O Bom Dinossauro | Crítica

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A Pixar ficou conhecida como o estúdio de animação com um rigoroso padrão de qualidade, tivemos filmes como Toy Story e suas duas ótimas sequências, Up – Altas Aventuras, Os Incríveis, Wall-E e o mais recente, Divertida Mente. Todos eles um sucesso de bilheteria e de crítica. Acontece que no meio dessas maravilhas tivemos Carros 1 e 2 que decepcionaram em termos de qualidade e mostraram que o estúdio de Steve Jobs não era à prova de erros. O Bom Dinossauro, mais nova animação da Pixar dirigida por Peter Sohn integra, infelizmente, a lista de deslizes.

A animação toma lugar em um universo paralelo, em que o asteroide que deveria ter extinto os dinossauros da Terra não atingiu o planeta, de tal maneira que os dinossauros evoluíram e ganharam características típicas dos humanos primitivos, como por exemplo, tornaram-se fazendeiros, caçadores e até criadores de outros animais, além de claro constituírem seu próprio núcleo familiar. Pra isso, a gente deve ignorar o fato de como dinossauros sem ferramentas ou polegares oponíveis conseguiram desenvolver uma sociedade agrária, porque o filme em nenhum momento se dá ao trabalho de se aprofundar em tais questões.

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Mas é nesse ambiente em que somos apresentados a Arlo, o caçula de três irmãos que não detém as características típicas de um dinossauro, é pequeno, fraco e principalmente, medroso. O medo de Arlo é pintado de maneira tão exagerada, que mesmo as crianças menores terão dificuldades em se identificar nesse aspecto com o protagonista. Mas, apesar dessa premissa soar como um enredo original, o filme peca pela completa falta de inspiração ao conduzir sua história no segundo ato inteiro. É impossível não sair do cinema achando já ter visto aquela trama sendo contada outras vezes, o que soa estranho quando lembramos que é um filme da Pixar.

O paralelo com filmes como Rei Leão, Mogli – O Menino Lobo e Era do Gelo é tanto, que as cenas não soam como homenagens, como deveriam ser, e sim como resoluções fáceis que Sohn trata como se não tivéssemos visto-as outras tantas vezes. O problema maior é que os momentos-chave da animação são exatamente os momentos-chave dos filmes nos quais se “inspira”. No decorrer da trama isso se torna extremamente cansativo, a ponto de soltarmos um “Poxa, mais uma cena igual!”.

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Pesa a desfavor do filme também, o fato dele ser episódico, já que é basicamente um road movie pré-histórico em que Arlo tenta voltar pra casa e passa por diversos percalços no caminho, um atrás do outro. No entanto, foi aí que o estúdio achou o local pra incluir sua mensagem da vez, essa sim bem interessante. Se em Divertida Mente a ideia era abraçar a tristeza e aceitá-la como um sentimento normal na vida, “O Bom Dinossauro” trás uma mensagem semelhante, só que em relação ao medo, ensinando-nos a aceitá-lo como um instinto de sobrevivência, algo do qual não podemos nos livrar, e que é melhor aprendermos a tirar proveito dele.

Os acompanhantes de Arlo em sua jornada não chegam a se destacar tanto. Com exceção do humano primitivo Spot, que em tudo lembra um cachorro, até o nome escolhido e seus trejeitos, temos alguns pássaros e dinossauros que aparecem na trajetória do protagonista para algum propósito específico e logo somem de cena. Mesmo a relação com Spot, a mais impactante e profunda da animação não é levada a um nível maior do que o óbvio, um ajuda um outro até o seu limite e pronto. Faltou um pouco de ambição de sair do lugar comum e mostrar algo inovador, ou pelo menos um desfecho mais interessante.

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Apesar disso, toda a qualidade técnica do estúdio ainda subsiste em cenários ricos em detalhes, como é de costume da Pixar. As tomadas abertas das montanhas e dos rios, e em especial uma que lembra bem filmes de faroeste, mostram que tecnicamente a animação não possui defeito algum, uma pena que o mesmo não pode ser dito da história que resolveram contar dessa vez.
Cotação-2-5

O Bom Dinossauro (The Good Dinosaur)

O Bom Dinossauro - poster nacional

Direção: Peter Sohn

Roteiro: Meg LeFauve, baseado em história de Peter Sohn, Erik Benson, Meg LeFauve, Kelsey Mann e Bob Peterson e no conceito original e desenvolvimento de Bob Peterson

Elenco: Jeffrey Wright, Frances McDormand, Maleah Nipay-Padilla, Ryan Teeple, Jack McGraw, Marcus Scribner, Raymond Ochoa, Jack Bright, Peter Sohn, Steve Zahn, Mandy Freund, Steven Clay Hunter, A.J. Buckley, Anna Paquin, Sam Elliott, David Boat, Carrie Paff, Calum Grant, John Ratzenberger, Charlie Bright, Emily Davis, Tony Fucile, Zoe Larkin, Courtney Lockwood, Aidan McGraw, Ava Schaffer, Lena Schaffer, Daniel Nascimento.

Gênero: Animação/Aventura/Comédia

Duração: 93 minutos

 

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