Reza a Lenda | Crítica

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Reza a Lenda conta a história de um grupo de motoqueiros meio punks que correm pelas estradas do sertão nordestino em busca da imagem de uma santa, que, reza a lenda, se for colocada no altar certo, vai fazer chover na caatinga. Este grupo tem como guia um homem chamado de Pai Nosso (Nanego Lira), que recrutou os motoqueiros ainda na infância, quando estes perderam seus pais devido à seca e a miséria. Mas para encontrar a tal santa, eles pedem ajuda a um outro líder espiritual, o Galego Lorde (Julio Andrade), e então partem para o resgate da imagem que está em posse de um coronel da região.

É nesta premissa sobre seca, fé e sacrifício, tão comuns na nossa cultura, que o diretor e roteirista Homero Olivetto criou seu road movie de ação ao estilo Mad Maxcom suas estradas no meio do nada, paisagem desértica, figurinos excêntricos, perseguições e conflitos (quase) eletrizantes.

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Ao menos no visual o filme conseguiu fazer alusão aos primeiros filmes de George Miller, e sem parecer forçado, pois nossa geografia favorece. Já a história, apesar da premissa confusa, porém interessante (se pararmos para pensar na nossa cultura de origem católica), se perde no caminho. Reza a Lenda poderia ser uma bela alegoria sobre a forma como a fé do povo é explorada em todos os níveis, mas não se aprofunda, pois preocupa-se mais com a forma em detrimento do conteúdo.

No longa, o herói Ara, interpretado por Cauã Raymond, e também a heroína Serafina, de Sophie Charlotte, tratados com igualdade no grupo, são uns dos últimos da pirâmide de exploração da fé, já que foram manipulados por Pai Nosso, que através da fé os convenceu a seguir com ele, transformando-os em seus militantes. Todos foram manipulados por Galego Lorde, conhecido como bruxo e líder de uma comunidade alternativa, mas são armados até os dentes e se drogam para ver “a verdade”, com um preço: a carne, aqui na figura da insossa personagem de Luísa Arraes, que só serve para ser sexualizada e formar um triângulo pseudo-amoroso constrangedor para as personagens femininas. Além de desnecessário, machista.

Já quem é tratado como vilão, e demonstra isso de forma caricatural, é Tenório (Humberto Martins), o homem detentor do dinheiro e do poder na região, através também da exploração da fé e do medo sobre o povo. A jornada do herói consiste em derrubar todos estes porta-vozes e enxergar a sua própria verdade, sem filtros, mesmo que isso signifique abrir mão de todas as suas crenças.reza a lenda 2

Daria uma boa história, ainda mais aliada ao belo trabalho de fotografia, uma trilha sonora com pop e eletrônico que contrasta com a narrativa causando um efeito interessante, e as competentes sequências de ação. O que faltou foi uma direção de atores mais assertiva, assim quem sabe conseguissem passar com mais eficácia os significados da história. Ou talvez o próprio roteiro nunca tenha demonstrado preocupação com isso.Cotação-2-5

Reza a Lenda (Reza a Lenda)

Reza a Lenda - poster

Direção: Homero Olivetto

Roteiro: Homero Olivetto, Patrícia Andrade e Newton Cannito, baseado em história de Homero Olivetto

Elenco: Cauã Reymond, Humberto Martins, Jesuíta Barbosa, Luisa Arraes, Sophie Charlotte, Herberth Vital, Jonathan Azevedo, Júlio Andrade, Nanego Lira, Nataly Rocha, Sílvia Buarque, Zezita Matos, Poliana Pieratti.

Gênero: Ação/Aventura/Drama/Romance

Duração: 87 minutos

Sinopse: Em uma terra sem lei, a sorte favorece apenas os mais fortes e corajosos. Ara (Cauã Reymond), um homem de ação e poucas palavras, é o líder de um bando de

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