conciliar sua vida de advogado de dia e justiceiro à noite.

Se teve algo que não mudou foram as cenas de luta, as coreografias estão cada vez mais precisas e nem de longe passam por ensaiadas demais, daquele tipo que quem está apanhando já reage antes mesmo de levar um soco, ou quando percebemos que quem bate dá socos no ar. E grande parte disso se deve aos efeitos sonoros da série, que desde a primeira temporada merecem elogios pela sua precisão e por darem destaque ao que Matt sente. Dito isso, não há como falar dessa segunda temporada sem mencionar a luta filmada em plano sequência do terceiro episódio que, incrivelmente, superou aquela da primeira temporada.

daredevil-ep3-luta

  • Apenas citei a Elektra nessa review porque pretendo me aprofundar mais na segunda parte da review, que é quando sua história começa a ser melhor trabalhada e sua importância pra série fica mais clara.
  • A mudança na produção não resultou na queda de qualidade como cheguei a suspeitar, pelo contrário, digo até que houve uma pressão pessoal na nova equipe pra não mostrar mais do mesmo.
  • Demolidor deve ser o carro chefe da Marvel na Netflix, além de ter ganhado uma segunda temporada antes de Mavel’s The Defenders (o que não era esperado), toda a trama deixa rastros para uma terceira temporada.
  • Foi meio inútil esperar, mas até aqui não rolou nenhuma participação do universo compartilhado.
  • Que bom que o conflito entre Matt e Foggy não surgiu do relacionamento daquele com a Karen, e sim pela postura de Matt em continuar usando o Demolidor pra “limpar” sua cidade, como ele gosta de frizar.
  • A segunda parte da review vai tratar de alguns pontos que envolve episódios dessa primeira parte, principalmente no que diz respeito à Elektra e à Claire Temple.

Clique Aqui para ler a segunda parte da review

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