Maze Runner: Prova de Fogo | Crítica

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No Dicionário Oxford, o termo distopia é definido como “um lugar ou condição imaginária em que tudo é o pior possível”. A criação de futuros distópicos foi, principalmente na literatura, uma maneira que autores encontraram ao longo dos anos para criticar abusos do poder ou evoluções científicas da própria época em que viviam. Por isso, a simples ideia de que futuros distópicos estariam sendo criados mensalmente em Hollywood para agradar a uma enxurrada de fãs adolescentes ávidos por aventura deveria parecer ridícula algumas décadas atrás.

O fato, entretanto, é que o sucesso avassalador de Jogos Vorazes nas prateleiras das livrarias tanto quanto nas telas de cinema deu início a uma avalanche de filmes com essa temática, criando uma espécie de subgênero recente que tem como representantes franquias como Divergente, O Doador de Memórias e este Maze Runner: Prova de Fogo.

A cartilha do “gênero” é simples: Em uma versão futura do mundo controlada por uma terrível organização/governo ditatorial, um(a) jovem diferente do(a)s outro(a)s desafia a ordem preestabelecida. Ajudado(a) por seus amigos, um(a) dele(a)s seu grande interesse amoroso, o(a) protagonista derrotará essa instituição maléfica comandada por um(a) ator/atriz famoso(a) e restabelecerá a paz e a democracia interrompidas.

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Enquanto Maze Runner – Correr ou Morrer conseguiu um certo destaque em 2014 pela aura de mistério que cercava o destino de seus personagens e, principalmente, devido à intrincada mecânica criada para o labirinto em que os jovens se encontravam presos, este segundo longa, é claro, ignora tudo isso. Na prática, o filme se esquece completamente do labirinto e tenta criar o panorama de um mundo devastado por uma epidemia letal.

Em relação à fórmula básica dos futuros distópicos adolescentes, este segundo filme só se difere pela inserção de um apocalipse zumbi na trama e pelo fato de que Ava (Patricia Clarkson), líder da organização CRUEL (sério, quem diabos daria esse nome para uma empresa que não quer ser considerada maléfica?), não é vivida exatamente por uma atriz famosa.

Para que a narrativa funcionasse em algum nível, porém, seria necessário que os personagens fossem menos unidimensionais do que são. Como o longa prefere investir na ação constante, fazendo com que os jovens pulem de um perigo para outro sem dar a eles nem um segundo de respiro, acaba sacrificando qualquer desenvolvimento possível. Quem mais sofre com isso é o protagonista Thomas (Dylan O’Brien), que se torna uma mistura de heroísmo puro com boas intenções e zero profundidade.

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De fato, as personalidades são tão rasas que é difícil se importar com o que acontece quando algum deles corre o risco de se tornar um zumbi sanguinário ou de ser recapturado pela CRUEL. A notável exceção é Brenda (Rosa Salazar), que ao menos ganha algo com o que trabalhar graças a um passado misterioso e obscuro. Por outro lado, o filme desperdiça o talento de bons atores, como Giancarlo Esposito e Lili Taylor, esta fazendo quase uma ponta.

O que fica mais claro a cada novo filme, no entanto, é que essa fórmula já está mais do que gasta. Até mesmo Jogos Vorazes, seu melhor representante recente, nasceu como uma versão muito menos desafiadora do livro japonês Battle Royale, que ao menos encontrava originalidade e um certo rompimento com o status quo na violência de sua premissa.

O fato de que essas distopias estão sendo vendidas como elementos ingênuos de puro entretenimento é algo que funciona como uma imensa contradição ao significado primordial desse conceito. Um fenômeno que autores como George Orwell e Aldous Huxley, criadores de dois dos futuros distópicos mais famosos da literatura em 1984 e Admirável Mundo Novo, possivelmente ficariam felizes em analisar se ainda estivessem por aqui.

Cotação-2-5Maze Runner: Prova de Fogo - poster nacionalMaze Runner: Prova de Fogo (Maze Runner: The Scorch Trials)

Direção: Wes Ball

Roteiro: T.S. Nowlin, baseado no livro de James Dashner

Elenco: Dylan O’Brien, Kaya Scodelario, Thomas Brodie-Sangster, Aidan Gillen, Barry Pepper, Giancarlo Esposito, Jacob Lofland, Katherine McNamara, Keith Jardine, Ki Hong Lee, Lili Taylor, Patricia Clarkson, Rosa Salazar, Tatanka Means, Dexter Darden, Alexander Flores, Terry Dale Parks.

Gênero: Ação/Aventura/Ficção

Duração: 131 minutos

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