A Colina Escarlate | Crítica

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Algumas coisas são melhores vistas do que contadas. Pelo menos no que se refere à obra recente do cineasta Guillermo del Toro, a afirmação é 100% correta. Foi assim com o segundo Hellboy e com a divertida aventura de monstros versus robôs gigantes Círculo do Fogo. Agora, a história se repete com A Colina Escarlate, uma narrativa clássica em seu cerne, bastante reconhecível e até, de certa forma, óbvia, mas à qual o diretor dá vida graças a suas habilidades visuais sem igual.

É claro que a estética sempre foi um ponto crucial para del Toro desde seus primeiros filmes. A diferença, entretanto, é que enquanto seus cenários, figurinos e monstros se tornaram cada vez mais ricos e complexos com o passar dos anos, suas tramas foram se simplificando praticamente na mesma medida.

A Colina Escarlate funciona como um romance gótico inglês em todos os aspectos, excetuando-se o fato de ter sido feito quase 200 anos depois de seu tempo. A base é a seguinte: a jovem escritora Edith Cushing (Mia Wasikowska) se apaixona por um misterioso estrangeiro, sir Thomas Sharpe (Tom Hiddleston), com quem se casa. Quando chegam à propriedade de Sharpe, na sombria colina escarlate, Edith começa a desconfiar do terrível passado do marido e das cruéis intenções de sua irmã, Lady Lucille (Jessica Chastain, simplesmente assustadora).

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Como em A Espinha do Diabo e O Labirinto do Fauno, os fantasmas que Edith vê não são ameaças verdadeiras, e sim o reflexo de um passado e presente de intenso sofrimento. No filme, no entanto, del Toro vai além e, dando uma piscadela bem-humorada para o público, coloca na boca de um dos personagens uma explicação perfeitamente didática sobre seus fantasmas, que são metáforas para os problemas mais íntimos da protagonista.

A fantástica mansão da colina, certamente um dos maiores sucessos visuais da carreira do diretor, é outra manifestação física dos sentimentos dos personagens. Incompleta, irregular na construção de seus cômodos e incrivelmente sombria, é ela que, na suntuosa decadência de seus quartos e na morbidez de seus rangidos e gemidos, dá a medida da mente despedaçada de seus ocupantes, sendo capaz de induzir qualquer recém-chegado à loucura.

Tudo isso é potencializado por uma fotografia atenta a todos os menores detalhes e que realça as cores fortes, em particular o vermelho, sempre presente como uma força narrativa impressionante. Além da trágica coloração do sangue, ele é a fumaça dos fantasmas que assolam a residência e o passado dos Sharpe, assim como a argila minerada de sob seus pés, engolfando aos poucos suas vidas em uma atmosfera de morte.

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As sensações de horror e asco, despertadas pelas imagens muito mais do que pelo roteiro ,são o que o filme tem de mais precioso e o que ajuda a diferenciá-lo de um cenário cinematográfico de terror cada vez mais equalizado e sem graça.

É bem verdade que os fantasmas de A Colina Escarlate não dão medo. E nem deveriam. São eles os únicos pontos de equilíbrio em um ambiente controlado pela ganância, pelo ódio e pela loucura. Que os personagens ainda sejam capazes de encontrar amor em meio a tudo isso é apenas uma pequena amostra de seu interior intensamente perturbado.

Na maior parte do tempo, os seres do além funcionam como conselheiros, procurando proteger a protagonista das ameaças de carne e osso. Isso porque nos terrores de del Toro o medo e o perigo  têm pouco de sobrenatural. Na verdade, eles são um privilégio e uma maldição sempre muito humana.

Cotação-4-5

A Colina Escarlate - poster nacionalA Colina Escarlate (Crimson Peak)

Direção: Guillermo del Toro

Roteiro: Guillermo del Toro e Matthew Robbins

Elenco: Tom Hiddleston, Jessica Chastain, Mia Wasikowska, Charlie Hunnam, Jim Beaver, Burn Gorman, Doug Jones, Emily Coutts, Gillian Ferrier, Javier Botet, Jim Watson, Kimberly-Sue Murray, Leslie Hope, Matia Jackett, Sofia Wells, Jonathan Hyde, Bruce Gray, Tamara Hope, Matia Jackett, Peter Spence.

Gênero: Drama/Romance/Terror

Duração: 119 minutos

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