Cidades de Papel | Crítica

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A adolescência, período da vida em que deixamos de ser crianças, mas ainda não nos tornamos adultos, aquela fase em que a gente se perde totalmente, para então se encontrar (plagiando o autor), em nosso círculo social e interiormente. Uma fase que geralmente vai dos treze aos dezenove anos (os números que terminam em “teen” em inglês), mas que hoje em dia tem ido até mais ou menos os trinta e cinco. Talvez essa juventude prolongada explique tamanho sucesso da literatura juvenil contemporânea. Ou você acha mesmo que só adolescentes compram os livros de John Green, Suzanne Collins, Stephanie Meyer e afins?

Outrossim, seja pela certeza de um público consumidor ou pelo poder do marketing (ou ambos), fato é que estes livros vendem muito, e claro, filmes baseados nestes livros, faturam mais ainda. Bom seria se toda essa literatura pop fosse de qualidade e os filmes, adaptações tão boas quanto. Porém, contudo, entretanto, todavia, as adaptações de romances adolescentes encetaram muito mal neste sentido, a começar pelos vampiros rutilantes da “saga” Crepúsculo.

PAPER TOWNS

É aí que John Green, autor de Cidades de Papel, se diferencia um pouco de seus colegas. Ao invés de mostrar adolescentes irreais em situações que pendem para o realismo fantástico como metáforas sobre o crescimento e seu papel no mundo (não só no caso dos Vampiros, mas nas histórias de aventuras, como em Jogos Vorazes e Divergente), ou jovens irreais em situações pseudo-realistas de forma a moldá-los numa visão conservadora fantasiada de romance ultra-açucarado como os personagens de Nicholas Sparks, ele escreve jovens “reais”, comuns, com desejos reais, talvez como forma de moldá-los também, já que jamais fogem do padrão estabelecido pela sociedade sobre “o que é certo”.

Ano passado, sua adaptação de A Culpa é das Estrelas, sobre adolescentes em fase terminal que se apaixonam, fez com que milhões de adolescentes e adultos no mundo todo chorassem. Já Cidades de Papel é sobre um garoto, Quentin (Nat Wolf, uma grande revelação), que desde pequeno é apaixonado por sua vizinha linda, Margo (Cara Delevingne, sedutora até vestindo moleton), mas ela desde cedo se mostra um espírito livre, e ele um menino que prefere o conforto da vidinha padrão. Assim eles se afastam, até que um dia ela aparece em sua janela para uma missão de vingança contra seu namorado e sua melhor amiga, que a traíam (mesmo ela sendo tão sensacional, tinha um namorado playboy babaca e uma amiga patricinha invejosa, vá entender), e Quentin tem a maior aventura de sua vida até então. No dia seguinte, ela desaparece, mas deixa pistas que Quentin segue para encontrá-la, com a ajuda de seus amigos.

Os amigos de Quentin são aqueles meninos que todo mundo conhece ou conheceu um dia, além das figuras indispensáveis nos filmes adolescentes norte-americanos, a garota popular, o nerd, o bully, etc. Todos os atores deste jovem elenco estão muito bem em seus papéis, imprimindo realismo que geram identificação imediata no público-alvo. Muito se deve à direção de Jake Schreier, que vem do cinema independente e dá um toque moderninho ao longa, com destaque para a trilha sonora, recheada de bandas indies e novos arranjos de “clássicos” pop. Lembra um pouco os filmes de John Hughes (Clube dos Cinco).

Esta adaptação talvez não faça tanto sucesso comercial quanto seu antecessor, já que é uma história bem mais pé no chão, mas aparentemente é um filme melhor, pois não força o choro dxs meninxs, apenas dá aquela sensação boa no final da sessão, típicas de road-movies de autoconhecimento. Destarte, não importa se você não quer sair pelo mundo sem rumo em busca de aventuras, mas apenas curtir seu baile de formatura e ir para a faculdade. Tudo vale a pena se alma não é pequena, já dizia o poeta.

Cotação-3-5

Cidades de papel (Paper Towns, EUA)

Direção: Jake Schreier

Roteiro: Scott Neustadter, Michael H. Weber

paper town posterElenco: Nat Wolff, Cara Delevingne, Halston Sage, Cara Buono, Caitlin Carver, Austin Abrams, Griffin Freeman, Justice Smith, Hannah Alligood, Meg Crosbie, Jaz Sinclair, Madeleine Murden, Kaitlyn Ervin, Josiah Cerio, Mehmet Korhan, Robert Crayton, RJ Shearer.

Gênero: Suspense

Trailer: Clique Aqui

Sinopse: Quentin e sua enigmática vizinha Margo passam uma noite de aventuras pela cidade, mas Margo desaparece, deixando para trás pistas para Quentin decifrar. A busca coloca Quentin e seus amigos em uma jornada eletrizante. Para encontrá-la, Quentin deve entender o verdadeiro significado de amizade e de amor.

Duração: 105 minutos

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