Poltergeist: O Fenômeno | Crítica

poltergeist4É comumente aceito como regra que um filme de terror, acima de quaisquer qualidades artísticas ou cinematográficas, deve fazer bem ao menos uma coisa: causar medo em seus espectadores. Não é uma ideia errada, já que o gênero leva essa meta até mesmo no nome, mas acabou se tornando uma limitação que levou os filmes de horror ao estado de exaustão em que se encontram hoje em dia, quando a obsessão por causar sustos (quase sempre previsíveis, aliás) esquematizou tanto as produções que é raríssimo encontrar alguma que seja minimamente memorável.

Por essa e algumas outras razões, é muito bem-vindo o lançamento de Poltergeist: O Fenômeno, que, embora remake, assume a tarefa de atualizar um longa clássico do gênero que já à época ficou conhecido por introduzir humor e fantasia a sua história macabra. O grande problema é que, ao contrário do longa original, o novo filme investe tanto em piadas alheias à trama principal e em construir uma aventura fantasiosa convincente (o que também não funciona) que acaba se tornando difícil levar a sério todos aqueles acontecimentos supostamente aterrorizantes. Afinal, se os próprios personagens não parecem estar ligando muito para o que acontece a eles, por que o público deveria?

poltergeist2A narrativa em si não difere muito da original. A família de Eric (Sam Rockwell) se muda para uma casa menor depois que ele perde o emprego em um cargo alto dentro de uma grande empresa. A residência, é claro, se torna o foco de eventos sobrenaturais cada vez mais estranhos, que acabam levando a uma tragédia quando a caçula da família, a pequena Maddie (Kennedi Clements), é levada para uma realidade paralela pelas entidades que assombram o lugar.

Praticamente todo o elenco está bem e a direção de Gil Kenan procura dar um ar diferente ao filme, gravando sequências mais longas e visualmente marcantes, com uma fotografia colorida que contrasta com os tons sombrios geralmente utilizados no gênero. O filme em si, porém, nada acrescenta à história e se mostra muito menos interessante em sequências icônicas como a da jovem presa na TV ou da árvore capturando Griffin (Kyle Catlett), o filho da família.

XXX _GRD01.086401L.JPG D ENTPara funcionar como um filme de aventura convincente, seria necessário dar alguns passos a mais no território do horror. Ao invés disso, o que temos é um CGI extremamente fraco e que transforma os espíritos em meras massas disformes que dificilmente metem medo em alguém. O filme ainda se aproveita mal da figura imponente de Jared Harris como caça-fantasmas, utilizando-o como pretexto para mais piadas e tirando qualquer seriedade que o personagem poderia e deveria ter.

Um filme de terror descompromissado tinha potencial de ser uma ótima lufada de ar fresco para o cinema no momento, mas Poltergeist: O Fenômeno passou longe de acertar o tom. O diretor, responsável também pela boa animação A Casa Monstro, poderia ter se aproveitado da experiência anterior, quando soube dosar muito melhor aspectos como o medo na infância e a leveza trazida pelas crianças, dando profundidade emocional suficiente para envolver o público na trama. Já o novo Poltergeist empalidece se comparado à versão de Tobe Hooper e Steven Spielberg, hoje considerada um clássico, mesmo com os efeitos especiais datados e a trama hoje batida.

Cotação-2-5Poltergeist: O Fenômeno - poster nacionalPoltergeist: O Fenômeno (Poltergeist)

Direção: Gil Kenan

Roteiro: David Lindsay-Abaire, baseado em história de Steven Spielberg

Elenco: Sam Rockwell, Rosemarie DeWitt, Saxon Sharbino, Kyle Catlett, Kennedi Clements, Jared Harris, Jane Adams, Susan Heyward, Nicholas Braun, Karen Ivany, Patrick Garrow, Doug MacLeod, Eve Crawford, L.A. Lopes, Soma Bhatia, John Stoneham Jr., Kathryn Greenwood, Molly Kidder.

Gênero: Terror

Duração: 93 minutos

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