Love | Crítica

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Em Love, Murphy (Karl Glusman) vive um cineasta em começo de carreira cujo sonho é, em suas próprias palavras, fazer um filme que retrate a sexualidade sentimental. Ele quer dirigir um longa “que tenha sangue, lágrimas e esperma”, afinal “o sexo é a essência da vida”. Murphy, é claro, funciona aqui como um espelho para as ambições do diretor Gaspar Noé, que em seu novo filme procura, por meio das cenas de conteúdo sexual, causar uma catarse que atinja de alguma forma o público.

No entanto, apesar de ter sido alardeado inicialmente pelas sequências quentes e explícitas, é possível dizer que o sexo em Love é até bem “careta” e repetitivo. Torna-se mesmo tedioso a partir de certo ponto. Quando o filme tenta fazer algo para apimentar a relação entre os protagonistas, apela para situações preconceituosas, até porque o próprio Murphy é um machista de carteirinha, aberto a novas experiências apenas enquanto ele mesmo se sente beneficiado.

Love, aliás, parece ter sido filmado em 3D unicamente para realçar uma certa cena, em que Murphy brande seu pênis em direção à câmera, ejaculando abundantemente e dando ao público a sensação (agradável ou desagradável, a depender de cada um) de que acaba de receber um jato de esperma na cara. É difícil entender exatamente qual sentimento Noé procura retratar aqui, a não ser o puro choque ou ultraje, ainda que o efeito seja no máximo morno.

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E este é precisamente o ponto do filme e de toda a cinematografia do diretor. Assim como Enter The Void e Irreversível, Love é um veículo para sua constante necessidade de chocar o espectador não através de uma premissa ou de uma direção inteligentes ou ainda de uma história surpreendente em algum aspecto, mas por meio de imagens gritantes inseridas de forma quase sempre gratuita na história.

Em Love, para garantir que não vamos nos esquecer de que o filme é de fato seu, o cineasta coloca em cena dois personagens, um de nome Gaspar e o outro Noé, fazendo questão que seus nomes sejam repetidos várias vezes para que o espectador não perca a referência. De fato, o forte do diretor nunca foi a sutileza.

Tudo isso não significa que a mensagem central do filme deixou de ser relevante. Até hoje Hollywood, e na verdade o cinema de todas as partes do mundo, trata o sexo como um acessório secundário de suas histórias, resolvido em sequências rápidas e estilizadas que geralmente terminam com os atores fumando um cigarro e escondendo suas partes íntimas por baixo de um lençol.

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Entretanto, um filme como Azul é a Cor Mais Quente (cuja narrativa tem vários pontos de contato com Love) trata a questão de forma muito mais fluida e interessante. No filme de Noé, o roteiro, que assumidamente não tem mais do que algumas páginas, é refém da necessidade de se mostrar mais e mais sexo. O resultado é um filme não apenas raso, mas também profundamente chato, que fica longe, bem longe da pretensão de representar os sentimentos de seus protagonistas um pelo outro através de seus encontros sexuais.

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Direção: Gaspar Noé

Roteiro: Gaspar Noé

Elenco: Aomi Muyock, Benoît Debie, Deborah Revy, Gaspar Noé, Isabelle Nicou, Juan Saavedra, Karl Glusman, Klara Kristin, Stella Rocha, Vincent Maraval, Xamira Zuloaga.

Gênero: Drama/Erótico/Romance

Duração: 134 minutos

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