White God | Crítica

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Há um motivo por que qualquer episódio de maus-tratos contra animais é algo revoltante. Os animais, diferentemente de qualquer ser humano, ainda são vistos como os grandes representantes da inocência e ingenuidade em nosso mundo. Causar sofrimento a um ser que não entende bem o que acontece à sua volta é, portanto, um crime imperdoável e, em muitos casos, um atestado de perversão sem perdão.

Alguns filmes e diretores gostam de explorar o sofrimento em seus filmes como um motor para fazer avançar sua narrativa ou até como uma opção estética, com resultados bastante diversos. O risco maior é de que essa opção pela violência e pela dor pareça gratuita, apenas um elemento de choque com a intenção de desestabilizar o espectador, mas sem uma história que justifique a escolha.

Ao menos durante a primeira metade da projeção, este parece ser o caso de White God. O filme narra a história da jovem Lili (Zsófia Psotta) e seu cãozinho Hagen. Graças à intolerância dos indivíduos que cercam a dupla, seus caminhos se separam e a narrativa se divide em duas.

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A primeira parte acompanha a jornada de Hagen pelas ruas, onde é perseguido de forma implacável pela carrocinha e acaba caindo nas mãos de um treinador de cães de briga. A outra segue Lili em  suas desventuras num curto coming of age, em que a garota tem a oportunidade de reavaliar sua relação com o pai, os colegas, as autoridades, a música, a sociedade e consigo mesma.

O filme funciona mais como uma fábula do que como uma narrativa que poderia se passar no mundo como o conhecemos. Quase todos os personagens parecem ter como intento maior tornar miserável a vida dos animais, invertendo a concepção tradicional de grande amizade entre humanos e cães. Em White God, o homem é o pior inimigo do cão.

Por isso, “agentes” da carrocinha funcionam quase como policiais, protagonizando cenas de perseguição que muito dificilmente seriam reproduzidas na vida real. Um açougueiro tenta esfaquear Hagen por pura maldade. Todos os humanos que encontra pelo caminho (claro, com a exceção de Lili) tentam tirar proveito dele de alguma forma e o tratam tão bem quanto a um pedaço de carne ambulante.

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Todos esses fatores levam à terceira parte do filme, que une elementos do fantástico e do horror com habilidade e ressignifica o que havia sido visto até então. É quando o filme amplia seu escopo e ganha contornos de alegoria.

Ainda é possível ler a história como uma narrativa sobre uma garotinha e seu cão, sobre abandono e sobre como as ações dos outros influenciam a forma como tratamos quem amamos.

Porém, também  ganha força uma interpretação mais abrangente, englobando todos aqueles que já foram vítimas de preconceito e tiveram a coragem de lutar por seus direitos. Neste caso, a única forma de alcançar o equilíbrio é a habilidade de saber se colocar no lugar do outro. Pena que seja algo tão em falta nos dias de hoje.

Cotação-4-5

White God - poster nacionalWhite God (Fehér Isten)

Direção: Kornél Mundruczó

Roteiro: Kornél Mundruczó, Viktória Petrányi e Kata Wéber

Elenco: Zsófia Psotta, Sándor Zsótér, Lili Horváth, Szabolcs Thuróczy, Lili Monori, Gergely Bánki, Tamás Polgár, Károly Ascher, Erika Bodnár, Body, Bence Csepeli, János Derzsi, Csaba Faix, Edit Frajt, Alexandra Gallusz, Péter Gothár, László Gálffi, Kornelia Horvath, András Hídvégi, Ferenc Lakatos.

Gênero: Drama/Terror

Duração: 121 minutos

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