O Quarto de Jack | Crítica

O longa O Quarto de Jack retrata um daqueles casos que vez por outra ouvimos falar que acontecem quase que comumente nos EUA e às vezes em algum país da Europa: Um homem sequestra uma adolescente e a mantém em cativeiro por anos, abusando sexualmente e psicologicamente. É o ápice da misoginia e machismo, do homem tratando a mulher como um animal qualquer, um objeto para satisfazer seus desejos sórdidos.

Um filme sobre isso imagina-se ser pesado, difícil de assistir, por tratar de uma situação de violência tão brutal. Mas é aí que está o brilho de O Quarto de Jack, pois o filme não só tratou o tema de forma extremamente sensível, mas também de forma profunda. É claro que causa desconforto em certos momentos, mas o filme emociona sem apelar.

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O acerto no tom se deve tanto à direção de Lenny Abrahamson, que por trabalhar com cinema independente está livre das amarras teóricas do cinema de Hollywood, mas também pela atuação visceral de seus protagonistas, a garota sequestrada, Joy (Brie Larson, que deve levar o Oscar por este trabalho), e seu filho, Jack (o excelente ator mirim Jacob Tremblay), fruto dos estupros diários que sofre de seu carrasco.

Durante boa parte do filme vemos o mundo que Joy criou naquele pequeno quarto para suportar  sua realidade e também para tentar criar um ambiente minimamente saudável para Jack. O filho, aliás, também é uma tábua de salvação para Joy, mantê-lo ali com ela é uma forma dela suportar a dor de viver presa. Já o menino, que acha que o mundo se resume àquele quarto e o que vê através da televisão são outros planetas, não deixa de ser uma representação da alienação em que vivemos no dia a dia, em aceitar convenções que não fazem sentido algum. É a teoria da caverna de Platão.

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Mas quando a gente pensa que o filme se resume a isso – o que não seria pouco, pois é uma história de forte carga emocional sobre como o amor nos salva em situações extremas – e quando achamos que a medida desesperada de fuga (e até cruel com a criança) é o fim, o longa se transforma, e podemos visualizar o outro lado, é daí que ele abre os olhos do espectador e o convida a olhar para o lado de fora e se acostumar com a claridade do dia. O que acontece quando quebramos todos os nossos paradigmas e temos que nos habituar com uma nova vida? Nem sempre é fácil, e quase dá vontade de voltar para o quartinho da zona de conforto, mas o mundo real ainda é melhor.

Cotação-5-5

O Quarto de Jack (Room)

O Quarto de Jack - poster nacional

Direção: Lenny Abrahamson

Roteiro: Emma Donogue, baseado em seu próprio livro

Elenco: Brie Larson, Jacob Tremblay, Sean Bridgers, Wendy Crewson, Sandy McMaster, Matt Gordon, Amanda Brugel, Joe Pingue, Joan Allen, Zarrin Darnell-Martin, Cas Anvar, William H. Macy, Jee-Yun Lee, Randal Edwards, Justin Mader, Ola Sturik, Rodrigo Fernandez-Stoll, Rory O’Shea, Tom McCamus, Kate Drummond.

Gênero: Drama/Suspense

Duração: 118 minutos

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