Star Wars: O Despertar da Força | Crítica

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A saga Star Wars, que tem nada menos do que duas trilogias (seria uma hexalogia?) possui milhares de fãs em todo o mundo por tratar temas filosóficos, morais, sociais e familiares, tudo isso dentro de um universo fantástico futurista e intergalático, parecendo que é apenas uma ficção científica-pipoca por excelência, o que não deixa de ser, obviamente. Mas por tratar de temas tão identificáveis com o público, ganhou o status de cult que mantém há mais de três décadas. O criador deste universo todos sabem, é George Lucas, que tem uma grande imaginação e um ótimo tino para o marketing, porém, como diretor, deixa um pouco a desejar, tanto que não foi ele quem dirigiu os episódios V e VI (considerados os melhores da série), e a “trilogia nova” que dirigiu, os eps. I, II e III, não podemos considerar nas listas das grandes obras cinematográficas. Eles, aliás, quase arruinaram a mitologia sobre a saga.

Destarte, o desafio de dar novo fôlego à franquia era enorme, mas depois dos bilhões gastos pela Disney pela Lucasfilm, eles tinham que fazê-lo, e da forma certa. Foi então que o diretor-prodígio J. J. Abrams, que já havia ressuscitado a franquia Star Trek (não as confundam, civis!) e o roteirista da primeira trilogia, Lawrence Kasdan, foram chamados. E o que fizeram? Uma continuação/reboot, que mantém todos os elementos da primeira trilogia, mantendo o fator nostálgico para os fãs, e imprimiram as necessárias atualizações para a nova audiência dos anos 2010. Assim, Star Wars: O Despertar da Força é um filme moderno com um certo ar vintage.

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Tudo aquilo que os fãs amam estão lá: os rebeldes, agora a República da Resistência, lutando contra o império, agora A Nova Ordem. Mas o cerne se mantém, da luta de classes, do povo contra o governo fascista opressor. Temos também o adorado Han Solo (Harrison Ford, o mito) e seu parceiro igualmente adorável Chewbacca (Peter Mayhew) em plena forma, temos relações familiares conflituosas (as relações pai e filho da saga Star Wars merecem ser objetos de estudo para a psicanálise), e temos, claro, a “Força”, pendendo tanto para a luz quanto para o lado sombrio.

Já a novidade está na calculada escolha dos novos personagens. Agora a protagonista é Rey (Daisy Ridley, uma revelação), que é emponderada, independente e forte, sem por isso ser masculinizada. E ter uma garota no papel principal é pontual para a série, já que, apesar da (ex) princesa Leia (Carrie Fisher) ser uma personagem icônica e símbolo feminista por lutar muito bem sem ajuda de um homem, ela era a única mulher num universo futurista, o que soa no mínimo estranho. Já neste, além de Rey, temos a Capitã Phasma (Gwendoline Christie) no lado do mal, a própria Leia numa posição de poder, além de várias mulheres em diversos ambientes, tudo muito mais igualitário. Sim, Star Wars é feminista!

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Outro novo personagem é o co-protagonista Finn, vivido por John Boyega. Sua trama no filme é o ponto de maior novidade na franquia, já que todo o resto soa meio igual. Pela primeira vez conhecemos um Stormtropper, os soldados tão fáceis de abater do Império. Finn, além de representar o olhar da audiência, é o símbolo do oprimido que se liberta de sua condição, o homem de Platão que sai da caverna e passa a enxergar a realidade ao invés de acreditar que as sombras são reais, como os outros stormtroppers, que foram tirados de sua família na tenra infância e treinados para matar e morrer pelo Império/Nova Ordem.

Já no lado sombrio, não há quase nenhuma explicação sobre como ele se reergueu e como Kylo Ren (o ótimo Adam Driver) chegou àquela posição, tampouco o Líder Supremo Snoke, interpretado por Andy Serkis (de onde ele saiu?). Mas nem por isso os personagens parecem mal-desenvolvidos, eles com certeza terão sua origem contada numa continuação.

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Quanto ao visual, é espetacular, e o que mais empolga nesta nova/velha história é a união perfeita entre efeitos visuais mecânicos e de computação, o que faz parecer tudo mais real, palpável, fazendo-nos acreditar que o fofíssimo dróide B-B-8 (destaque do filme) é realmente pesado quando tentamos segurá-lo. E o uso de tecnologia avançada faz a nave Millenium Falcon fazer manobras espetaculares nunca antes vistas.

Será que consegui escrever esta crítica sem spoilers? No geral, não temos nada de muito inovador em termos de narrativa, mas temos o melhor das guerras nas estrelas para fazer despertar o interesse das novas e “velhas” gerações, com certeza.

Cotação-4-5

 

Star Wars: O Despertar da Força (Star Wars: The Force Awakens)

Star Wars: O Despertar da Força - poster nacional

Direção: J.J. Abrams

Roteiro: Lawrence Kasdan, J.J. Abrams e Michael Arndt, baseado nos personagens criados por George Lucas

Elenco: Daisy Ridley, Carrie Fisher, Mark Hamill, Adam Driver, Harrison Ford, Domhnall Gleeson, Gwendoline Christie, Billie Lourd, Peter Mayhew, Oscar Isaac, John Boyega, Simon Pegg, Andy Serkis, Kenny Baker, Lupita Nyong’o, Warwick Davis, Anthony Daniels, Max von Sydow, Maisie Richardson-Sellers, Greg Grunberg, Tim Rose, Iko Uwais, Ken Leung, Christina Chong, Jessica Henwick, Mark Stanley, Yayan Ruhian, Kiran Shah, Pip Andersen, Miltos Yerolemou.

Gênero: Ação/Aventura/Ficção

Duração: 135 minutos

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