Olhos da Justiça | Crítica

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Os norte-americanos, como têm a mais influente indústria de cinema do planeta, não se dão ao luxo de assistir a filmes estrangeiros, isso é coisa para uma elite intelectual dos grandes centros urbanos. Se aqui no Brasil, cuja maior parcela das salas exibem filmes internacionais, a opção por legendados está cada vez mais escassa, imagine por lá, onde a maioria não se dá ao trabalho de aprender outra língua? É por isso que grandes sucessos europeus, asiáticos ou latino-americanos acabam ganhando remakes, para que o norte-americano médio tenha acesso a uma ótima história contada em sua língua com atores conhecidos. Pena que até hoje nenhum destes remakes tenha chegado perto do original (o melhor exemplo disso deve ser Oldboy).

E acontece de novo com Olhos da Justiça, título mais do que genérico para se diferenciar do original argentino O Segredo dos Seus Olhos, o envolvente drama do diretor Juan José Campanella, que ganhou o Oscar de filme estrangeiro em 2010. Se no primeiro filme, baseado no romance de Eduardo Sacheri, a trama se desenvolve em torno de um investigador aposentado que pretende escrever um livro a partir de um caso não-resolvido de estupro e assassinato da esposa de um desconhecido na Argentina dos anos 1970, tentando solucioná-lo décadas depois, neste a trama, para manter o tom político, sai o Peronismo e entra a guerra ao terrorismo pós 11/09, com a origem da história em 2002, num curso de treze anos.

Esta atualização é inteligente, visto que os sistemas políticos dos dois países seriam muito diferentes para manter o mesmo tom, mas a essência do sistema que atravanca a justiça se mantém intacta. O que muda essencialmente aqui é a personagem de Julia Roberts, Jess, que no original, é o marido que perde sua esposa. Aqui, ela é também uma investigadora, amiga do protagonista Ray (Chiwetel Ejiofor), que estão engajados na caça a terroristas. No meio de tudo a isso, a filha de Jess, Carolyn (Zoe Graham, que tem o mesmo sorriso de Julia Roberts), é encontrada por eles numa mesquita, violentada e assassinada. A partir daí, a trama vai e vem no tempo, mostrando as consequências de todas os acontecimentos na vida dos personagens.

Esta relação de cumplicidade entre Jess e Ray marca a grande diferença do remake, e isto ao mesmo tempo é bom e ruim. Jess foi criada especialmente para Julia Roberts, e ela mergulha de cabeça na personagem, conferindo-lhe profundidade e dando ferramentas para a atriz se despir de qualquer vaidade e trabalhar sua atuação dramática. Porém, este aprofundamento da personagem vítima acaba enfraquecendo o suspense e a reviravolta final. Já o personagem de Ejiofor é composto com a sensibilidade já característica do ator, e não podemos esquecer da outra grande estrela do cinema no filme, Nicole Kidman, que faz a superior dos investigadores que no tempo presente torna-se chefe da promotoria e ajuda Ray a solucionar o mistério. Sempre hesitante, e sempre com uma tensão romântica entre os dois.

Para quem assistiu ao longa argentino, é impossível fugir das comparações, e neste caso, a versão Hollywoodiana perde feio. Como drama, gênero cada vez mais raro no sistema industrial de fazer cinema, é uma boa tentativa, apesar de ainda ser um remake, e é melhor ter furos no roteiro (soltar um psicopata confesso por ser informante do FBI numa mesquita, sério?) do que escrever uma trama supostamente original e ser acusado de plágio. Ou não.

Cotação-2-5

 

Olhos da Justiça (Secret In Their Eyes)

Olhos da Justiça - poster nacional

Direção: Billy Ray

Roteiro: Billy Ray, baseado no roteiro original de Juan José Campanella e Eduardo Sacheri e no romance de Eduardo Sacheri

Elenco: Chiwetel Ejiofor, Julia Roberts, Nicole Kidman, Dean Norris, Alfred Molina, Joe Cole, Michael Kelly, Zoe Graham, Alessandro Cuomo, David Villada, Don Harvey, Greg Duncan, John Papsidera, Lyndon Smith, Mark Famiglietti, Patrick Davis, Ross Partridge, Toni French, David Israel, Dennis Keiffer.

Gênero: Drama/Suspense

Duração: 111 minutos

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