Tudo Vai Ficar Bem | Crítica

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Tomas (James Franco), um novelista em busca de inspiração, é o responsável por um acidente que tira a vida de uma pessoa. Apesar de encontrar neste acontecimento terrível a inspiração que procurava, seu estado emocional depressivo e o sentimento de culpa não o abandonam nos anos que se seguem.

Esta é, em linhas gerais, a história de Tudo Vai Ficar Bem, primeira (e possivelmente última) parceria do aclamado cineasta alemão Wim Wenders com Franco. O filme solta o espectador em momentos determinados da vida do protagonista, com espaçamento de anos entre eles, mostrando o quanto o peso do que aconteceu ainda tem influência sobre a psique de Tomas.

Um dos pequenos poréns para quem pretende ver o filme aqui mesmo pelo Brasil é que será impossível assisti-lo da forma originalmente projetada por Wenders. Defensor do uso de 3D inclusive em dramas mais íntimos como este, em que muitos acreditariam que o recurso não tem muita importância, o cineasta parece ter usado as três dimensões como uma forma de representar a quantidade enorme de espaço ao redor de Tomas, ampliando a angústia e a solidão do personagem.

Belas imagens e uma grande profundidade de campo preenchem a tela durante a maior parte do tempo, e indicam que perde algo sim quem assiste ao filme nas duas dimensões costumeiras. Esta, infelizmente, é a regra no cinema brasileiro, já que nenhuma sala do país disponibilizou cópias em 3D.

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No entanto, por mais falta que faça, é difícil acreditar que a profundidade visual pudesse acrescentar muita coisa a um enredo que, também ele, se imagina profundo, mas se mostra raso e repetitivo.

Os momentos encontrados na vida de Tomas revelam um autor em ascensão, com um sucesso profissional ligado à experiência traumática vivida anos atrás. Ao mesmo tempo,  trata-se de alguém em conflito consigo mesmo, conflito este que não consegue aplacar nem mesmo ao escutar dos lábios da mãe da vítima o anúncio de sua liberdade.

Então, ao longo de mais de uma hora, acompanhamos Tomas às voltas com a namorada, depois tentando construir uma família e ainda conviver com o sucesso, que, com o passar dos anos, se converte em um avanço material palpável para ele e as pessoas ao seu redor.

Nesse meio tempo, a culpa se manifesta em momentos específicos: quando Tomas volta ao local do acidente e reencontra a mãe da vítima pela primeira vez, durante um acidente que acontece próximo de sua enteada ou no momento em que dá de cara com alguém que havia ferido profundamente no passado, em grande parte devido ao trauma.

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Nenhuma dessas sequências é especialmente inspirada nem faz nada que já não tenha sido mostrado milhares de vezes antes. Conforme a narrativa se afasta do incidente original, o interesse por ele e seus efeitos diminui de forma correspondente. Como o irônico título já indica, não, nada vai ficar bem. Infelizmente, o filme não tem muito além disso para mostrar.

Todos os personagens que rodeiam o protagonista parecem estar ali simplesmente para ilustrar esses efeitos. As atuações vão do piloto automático (Rachel McAdams, Charlotte Gainsbourg e Marie-Josée Croze, por exemplo) ao francamente ruim (um caso notável é o da atriz mirim Lilah Fitzgerald) e pouco acrescentam.

James Franco está um pouco melhor que a média do filme, assim como o jovem Robert Naylor, mas os problemas de roteiro que envolvem a relação dos dois são tantos que acabam transformando a coisa toda em um conflito artificial e sem nenhum sentido narrativo. Wenders ainda é capaz de dirigir documentários excelentes, mas parece ter perdido a habilidade de encontrar humanidade em seus personagens de ficção. Uma pena.

Cotação-2-5

Tudo Vai Ficar Bem - poster nacionalTudo Vai Ficar Bem (Every Thing Will Be Fine)

Direção: Wim Wenders

Roteiro: Bjørn Olaf Johannessen

Elenco: Rachel McAdams, James Franco, Peter Stormare, Charlotte Gainsbourg, Julia Sarah Stone, Marie-Josée Croze, Patrick Bauchau, Jack Fulton, Robert Naylor, Lilah Fitzgerald, Céline Bonnier, Peter Miller, Martin Sims, Julien Boissaud, Anne-Sophie Bozon, Philippe Vanasse-Paquet, Jessy Gagnon, Rachelle Bergeron, Benoit Priest, Nathaly Thibault.

Gênero: Drama

Duração: 118 minutos

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