A Visita | Crítica

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Quando M. Night Shyamalan “estourou” para a fama mundial em 1999 com O Sexto Sentido, muitos o compararam com o mestre do suspense, Alfred Hitchcock. Parece um sacrilégio (e é), mas seu talento foi apenas se confirmando com os filmes seguintes, Corpo Fechado (2000), Sinais (2002), e até mesmo o subestimado A Vila (2004), pois todos, em maior ou menor grau, são ótimos thrillers. Até que veio A Dama da Água (2006), seguido de Fim dos Tempos (2008), com Mark Whalberg fugindo do vento, filmes pretensiosos que fizeram sua carreira ficar abalada. Então Shyamalan decide dar um tempo dos filmes autorais e partir para grandes produções, e o fracasso veio com tudo: O Último Mestre do Ar (2010) e Depois da Terra (2013) foram a pá de cal na credibilidade do diretor.

Qual seria a saída? Aposentar-se? Ir para a TV? Bem, ele produziu este ano uma série para a Fox nos EUA, Wayward Pines (que, claro, é uma ficção científica com toques de suspense). Mas Shyamalan foi corajoso o bastante para não abandonar sua paixão e, com míseros 5 milhões de dólares (uma merreca para os padrões hollywoodianos, acreditem), escreveu, produziu e dirigiu seu mais novo longa, A Visita, que já faturou 15 vezes seu valor.

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A Visita é um suspense no estilo filmagem amadora, quando os personagens estão filmando. Pode parecer clichê, afinal quantas vezes temos visto este estilo desde A Bruxa de Blair (1999) até Atividade Paranormal (2009)? Mas Shyamalan sabe o que faz, e usou deste estilo que  mostra o ponto de vista dos protagonistas o grande atrativo do longa. Os momentos mais divertidos (sim, muito!) e tensos se dão graças à câmera na mão dos irmãos ultra-talentosos (personagens e atores) Becca (Olivia DeJonge) e Tyler (Ed Oxenbould). Com isso o diretor faz um retrato desta geração, que cresceu com câmeras e computadores e sabem manusear tecnologias melhor do que muito adulto, e a super-exposição da vida é o que a justifica. Mas não se engane, o filme não é sobre o vazio da virtualidade, mas sobre sentimentos muito humanos, rancor e perdão.

Na trama, Becca está filmando um documentário sobre sua família, e temos todas as mis-en-scéne explicadas graças aos depoimentos dos personagens à ela, o que em nenhum momento soa didático ou chato. Começamos entendendo a situação de sua família: os irmãos moram com a mãe, o pai os abandonou e a mãe, por sua vez, não vê os pais há anos, desde que saiu de casa ainda adolescente para ficar com o pai de seus filhos. Agora, os avós, que os encontraram, pedem para conhecer os netos, que então vão à fazenda na Pennsylvania visitá-los (eis a visita). Lá, continuam o documentário, o irmão mais novo de Becca, metido a rappper (seus raps são misóginos, mas isso é criticado pela irmã, então fica divertido) torna-se seu assistente, com uma câmera própria. Os atores mirins são grandes talentos, terão futuro se tiverem a carreira bem administrada, o tempo de comédia de Oxenbould é perfeito.

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É claro que durante os dias na casa dos avós coisas bizarras acontecem, e claro que há um plot twist que surpreende o público no último ato. Isso é o mais puro cinema de Shyamalan, ele constrói o conflito sem pressa, até capturar os mais distraído dos espectadores no clímax. É bom ver que o diretor retomou o prumo, esperamos que ele tenha aprendido a lição. Ambição e pretensão demais cegam e abalam qualquer talento. Sua arte é mais evidente em projetos assim, mais intimistas e autorais.

Cotação-4-5

A Visita (The Visit)

A Visita - poster nacional

Direção: M. Night Shyamalan

Roteiro: M. Night Shyamalan

Elenco: Olivia DeJonge, Ed Oxenbould, Kathryn Hahn, Benjamin Kanes, Brian Gildea, Deanna Dunagan, Erica Lynne Arden, John Buscemi, Jon Douglas Rainey, Michael Mariano, Michelle Rose Domb, Peter McRobbie, Richard Barlow, Sajida De Leon, Shelby Lackman, Ocean James, Samuel Stricklen, Steve Annan, Jorge Cordova, Celia Keenan-Bolger.

Gênero: Suspense/Terror

Duração: 94 minutos

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