O Exterminador do Futuro: Gênesis | Crítica

O ano de 2015 com certeza ficará marcado no cinema como o ano dos revivals de grandes sucessos das últimas décadas do século XX. A começar por Mad Max, que deu muito certo, passando por Jurassic World, que, bem, foi. E vai terminar com Star Wars, que promete. E, claro, o objeto desta crítica, O Exterminador do Futuro: Gênesis, tentando provar à todo custo que Arnold Schwarzenegger, apesar de estar velho (67 anos), não está obsoleto.

Se Arnoldão continua firme e forte e cheio de carisma, não se pode dizer o mesmo deste 5º filme da franquia do Exterminador. Apesar de ser superior aos absolutamente esquecíveis A Rebelião das Máquinas (2003) e A Salvação (2009), que aliás foram solenemente ignorados nesta pseudo-sequência, não chega a ser empolgante e memorável como os dois filmes que fizeram a carreira do diretor James Cameron. O Exterminador do Futuro, de 1984, que lançou não apenas o diretor, mas também o ator, antes conhecido apenas como o Conan (ou o Mister Universo), é um marco do gênero ficção científica, que mistura elementos do cinema noir e do thriller policial. Já a sequência de 1991, O Julgamento Final, é um blockbuster de ação por excelência, e fecha o arco da história perfeitamente.

Terminator 1

Pois bem, o arco foi fechado, o dia do julgamento final havia sido e evitado, e por quê cargas d’água fizeram mais três filmes? A pergunta é apenas retórica, afinal todos sabemos o que move o mundo: $$$. Pelo menos neste Gênesis houve uma tentativa de recontar tudo sob uma nova perspectiva, com a linha do tempo sendo alterada mais uma vez. Uma nova dimensão, por assim dizer, e um vai e volta no tempo de 2029 a 1984 a 2017 (a nova data do apocalipse). Se já parece confuso para fãs, quem nunca assistiu aos clássicos não vai entender patavinas (estou vintage nas escolhas lexicais hoje, deve ser pelo efeito nostálgico do filme).

O Exterminador do Futuro: Gênesis começa do ponto em que John Connor (Jason Clarke), o grande líder da resistência humana, ao destruir a central das máquinas descobre que um ciborgue T-800 foi enviado ao passado, mais especificamente 12 de maio de 1984 para matar sua mãe, Sarah Connor (Emilia Clarke, mas sem nenhum parentesco com Jason) e assim impedir que ele nasça. Então ele manda um de seus soldados, Kyle Reese (Jai Courtney), para protegê-la, e isso sabendo que ele é/será, na verdade, seu pai. Mas ao chegar, ao invés de encontrar a frágil garçonete como a do longa original, ele já encontra uma Sarah Connor fodona, consciente de seu futuro, super bem treinada por um T-800 que foi enviado para protegê-la quando ela tinha nove anos. Quem o enviou? Não importa. O que importa é que temos uma explicação “plausível” para um androide velho, já que ele a acompanha há anos e seu tecido humano portanto, envelheceu.

O mais interessante deste longa é a relação meio pai e filha entre Sarah e ele, a quem chama carinhosamente de papis. Outro fator que ganharia destaque seria a reviravolta em torno de John Connor, mas como o marketing do filme tratou de entregar nos trailers e posters, o impacto se perdeu. No mais, é um amontoado de sequências de ação confusas e nada inovativas (o diretor Alan Taylor tem que voltar para a TV), se no século passado ainda faziam mágica com efeitos visuais mecânicos, aqui o CGI rola solto. O grande mérito está na versão jovem de Schwarza, vemos até os poros de sua pele, é impressionante. No mais, é tudo muito mais pudico, nada de sangue ou de bundinhas.

Terminator 3

O elenco está todo muito bem, Emilia Clarke, de Game of Thrones, conseguiu cumprir com competência o difícil papel que foi imortalizado por Linda Hamilton, ela, com sua cara de menina, tão mignon, acabou tornando-se uma mistura das interpretações de Sarah Connor dos dois filmes originais. Jai Courtney, que interpreta Kyle Reese, já está bem mais brutamontes que o de 1984, mas o ator é competente como herói de ação, tem futuro. Há também uma participação do ganhador do Oscar deste ano, J.K. Simmons, completamente sub-aproveitado, uma pena. Já Jason Clarke é um ótimo ator e conseguiu transmitir todas as nuances de seu personagem, mesmo que por vezes o roteiro não ajudasse.

É bom rever Arnold Schwarzenegger num de seus papéis clássicos, que virou um grande astro devido a seu enorme carisma, algo que falta nos heróis de ação de hoje em dia. Mas o que falta para esta franquia voltar aos tempos áureos é uma coisa: James Cameron, ele e seu talento autoral para criar grandes obras de entretenimento. Mas para isso, talvez só voltando no tempo.

Cotação-2-5

O Exterminador do Futuro: Gênesis (Terminator Genisys)

O Exterminador do Futuro: Gênesis - poster nacionalDireção: Alan Taylor

Roteiro: Laeta Kalogridis e Patrick Lussier, baseado nos personagens criados por James Cameron e Gale Anne Hurd

Elenco: Arnold Schwarzenegger, Jason Clarke, Emilia Clarke, Jai Courtney, J.K. Simmons, Dayo Okeniyi, Matt Smith, Courtney B. Vance, Byung-hun Lee, Michael Gladis, Sandrine Holt, Wayne Bastrup, Gregory Alan Williams, Otto Sanchez, Matty Ferraro, Griff Furst, Ian Etheridge, Nolan Gross, Seth Meriwether, Afemo Omilami, Teri Wyble, Kerry Cahill, Mark Adam, Kerry O’Malley, Willa Taylor, James Moses Black, Terry Dale Parks, Anthony Michael Frederick, Brandon Stacy, Brett Azar, Douglas M. Griffin, Thomas Francis Murphy, Joshua Mikel, John Edward Lee, Luke Sexton, Aaron V. Williamson, Tony Donno, Ernest Wells, Larry E. Lundy Jr., Ross P. Cook, Christopher Heskey, Moses Munoz, Lisa McRee, Seth Carr, Bryant Prince, Robert Patrick, Douglas Smith, Christion Troxell, Natalie Stephany Aguilar, Andre Allemand, Jerome Andries, Michael D. Anglin, John L. Armijo, Ari Atken, Mikiah Aubert, Charles Barber, Terri Battee, Sean Beck, Gregory Scott Bedford, Jennifer Bender.

Gênero: Ação/Aventura/Ficção

Duração: 126 minutos

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