Quarteto Fantástico | Crítica

quarteto_fantasticoÉ um fenômeno aparentemente inexplicável que o grupo de super-heróis formado por Sue (Kate Mara) e Johnny Storm (Michael B. Jordan), Reed Richards (Miles Teller) e Ben Grimm (Jamie Bell), que iniciou a era de maior rentabilidade e fama para a Marvel a partir da década de 1960, não consiga encontrar seu lugar no cinema, um meio que vem rendendo sobrevida especialmente lucrativa para o gênero.

Sem contar a tosca produção de 1994, feita apenas para que o estúdio garantisse os direitos cinematográficos do grupo de superpoderosos, os longas de 2005 e 2007 não foram lá muito bem recebidos pelos críticos, embora tenham conseguido uma bilheteria razoável. Desde então, acreditou-se que a franquia ficaria enterrada por um bom tempo, se não para sempre.

Mas a indústria cinematográfica é persistente. Acreditando que uma nova roupagem mais dark/realista chupada do Batman de Christopher Nolan, com um elenco de jovens atores talentosos e um enredo mais tecnológico seriam o suficiente para elevar o quarteto ao panteão do cinema de super-heróis, a Fox lançou recentemente esta versão repaginada do filme.

quarteto_fantastico2Chefiado pelo diretor Josh Trank (responsável pelo ótimo Poder Sem Limites, também sobre um grupo de amigos com poderes especiais), o longa deveria representar uma nova adição de prestígio ao universo cinematográfico que a produtora está lançando, que tem os mutantes de X-Men como foco central. É bem possível que, após a estreia do filme, toda a estratégia tenha que ser repensada.

Uma das muitas coisas que Quarteto Fantástico faz pior que os dois filmes anteriores, que já não eram muito bons, é não conseguir construir um relacionamento crível entre os quatro membros da equipe. De fato, nem Sue e Johnny, irmãos de criação, dividem alguma cena memorável. Sequer parecem ter alguma ligação especial ou mesmo qualquer tipo de rixa. Aliás, se não houvessem dito mais cedo que eram irmãos, seria tarefa difícil descobrir que os dois têm algum parentesco.

Apesar de o filme dedicar mais de uma hora aos personagens antes de receberem seus poderes, também não há uma construção de personalidade dos quatro protagonistas. Ao invés disso, ele gasta grande parte desse tempo com longas explicações detalhadas e descartáveis sobre a construção de uma máquina de teletransporte. A equipe toda só vai se conectar mesmo lá pelos últimos dez minutos do filme. De forma apressada e desconexa, como tudo que acontece no clímax.

quarteto_fantastico3Falando em clímax, é difícil entender o que aconteceu para embaralhar tanto o roteiro do longa. Certamente ele sofreu bastante com as brigas entre o estúdio e o diretor. Para que um filme de super-heróis deixe praticamente toda a sua ação concentrada nos últimos dez minutos, deve haver ao menos alguma proposta voltada ao lado humano dos personagens. O que vemos, no entanto, é uma enrolação sem fim que não parece ter nenhum grande propósito a não ser fazer o tempo passar lentamente.

O baixo nível de cuidado com detalhes da produção, por exemplo, fica bastante claro nas cenas regravadas pelo estúdio após a saída do diretor, que têm a atriz Kate Mara usando uma peruca loira particularmente horrenda. Os próprios efeitos especiais, geralmente um aspecto inatacável dos filmes recentes do gênero, são bastante malfeitos e até ridículos em determinadas sequências.

De qualquer modo, o fato é que um filme não pode ter parte de suas cenas limadas dessa forma para atender à visão dos produtores. Como Quarteto Fantástico prova, o resultado é uma colcha de retalhos da qual nada se aproveita. Além disso, tudo indica que o filme será um fracasso retumbante nas bilheterias.

quarteto_fantastico4Será que custaria tanto à Fox (reclamação que se estende também à Marvel) deixar que o cineasta tenha sua visão das coisas representada nas telas? Seria quase impossível que o filme ficasse pior do que o que chegou aos cinemas esta semana.

Cotação-1-5

Quarteto Fantástico - poster nacionalQuarteto Fantástico (Fantastic Four)

Direção: Josh Trank

Roteiro: Simon Kinberg, Jeremy Slater e Josh Trank, baseado nos personagens criados por Stan Lee e Jack Kirby

Elenco: Miles Teller, Michael B. Jordan, Kate Mara, Jamie Bell, Toby Kebbell, Reg E. Cathey, Tim Blake Nelson, Joshua Montes, Dan Castellaneta, Owen Judge, Kylen Davis, Evan Hannemann, Chet Hanks, Mary-Pat Green, Tim Heidecker, Mary Rachel Dudley, Wayne Pére, Rhonda Dents, Barney Lanning, Dennis Thomas IV, Abhi Trivedi, Benjamin Papac, Jim Gleason, Gabe Begneaud, Anna R. Parsons, Brian Stapf, Ben VanderMey, Elvin Presley, Brittney Alger, J.T. Rowland, Gretchen Koerner, Hunter Burke, Han Soto, Michael ‘Mick’ Harrity, Melissa McCurley, Jane Rumbaua, Anthony Reynolds, Spence Maughon, Lance E. Nichols, Deneen Tyler, Marco St. John, Shauna Rappold, Fernando Rivera, Juan Corrigan, Jaylen Moore, David Kency, Adam Fristoe, Dina Morrone, Don Yesso, Jackson Pyle, Jerome Andries, Michael D. Anglin, Sue-Lynn Ansari, Jonathan Antone, John L. Armijo, Jon Arthur, Tim Bell, Eric Berris, Nicolas Bosc, Jodi Lynn Brockton, Kesha Bullard, Robin Lee Canode, John Ceallach, David Michael Cefalu, Artrial Clark, Markeith Coleman, Kyle Crosby, Robert D’Arensbourg, Bennett Wayne Dean Sr., Doris Dean.

Gênero: Ação/Aventura/Ficção

Duração: 106 minutos

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