A Série Divergente: Convergente | Crítica

Convergente

A Série Divergente chega ao seu terceiro capítulo repetindo a mesma estratégia de marketing dos seus produtos de origem, Harry Potter e Jogos Vorazes, ou seja, dividindo o ato final em dois filmes. A tática, que funciona comercialmente, acaba tornando invariavelmente os filmes “do meio” em pontes para o clímax, o que gera algum desinteresse e frustrações.

Em Convergente (The Divergent Series: Allegiant, 2016), esse problema é diluído de certa forma, pois o filme consegue resolver suas subtramas preparatórias para o grande desfecho na sequência, ao mesmo tempo em que explora novos elementos que ampliam aquele universo mostrado até então. Não que o resultado final disso seja animador.

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Na verdade, a série mantém o mesmo padrão dos filmes anteriores. Sem ter elementos que de fato o diferenciem de ser um subproduto dos demais filmes infanto-juvenis do seu tempo, a tentativa de inovação aqui fica por conta dos elementos de ficção científica, que são inseridos desta vez sem a menor cerimônia. Se nos filmes anteriores o clima pós apocalíptico ditava a estética, em Convergente é o sci-fi cafona que comanda. Armas avançadas, naves, hologramas e manipulação genética batem ponto na história.

Isso porque a trama leva a protagonista, Tris (Shailene Woodley), em uma jornada de busca para o que há além dos muros que cercam a distópica Chicago. Convencida (sem nenhuma razão aparente que não a curiosidade) de que deve partir, Tris e seu grupo partem e chegam até o Departamento, um local de experimentos genéticos onde ela, por ser divergente, exerce papel de suma importância para os objetivos do líder local.

Como reza a cartilha das ficções científicas, o subtexto de crítica social é obrigatório. E o escolhido da vez é o que evidencia a ignorância da discriminação entre raças, já que existe na história uma diferenciação entre “Puros e Danificados” (remetendo sem qualquer sutileza à ideologia de hierarquia racial pregada pelo nazismo).

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O diretor Robert Schwentke (que também dirigiu o segundo filme) também não abre mão das metáforas de encaixe social adolescente (Tris é diferente, mas quer ser igual a todos), que ainda fazem parte do cerne da série, e que em Convergente são exploradas na forma de um discurso ingênuo (quase no estilo de concursos de miss) sobre derrubar muros e unificar os povos. Além, é claro, do romance água com açúcar que permeia a tela com beijos idealizados ao pôr do sol.

É essa busca por subtextos que soa como uma forma de validar a escalada da série, tentando elevá-la a uma grandiosidade que nunca foi prometida. Ao contrário, essa insistência em se justificar e o medo de se autoparodiar, mesmo o filme sendo um remendo de outros similares, enfraquecem a aura de filme B que a série poderia carregar com algum brilho.Cotação-1-5

A Série Divergente: Convergente (The Divergent Series: Allegiant)

A Série Divergente: Convergente - poster nacional

Direção: Robert Schwentke

Roteiro: Noah Oppenheim, Adam Cooper e Bill Collage, baseado no livro de Veronica Roth

Elenco: Shailene Woodley, Zoë Kravitz, Theo James, Miles Teller, Naomi Watts, Jeff Daniels, Maggie Q, Ansel Elgort, Jonny Weston, Bill Skarsgård, Xander Berkeley, Keiynan Lonsdale, Joseph David-Jones, Robert Dane Goodwin, Dante Briggins, Autumn Dial, Nadia Hilker, Courtney Hope, Nea Dune, Hannah Alligood.

Gênero: Ação/Aventura/Ficção

Duração: 121 minutos

One comment

  1. Concordo com que disse. Mas no geral gostei, e sobre os efeitos não sou muito fã de efeitos especiais, mas fiquei impressionada com algumas cenas. Achei meio sem sentido a relação do David ( acho que esse é o nome) com a cidade natal de Tris. Se ele tivesse relação com Jeanine faria sentido. Mas no geral um bom filme.

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