Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros | Crítica

Jurassic 5

Jurassic World é uma ode à estupidez humana. Tá, desculpem-me, isso é um eufemismo, o filme nem se mostra com sutileza, escancara para qualquer criança perceber que mesmo após acontecimentos trágicos, a ganância e o “espírito” de guerra se sobrepõem ao bom senso.

Em 1993, Steven Spielberg deixou todo mundo boquiaberto ao utilizar pela primeira vez no cinema uma tecnologia que “deu vida” a seres extintos há milhões de anos. Jurassic Park estabeleceu um novo patamar ao cinema de entretenimento. E o longa mostrava que brincar com a evolução das espécies era ir contra toda a evolução natural do planeta e causava danos violentos. Jurassic Park divertia, mas também causava calafrios na espinha. Mais de vinte anos se passaram, na vida real e na ficção, e depois de três filmes mostrando que o convívio entre dinos e humanos não é uma boa ideia, que a natureza deve evoluir naturalmente – livre – o que Jurassic World nos mostra?

Que as pessoas não aprenderam absolutamente nada com os eventos catastróficos dos filmes anteriores e continuam querendo usar e abusar dos animais para entreter e lucrar. Ver crianças montando em triceratops é tão chocante quanto ver pterodontes atacando o público do parque.

Jurassic 3

Resta a dúvida se o objetivo era mesmo fazer uma crítica a essa cultura de parques temáticos que usam animais, ou se foi falta de criatividade e apenas deram uma maquiada na trama do filme original, afinal, temos as crianças perdidas no parque que tem ligação familiar com uma alta executiva do lugar (Bryce Dallas Howard), o dono idealista do parque (o indiano Irrfan Khan), o militar inescrupuloso (Vincent D’Onofrio), e o especialista em dinossauros badass (Chris Pratt). Tirando o fator nostálgico das homenagens, que é sempre bacana, é tudo quase o mesmo, quase o mesmo parque, quase os mesmos dinossauros, quase a mesma trama.

Quase mesmo, passa bem perto, se não fosse por um detalhe: como diz a personagem de Bryce Dallas Howard, Claire, dinossauros causavam “Uau” há vinte anos, agora não mais, é preciso de algo diferente, maior, com mais dentes, mais cool. E eis que surge Indominus Rex, um dinossauro híbrido, que claro, dá m*. O bonitão Owen (Chris Pratt tentando parecer Harrison Ford) então é chamado, já que ele é, como o próprio se define e como tentam  mostrar durante todo o longa, o macho alfa, um treinador de velociraptors que se tornou uma espécie de líder do bando.

Aliás, é curiosa essa definição que dão ao personagem, que é idolatrado pelas crianças desde que o conhecem, curiosamente no momento em que justamente a tia Claire o salva, mas ninguém dá a mínima para seus atos de bravura, afinal, ela é apenas uma mulher. Ela, aliás, é a única que fica suada, descabelada, suja e esfarrapada ao longo da história, todos os outros personagens passam pelas mesmas situações mas só ela vai se desfazendo, um contraponto à sua imagem branca e impecável do começo, quando se mostra uma criatura intragável, afinal ela é a protagonista que passa por uma jornada de transformação ao longo do filme. No fim das contas é sempre Claire quem tem as melhores ideias e a atitudes mais corajosas. E tudo isso sem tirar o salto alto.

Jurassic 4

Jurassic World é um filme-pipoca por excelência, tem ação, comédia, drama, um pouquinho de romance e efeitos visuais incríveis, mas quem quiser pensar um pouquinho percebe facilmente a crítica a “cultura” norte-americana ultra-capitalista em querer lucrar com tudo, inclusive financiando armas e promovendo o caos, criando inimigos para provocar guerras e então fazer as pessoas acreditarem que só eles podem salvar a humanidade. Esta é a crítica que Steven Spielberg fez em seu filme original, que ele usa aliás quase sempre em seus filmes, e deixou seu diretor contratado a dedo, Colin Trevorrow, utilizar de novo.

O resultado final é agridoce: apesar de satisfazer o público com mortes espetaculares (vale ressaltar que sentimos mais pelos dinos do que pelas pessoas), fica aquela sensação de que a humanidade ainda tem muito o que aprender a se relacionar com a natureza, mas isso vem sendo esquecido de forma cada vez mais rápida ao longo da história.

Evolução? Acho que não.

Cotação-3-5

Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (Jurassic World)

Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros - poster nacionalDireção: Colin Trevorrow

Roteiro: Rick Jaffa, Amanda Silver, Colin Trevorrow e Derek Connolly, baseado em história de Rick Jaffa e Amanda Silver e nos personagens criados por Michael Crichton

Elenco: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Irrfan Khan, Vincent D’Onofrio, Ty Simpkins, Nick Robinson, Jake Johnson, Omar Sy, BD Wong, Judy Greer, Lauren Lapkus, Brian Tee, Katie McGrath, Andy Buckley, Eric Edelstein, Courtney James Clark, Colby Boothman-Shepard, Jimmy Fallon, James DuMont, Matthew Burke, Anna Talakkottur, Matty Cardarople, Michael Papajohn, William Gary Smith, Kelly Washington, Isaac Keys, Patrick Crowley, Chad Randall, Gary Weeks, Bill Ogilvie, Allan Tam, Yvonne Angulo, Chloe Perrin, Timothy Eulich, Kevin Foster, Bonnie Wild, Brad Bird, Colin Trevorrow, Derek Jones, Susan Mathewson, Rachel Acuna, Jerome Andries, Michael D. Anglin, John L. Armijo, Attila, Fileena Bahris, Nazeema Bartek, John R. Bennett II, Lukas Bennett, Hayley Blackall, Matthew Blackmon, Chase McCleery Bouchie, Meredith Brumwell, Tom Bui, Kina Dach’e Bullock, Kyla Burke, Svitlana Campbell, Hélène Cardona, Ron Centanni, Heather Ashley Chase.

Gênero: Ação/Aventura/Ficção

Duração: 124 minutos

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