Astronauta: Singularidade | Review

A série de HQs que revisita clássicos da criação de Maurício de Sousa em forma de Graphic Novels se mostrou como uma grande proposta e um sopro de esperança para o mercado nacional de quadrinhos. O primeiro volume lançado ainda em 2012, “Astronauta – Magnetar”, fez tanto sucesso que atravessou o oceano e foi publicado em quatro países na Europa: Alemanha (Der Astronaut), Espanha (Astronauta – Magnetar), França (Astronaute – Au Coeur Du Magnétar) e Itália (L’Astronauta – Magnetar).

Astronauta-Singularidade-octaedroO sucesso garantiu ainda uma sequência para a obra, que recebeu o título de Singularidade e foi lançada no fim de 2014 novamente pela Panini Comics. O título dá uma sequência direta aos acontecimentos vividos por Astronauta na obra anterior, também escrita por Danilo Beyruth. Pra quem não lembra, após um problema com sua nave, Astronauta ficou à deriva no espaço por cerca de 5 meses, o que pode ter afetado o seu desempenho como funcionário da BRASA – Brasileiros Astronautas.

Ainda assim, por ser o único qualificado, Astro é enviado em uma missão científica para estudar um buraco negro. Acostumado a fazer suas missões solo, desse vez ele terá que dividir a nave com uma psicóloga e mais um tripulante estrangeiro de uma nação que nunca é especificada pelo autor. O início da história dá um fator de emergência que existe de fato, e usa algumas desculpas razoavelmente aceitáveis para dar companhia a Astro em sua nova missão.

E se em Magnetar tivemos um aprofundado estudo e decomposição do personagem principal, aqui temos pouco tempo para isso, e talvez por essa razão os estereótipos sejam usados já desde o início: a jovem doce doutora funcionará como um interesse amoroso e o tripulante estrangeiro já é apresentado como alguém suspeito, o que acaba por impedir qualquer tipo de surpresa no decorrer da trama, e torna toda a história bem previsível.

Astronauta-Singularidade-2Assim, não surpreende que em determinado momento temos uma donzela em perigo a ser salva pelo herói, um vilão estrangeiro com o plano ganancioso e um desfecho que ocorre de maneira demasiada rápida. Talvez se houvesse mais tempo e espaço, a obra teria a oportunidade de se aprofundar mais nas motivações de cada personagem e talvez teria se destacado mais do que o primeiro volume. Há uma rápida tentativa ao citar uma história de Astro na lua, mas é tão rápido e tão solto, que mais prejudica do que ajuda.

Se o roteiro deixa a desejar, as ilustrações se apresentam como o melhor aspecto da obra. A noção de profundidade do espaço e os traços de elementos novos à trama (como o buraco negro e o octaedro) se encaixam bem com os elementos já conhecidos do público. As cores de Cris Peter novamente dão um ar de identidade visual, e as cenas abertas que compõe boa parte da HQ são o destaque desse volume.

Cotação-3-5

“Astronauta – Singularidade” – 2014
História e Arte:
Danilo Beyruth
Cores:
Cris Peter
Editora Panini
82 páginas
Disponível em capa dura e brochura

Saiba mais sobre as graphic novel do selo MSP

Anúncios

Um comentário

Deixe seu comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s