Orange Is The New Black – 3ª Temporada | Review

A primeira temporada de “Orange Is The New Black”, lançada em 2013 foi quase que exclusivamente dedicada a contar a história da mudança de vida de Piper Chapman que levava uma vida de classe média alta e foi condenada à prisão por um crime cometido quando era jovem. É claro que, no meio disso tudo, conhecemos algumas das detentas com as quais Piper teria que conviver e que algumas vezes possuíam histórias tão ou mais interessantes que a da protagonista.

oitnb-season3Já em 2015, no seu terceiro ano, a série resolveu assumir de vez que, embora Piper Chapman ainda receba o título de protagonista da série, esse é apenas um título de fachada, já que a atenção aqui é dividida de maneira substancial entre vários personagens. Não há um esforço em fazer com que o público tome o ponto de vista de apenas um personagem, e essa liberdade resulta numa temporada mais honesta e, surpreendentemente, mais emotiva. Apesar disso, os treze episódios mantiveram o mesmo nível, nada muito demais, mas também longe de ser algo ruim.

O destaque fica mesmo em detalhes que retratam o dia a dia do complexo penitenciário. Basta notar em como a comemoração do dia das mães envolve todos da penitenciária feminina de Litchfield, e em como a série não foca o episódio em apenas um personagem, mas se preocupa em dar um pouquinho de espaço para cada um com um flashback rápido que seja. E embora a maioria das lembranças sejam positivas, o choque com a realidade logo é visto quando as detentas precisam se deitar no chão por causa de um sinal de alerta e as crianças presentes na festa não entendem o que aquilo representa.

Com a redução de acontecimentos malucos dentro da prisão, a terceira temporada ainda dedica mais tempo a explorar a rotina das detentas com situações não tão cotidianas, mas perfeitamente plausíveis, como a infestação de percevejos (que resulta na queima de colchões e livros) e ainda uma seleção para um novo emprego misterioso que atrai muita gente pelo cobiçado salário de $1,00 a hora. Só esses pequenos plots já mostram que a série não tá muito preocupada em focar no romance Alex/Piper todo episódio – e nem deveria – tanto que o problema criado no fim da segunda temporada, que resulta na volta de Alex pra Litchfield é rapidamente desenvolvido e resolvido sem muito prejuízo pro andamento das histórias.

oitnb-season3-booA história principal desse terceiro arco envolveu o processo de privatização do complexo penitenciário que estava prestes a ser fechado pelo governo federal. Assim, boa parte dos acontecimentos da série envolveram os treinamentos dos novos guardas, a relação destes com as detentas, as reações de Caputo aos cortes de verba que a empresa privada implementava e por aí vai. Apesar de ser uma solução que a série se via obriga a mostrar, ela soube tratar bem do tema, no fim das contas o que importa é o lucro. E daí se estamos fazendo com que as detentas comam uma gororoba nojenta se isso significa economizar grana? Por que eu devo gastar dinheiro comprando livros para uma biblioteca? E ainda, como eu irei lucrar gastando dinheiro treinando uma presidiária para que ela possa conseguir uma carreira quando sair da prisão?

Como alívio cômico a série continua se apoiando em alguns personagens específicos que cumprem bem a função, a principal delas é claro Suzanne Warren, a Crazy Eyes, que dessa vez é responsável pelo livro “Crônicas das Trepadas Temporais”, que dá vazão à toda loucura e imaginação sexual que se passa dentro da cabeça da garota e que faz bastante sucesso entre as detentas. Em nenhum momento, porém, isso deixa a personagem caricata, e o trabalho de Uzo Aduba deixa claro o porquê de seu Emmy. Outra fórmula que a série repetiu para a comédia foram as diversas citações a ícones do cultura pop, desde “Harry Potter” e “Breaking Bad” a “I Love Lucy”, passando pelos Oompa Loompas de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”.

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Fica o recado

Sobre os personagens, é bom ver que a série deu destaque a alguns que já mereciam há algum tempo, como a relação turbulenta de Big Boo e sua mãe, os flashback de Bennett, Leanne, Flaca, Aleida, Norma e da hilária Chang, até o Sr. Caputo entrou na lista. Pensando por esse lado, a série demonstra uma força pra continuar por anos e anos, primeiro por não depender de uma trama principal a cada temporada e segundo por ter fácil rotação de personagens. Apesar disso, ainda conhecemos novas facetas de personagens já trabalhados nas temporadas anteriores, como Nicky e Pennsatucky.

Assim, não surpreende quando a série peca bastante quando tenta dar foco à “protagonista”. Piper sempre foi uma personagem fraca na série, e não fosse o contraste de sua vida anterior com a vida da prisão (sendo ela nossos olhos em Litchfield), ela não teria muito o que mostrar. Tanto que toda a parte do novo romance que ela arruma na cadeia se mostra como uma tentativa inútil dos roteiristas de ainda dar atenção pra personagem. Igualmente nonsense é o mercado clandestino de calcinhas usadas que ela monta, porém, apesar da história funcionar no começo, ela se arrasta tempo demais, e sem a devida atenção acaba se tornando entediante, só servindo para moldar uma “nova Piper badass” que deve surgir no ano seguinte.

Pra quem gostou das músicas que tocam no episódio, separei algumas relacionando com o momento em que elas aparecem em cena.

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