A Espiã Que Sabia De Menos | Crítica

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Eu nunca entendi o apelo de Melissa McCarthy. Sua personagem em Missão Madrinha de Casamento é engraçada, mas não acho digno de Oscar (pra quem não sabe, ela foi indicada), e sua personagem na série Mike & Molly, apesar de ser completamente diferente, também não é grande coisa (a série é bem chatinha). Mas desde Madrinhas, ela aparece em destaque num filme após o outro, todos iguais na ruindade e na persona “gorda escrota” que incorpora. Por isso, nem dei bola quando vi o primeiro cartaz de A Espiã que Sabia de Menos (ô titulozinho sem vergonha!) nos cinemas.

Mas me enganei. Redondamente, com o perdão do trocadilho. Melissa brilha no papel da agente da CIA que na verdade sabe tudo, mas é subestimada por todos por conta de sua aparência e falta de auto-confiança. Não é para menos, num mundo machista e em que se valoriza a aparência, o máximo que sua agente Susan Cooper consegue é ser tratada com condescendência por seu parceiro Bradley Fine (Jude Law fazendo um tipo James Bond), por quem, é claro, nutre uma paixão. Precisava deste clichê mesmo?

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Enfim, A Espiã Que Sabia de Menos é sobre uma agente da CIA que, apesar de ter sido a melhor de sua turma no treinamento, foi subjugada a apoio ao agente em campo. Ela trabalha num porão da CIA junto a ratos e morcegos (que rendem piadas idiotas porém hilárias) e ajuda o agente Fine dizendo pra onde ele deve ir e o que deve fazer através de seu fone de ouvido. Certo dia, porém, todos os agentes são descobertos e estão na mira de uma negociante do mercado negro (Rose Byrne, ótima), prestes a vender uma ogiva nuclear à pessoa errada. E daí que Susan Cooper entra em ação. Não num modo glamouroso como seus parceiros, mas com os piores disfarces possíveis, como uma mãe solteira de quatro filhos, vendedora da Mary Kay de um estado caipira qualquer dos EUA , ou uma solteirona fanática por gatos. Sempre com uma peruca ridícula.

O filme poderia seguir pelo caminho fácil e ser uma ridicularização da mulher acima do peso e ser um sucesso mesmo assim. Mas vai na contramão, tanto que o título em português não poderia ser mais equivocado. Susan Cooper sabe muito bem como se virar, se defender e atacar, é muito melhor que seus parceiros homens, e ao longo do filme vai se empoderando, mesmo ouvindo cantadas e ironias machistas o tempo todo. Melissa McCarthy, além do perfeito timing pra comédia, ainda dá vulnerabilidade e realismo à sua personagem, mesmo nas situações mais inverossímeis – “Eu sou muito fodona!” – diz num momento, para deleite da plateia que não tem como não torcer por ela.

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A Espiã subverte e ironiza todos os clichês dos filmes de agentes secretos, de Missão Impossível a 007, e é extremamente eficiente como um filme de ação, com ótimas cenas coreografadas. E não economiza no sangue, contém cenas bem violentas que causam as melhores risadas devido ao humor negro. E além do brilho de McCarthy, é preciso dar crédito também ao restante do elenco, além dos supracitados Jude Law e Rose Byrne, tem também a sempre boa Allison Janey como a chefe de Susan, pra mostrar que mulheres podem e devem. Miranda Hart, como a adorável parceira de trabalho e amiga de Susan, Nancy, e a grande revelação da comédia, Jason Statham, que continua com a cara amarrada de sempre, mas tem um monólogo hilário desconstruindo todos os clichês possíveis e imagináveis dos heróis de ação.

O diretor e roteirista Paul Feig acertou em Madrinhas e desta vez acertou novamente, claro que não é perfeito, mas agora estou até ansiosa por seu Caça-Fantasmas feminino. E Melissa McCarthy, bem, devo dar o braço a torcer, ela é boa mesmo.

Cotação-4-5

 

A Espiã Que Sabia de Menos (Spy)

A Espiã Que Sabia de Menos - poster nacionalDireção: Paul Feig

Roteiro: Paul Feig

Elenco: Jude Law, Raad Rawi, Melissa McCarthy, Jessica Chaffin, Miranda Hart, Sam Richardson, Katie Dippold, Jaime Pacheco, Romain Apelbaum, Rose Byrne, Richard Brake, Steve Bannos, Morena Baccarin, Jason Statham, Carlos Ponce, Will Yun Lee, Bobby Cannavale, Michael McDonald, Adam Ray, Lukács Bicskey, Attoa Bardoczy, Julian Miller, Ed Kear, Nargis Fakhri, Andrey Danilko, Attila Árpa, Bálint Adorjáni, Peter Serafinowicz, Jamie Denbo, Alessandro de Marco, Pere Linka, Zach Woods, Luca Fiorilli, Sergej Onopko, Yurj Buzzi, Dimitri Andreas, Mitch Silpa, Matt Devere, Peter Farkas, Björn Gustafsson, Ben Falcone, Iván Kamarás, Greta Csizmadia, Klaudia Halasi, Curtis “50 Cent” Jackson, Takács Zalán, Dénes Bernáth, Zsolt Zágoni, Levente Törköly, Máté Endrédi, Allison Janney, Bari Suzuki, Alicia Vela-Bailey.

Gênero: Ação/Comédia

Duração: 120 minutos

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