A Pele de Vênus |Crítica

2014-05-04-venusinfur

O diretor Thomas Novacheck (Mathieu Amalric) adaptou A Pele de Vênus do escritor austríaco Leopold Von Sacher-Masoch (daqui surgiu o termo sadomasoquismo) e busca a atriz que viverá a sua heroína Vanda Von Dunayev em um teatro solitário em Paris. O horário de audição já terminou e ele já está indo embora para casa quando um furacão também chamado Vanda Jourdain (Emmanuelle Seigner) adentra o estabelecimento e implora por uma chance de mostrar seu talento. De início ele diz não, mas Vanda não desiste, ele acaba cedendo, e então começa um jogo de discussão de sexo e arte.

No começo Vanda demonstra ser total burrinha, confunde a adaptação com uma música do Lou Reed, diz não ter o texto de cor, faz mil comentários super fúteis, mas depois vai se mostrando que sabe muito mais que o diretor, o envolvendo no seu jogo de sedução tanto físico quanto intelectual. Ela decifra sua namorada em poucos segundos, deixando-o perplexo, assim como o fascina quando interpreta madame Von Dunavey. O jogo se inverte deliciosamente, prendendo nossa atenção a cada detalhe que aparece na tela.

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O roteiro é muito certinho, tudo é bem pragmático, mas com surpresas e o clímax na hora certa. Tudo muito pontual graças a mão boa do diretor Roman Polanski e do dramaturgo que ajudou na adaptação, David Ives. Com firmeza e sutileza ao mesmo tempo, Polanski deixa os atores à vontade, mas sem perderem o ritmo. Pois é uma peça dentro de um filme, e consegue com grande êxito a proeza de que tudo dê certo. O que é muito difícil quando se trata desse tipo de gênero. Polanski já havia tentando com O Deus da Carnificina, e assim como a outra adaptação, o grande trunfo são os diálogos fortes e certeiros.

A peça fala de sexo, arte e poder, mas muito mais de poder. As mulheres são consideradas de segunda classe e os homens estão no poder. A forma como Vanda entra em cena vestida com uma coleira de cachorro diz tudo: “nada é mais sensual que a dor”, “sua mulher ideal pode ser muito mais cruel do que você pode aguentar”-  responde Vanda. Então seus olhos dizem: “tente-me”.

VENUS IN FUR

Thomas é um diretor cujo sucesso subiu à cabeça, acha que sabe de tudo, e quando encontra Vanda tem uma bela surpresa, se de início ela não demonstrava nenhum conhecimento com a peça, ela logo começa a se misturar com a personagem, não só ela como ele também, e a peça dentro da peça vai se misturando.  Então as dúvidas sobre Vanda vão surgindo, De onde ela tirou que sabia aquilo? Como ela tinha todo o texto original? Esperta que só ela, vai enrolando e o vai fazendo entrar mais profundamente em seu jogo.

Emmanuelle Seigner está perfeita como Vanda, é como se o personagem tivesse sido escrito para ela. Trabalho de composição brilhante, voz e corpo alinhados a tudo que a personagem pede. Mathieu Amalric também brilha como o diretor, de início nervoso e chato, para um doce de candura no final. Uma bela adaptação com excelentes desempenhos.

Cotação-5-5

A Pele de Vênus (La Vènus à La Fourrure)

A Pele de Vênus - poster nacionalDireção: Roman Polanski

Roteiro: Roman Polanski e David Ives, baseado na peça de David Ives e no romance de Leopold von Sacher-Masoch

Elenco: Emmanuelle Seigner, Mathieu Amalric.

Gênero: Comédia/Drama

Duração: 96 minutos

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