Game of Thrones S05E07 – The Gift | Review

goT AemonNeste sétimo episódio a quinta temporada de Game of Thrones claramente engata para o seu final. Uma temporada, já podemos dizer, bastante controversa, que consagrou o conceito paradoxal de “mudança fiel” aos livros. Isto é, trocam-se os agentes, mantêm-se as situações. Entre simplificar plots e cortar gorduras, pode-se dizer que o processo de adaptação da série este ano tem sido relativamente satisfatório na medida do possível, embora os fãs mais radicais da saga de George R R Martin obviamente torçam o nariz e a mão dos produtores tenham pesado um tanto aqui e ali, como na desnecessária polêmica envolvendo Sansa na semana passada.

Colocando o poder de praticamente todos os personagens em situação de comando em cheque (a fragilidade do poder político parece ser um tema central deste ano na série), este The Gift começa com Jon Snow partindo na sua controversa missão para conseguir o apoio do povo selvagem na luta contra os temíveis White Walkers. Colocando Alliser Thorne como atual comandante da Patrulha da Noite, Jon se coloca numa situação delicada demais, dando força aos seus inimigos e dissolvendo a própria. A subsequente (e melancólica) morte de Aemon apenas potencializou mais isso, e é na figura de Sam e Gilly que o episódio deixa claro sua mensagem: a Muralha já não é mais um lugar seguro para os amigos de Jon.

5562a34d1aaec7043ea52154_game-of-thrones-sexual-assault-sand-snakesEm Winterfell, a série segue pisando em ovos e tentando fazer o que pode para ao mesmo tempo não deixar Sansa perder a força construída para a personagem desde o ano passado, mas também continuar estabelecendo Ramsay como o sádico que é. Assim, vemos a menina tentar esboçar alguma reação tentando instigar em Theon alguma força de vontade, mas logo sendo colocada no seu lugar de sempre de donzela em perigo. Se o desnecessário estupro na semana passada já não foi suficiente para deixar todo o trabalho de ascensão que vinha sendo feito ir pelo ralo, este episódio certamente foi a pá de cal para os fãs da personagem. Ao menos a temporada tem feito um bom trabalho com Stannis, que aqui mostra determinação de sempre seguir em frente mesmo na maior das dificuldades, ainda que a perturbadora sugestão de Melisandre seja novamente uma desnecessária alteração na personagem.

Mas nenhum arco desta temporada está sendo tão problemático quanto Dorne. Decepção incontestável deste ano, a narrativa ali capenga e se arrasta, transformando o interessante país dos livros apenas em palco para romances clichês, vinganças rasas e ritmo narrativo altamente irregular. Também pudera, quando este núcleo não gasta seus mínimos minutos com uma sequência de luta broxante a la trapalhões como foi semana passada ele se mostra apenas uma desculpa para cumprir a cota de nudez gratuita da semana, como foi aqui. O que dizer das Serpentes da Areia, desenvolvidas com a profundidade de um pires? Exatamente tudo o que tem a ser dito sobre elas: um grande nada.556292101aaec7043ea51f9a_GOT507_091014_HS__DSC1328[1]Vindo para salvar o dia, em Meereen, o emblemático e esperadíssimo encontro entre Tyrion e Daenerys deixa acertadamente um gosto de quero mais na boca do espectador. Não é à toa que vem daí o nome do episódio: o anão seria o presente de Jorah para sua rainha. O mais interessante é que é impossível mesmo para os leitores dos livros anteciparem o que esperar disto, já que este encontro não ocorreu lá. Será que a Mãe dos Dragões aceitará o Lannister como seu conselheiro? A primeira vista parece pouco provável, já que foi seu irmão quem matou seu pai e foi a traição da sua família que possibilitou a queda definitiva dos Targaryen.

Mas o melhor do episódio mesmo vem no final, em Porto Real, onde a artimanha da rainha-mãe para encurralar os Tyrells se volta contra ela própria através do fanatismo religioso do Alto Pardal. Se mostrando perigosíssimo justamente por ser extremamente fiel ao seu ideal e portanto, ao menos à primeira vista, incorruptível, o líder religioso dá um verdadeiro xeque-mate naquela que cometeu a tolice de lhe conferir poder, e assume definitivamente o comando político da capital. É isso. Refém da própria fraqueza, Tommen Baratheon não é mais rei de fato, a cidade está nas mãos dos pardais.

E Cersei, que tinha acabado de fazer troça de sua rival, acabou na mesma que ela.

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