Jimmy’s Hall | Crítica

jim_article_story_largeJimmy’s Hall marca a última jornada de Ken Loach no cinema. Depois de quase dez anos após ter ganho a Palma de Ouro por Ventos da Liberdade em Cannes, ele volta a Irlanda pós-guerra civil entre 1932-33 para contar a história verídica de Jimmy Gralton (Barry Ward), um irlandês deportado para Nova York sem julgamento em 33.

O filme começa com o retorno de Jimmy a Irlanda depois de dez anos de exilio nos Estados Unidos pelo mesmo motivo que o fez ser deportado, a intolerância religiosa e seu envolvimento com o socialismo, que no filme não fica muito claro se há mesmo. Tudo começa com a abertura do salão Pearse-Connolly Hal, onde se ensinava dança, literatura, pintura, boxe, canto, ou seja, tudo o que a igreja não queria que se realizasse fora de sua aba. Pronto, Jimmy, foi tachado de ateu pela santa Trindade e logo atraiu atenção de todos. Virou socialista de um dia para outro quando ajudou algumas pessoas que foram despejadas por seus patrões. Ganhou apoio dos sindicalistas, mas não do IRA, e foi odiado pelos fascistas e religiosos, que eram a maioria.

AN42481626Jimmys-Hall-pressQuando Jimmy voltou ele só queria ajudar sua mãe a cuidar da fazenda após a morte de seu irmão, não tinha a intenção de reabrir o salão. Foram os jovens do povoado sem estímulo cultural que o incitou, no fundo ele não sabia no que estava mexendo, no risco que corria e no que podia de novo acontecer. Sua paixão pela dança, por ensinar os jovens, pelo salão e por Oonagh (Simone Kirby) foi mais forte. Achou que os tempos haviam mudado, mas não foi bem assim. Jimmy era um homem letrado, sua mãe (Aileen Henry) quando pequeno o levava até as escolas numa carroça de livros para as crianças lerem e foi assim que ele aprendeu a ver o mundo.

A intolerância católica é o ponto mais forte no filme, deixando de lado o IRA e outros conflitos irlandeses. É na figura do padre Sheridan (Jim Norton) que temos o “diabo” encarnado, mas o engraçado é que ao mesmo tempo que ele odeia Jimmy ele também o admira e é nele que há um certo humor em suas falas certeiras no diálogo com o padre Seamus (Andrew Scott) que é seu oposto, e simpatiza com Jimmy, que é contra tudo o que a igreja está fazendo ao pobre homem. Reparem na diferença de idade, são duas gerações completamente diferentes. Uma mais nova e mais consciente da realidade de que vivemos, outra retrógrada e conservadora.

Jimmys_Hall_MASTER_STILLS_259__c__Sixteen_Films-0-2000-0-1125-cropJimmy é vivido de maneira carismática pelo ator Barry Ward, sua presença é forte tanto que quando não está em cena ficamos procurando por ele na tela. Jim Norton brilha como o padre incorrigível, ele dá um certo humor em suas falas, o que deixa muito mais leve, já que o clima da trama já é pesada e triste por si só. Mas a grande surpresa é a mãe de Jimmy, escolhida em um casting aberto  Aileen Henry traz toda graça e simpatia de uma mãe, sempre calma e terna, ela acolhe a todos com seu jeitinho.

O roteiro é do velho parceiro de Ken, Paul Laverty, que suavizou a história verdadeira de Jimmy e deixou mais leve do que em Ventos da Liberdade. Não sei dizer se isso seria melhor o pior, mas o roteiro é bom, mas não excelente, por conter furos de história, como por exemplo; Era Jimmy realmente socialista?

Cotação-4-5

Jimmy’s Hall (Jimmy’s Hall)

Jimmy's Hall - posterDireção: Ken Loach

Roteiro: Paul Laverty, baseado na peça de Donal O’Kelly

Elenco: Barry Ward, Francis Magee, Aileen Henry, Simone Kirby, Stella McGirl, Sorcha Fox, Martin Lucey, Mikel Murfi, Shane O’Brien, Denise Gough, Jim Norton, Aisling Franciosi, Seán T. Ó Meallaigh, Karl Geary, Brían F. O’Byrne, Conor McDermottroe, John Cronogue, Seamus Hughes, Andrew Scott, Michael Sheridan, Rebecca O’Mara, Diane Parkes, Padraig Fallon, Chris McManus, Donal O’Kelly, John O’Dowd, Anna Crossley, Róisín Judge, John McCarrick, Hugh Gallagher, Colm Gormley, John Colleary, Shane Cullen, Joe Lafferty, Tom Colsh, Sean Fox, Chelsea O’Connor.

Gênero: Drama

Duração: 109 minutos

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