Samba | Crítica

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Samba, novo filme da dupla responsável pelo hit Intocáveis, Olivier Nakache e Eric Toledano, não fala nada da dança ou ritmo de música, mas sim de Samba Cissé (Omar Sy), um senegalês que vive ilegalmente na França há dez anos trabalhando em restaurantes lavando pratos, até que um dia é pego por uma batida e então tem um mandado de deportação vistado. Em sua vida entra Alice (Charlotte Gainsbourg), uma workaholic que trabalha na ONG por conta de um tratamento de transtorno de raiva e que se encanta por ele quando este vai pedir ajuda para conseguir um visto. Os dois se tornam amigos e a trama se desenrola.

Os diretores tentam se aprofundar na questão da imigração na França com exemplos tanto com cenas na ONG quanto na cadeia em que fica Samba, formada em sua maioria por africanos refugiados, porém, não obtém êxito com o humor que dão nas cenas. Eles usam o riso no assunto sério e isso acaba prejudicando a história, deixando escapar uma ótima oportunidade de explorar essa questão tão vigente e importante.
samba (1)O filme também acaba se perdendo logo pela metade quando o romance começa, (o que é obvio que iria acontecer, não é nenhum spoiler), mas falta química entre Omar Sy e Charlotte Gainsbourg. Se havia um ótimo entrosamento entre ele e François Cluzet em Intocáveis, aqui é o que mais deixa a desejar. Talvez a culpa seja o caminho que Charlote optou em levar sua personagem, a frieza. Por mais que ela logo se encante por Samba, parece que ela é um poço de gelo o tempo todo. Somente em uma cena de dança é que ela se solta, e depois que Samba a beija, mas mesmo assim ainda transparece isso. É o oposto do personagem masculino, Sampa é simpático e charmoso. Quando ela fala e ele escuta, a envolve com o olhar. É um vulcão. Mas aqui os opostos não caíram tão bem assim. Talvez seja a proposta dos próprios diretores manterem os personagens assim, vai saber. Não deu certo.

Como eu havia dito antes, o filme caminha para uma comédia leve, graças ao personagem de Tahar Rahim (Wilson), que se diz brasileiro para “pegar mais mulheres e arranjar melhores empregos”, mas na verdade é argelino. É raro ver esse ator fazer esse tipo de personagem, mas caiu como uma luva. Ele dançando é de chorar de rir. Há também Manu (Iza Higelin), que dá o primeiro aviso a Alice logo no começo do filme: não se envolva com eles. Pois bem, ela não resiste aos encantos do personagem de Tahar, “pois é sul americano e ela adora eles. ”

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Tirando a personagem de Charlotte, que eu acredito que não seja culpa da atriz, mas sim do roteiro, todos os atores estão muito bem. Mas o filme é de Samba, de Omar. Sem ele não teríamos esta histórias com a qualidade que tem. Ele conseguiu transpor todo sofrimento de um jovem que pode ter que voltar a viver na miséria de seu pais e sua luta em ficar se escondendo para poder sobreviver na França sem ser pego e ainda encontrar um amor. Omar conseguiu tudo isso com todo seu charme e simpatia.

Cotação-4-5

Samba (Samba, França)

Direção: Olivier Nakache, Eric Toledano

samba posterRoteiro: Olivier Nakache, Eric Toledano e Muriel Coulin

Elenco: Omar Sy, Charlotte Gainsbourg, Tahar Rahim, Izïa Higelin, Isaka Sawadogo, Hélène Vincent, Youngar Fall, Christiane Millet, Jacqueline Jehanneuf, Liya Kebede, Sabine Pakora, Clotilde Mollet, Boubacar Ndiaye, Oumar Makalou, Roukiata Ouedraogo, Jaleleddine Abidi, Sacha Petronijevic, Mohammed Guelt, Victor Loukianenko, Eduardo Sainz

Gênero: Comédia/Drama

Trailer: Clique Aqui

Duração: 118 minutos

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