As Maravilhas | Crítica

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As Maravilhas contas a história de uma família meio alemã/meio italiana  numa fazenda na Toscana vivendo da apicultura que o pai Wolfgang (Sam Louwyck) e a filha mais mais velha Gesolmina (Maria Alexandra Lungu) comandam incansavelmente enquanto a mãe (Alba Rohrwacher) cuida da roça, das ovelhas e das crianças pequenas. Há também a tia Coco (Sabine Timoteo) que ajuda na extração o mel. No momento eles passam dificuldades financeiras e procuram fazer qualquer bico, inclusive aceitar um jovem alemão (Luis Huilca) em reabilitação em casa em troca de dinheiro para ganhar uns trocados a mais. Até que um dia a vida deles pode mudar radicalmente, com o programa “País das Maravilhas”, um reality show breguisssimo apresentado por Monica Bellucci com uma peruca horrorosa. Basta se inscrever, ter a família analisada pelo produtor e se apresentar na tv.

Este é segundo filme de Alice Rohrwacher, o primeiro, tal qual como este, tinha uma menina de protagonista como guia. Neste Gelsomina não é mais a menininha que queria o camelo de presente quer ir morar fora, Milão. Mas fazer seu pai Wolfgang aceitar isso está longe de acontecer, ele ainda a vê como uma menininha, a sua pequena, tanto que só confia nela para fazer o trabalho da extração do mel. Para complicar ainda mais, entra Martim, um garoto, seus desejos pelo sexo masculino afloram e ela se retrai mais ainda, principalmente na frente do pai que parece não notar nada.

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A mãe vê tudo e deixa acontecer, sabe que é natural e sabe que não adianta prender, tudo tem seu tempo e Gelsomina está no dela. É cabeça mais feita, mais tranquila que o pai e mais responsável. É a verdadeira dona da casa.

A figura de Coco é interessante. Uma tia que aparece sempre para dar conselhos, mas não se sabe de sua origem nem nada, está sempre presente nas cenas importantes, mas sem saber o porquê.

O conflito de Gelso abrange maior parte da trama que ficamos meio se saber sobre a questão financeira. Isso é ressaltado na cena final, o que houve? Faliram ou não? Acabamos que ficamos sem essa resposta.

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As crianças são perfeitas em seus personagens, estão no tom certo de cada tomada, parecem que nem estão atuando e sim sendo si próprias. Uma graça. Aliás todo o elenco infantil, incluindo a menina que faz a atrapalhada Marinella (Agnese Graziani) e claro, Gelsomina, dá um um show à parte. Lungu cria uma menina quieta, mas de presença marcante, hábil em conquistar logo na primeira cena. Com sua Gelsomina pode criar várias facetas entre o drama e o humor. Está realmente fantástica em cena.

O pai Wolfgang é vivido de maneira dura e forte pelo ator, grosseirão no fundo tem o coração mole e só quer o bem para sua família. A mãe é vivida pela irmã da diretora, tranquila e dura quando se pede também faz um excelente trabalho. Ainda há a tia Coco que também está muito bem. Monica Bellluci arrasa em sua participação especial hilária.

Parte técnica; belíssima fotografia de Hélène Louvart, a trilha de Pietro Cricitti também é boa e a edição de Marco Spoletini também não desagrada. Direção competente e firme.

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Cotação-4-5

As Maravilhas (Le Meraviglie)

As Maravilhas - poster nacionalDireção: Alice Rohrwacher

Roteiro: Alice Rohrwacher

Elenco: Maria Alexandra Lungu, Alba Rohrwacher, Sam Louwyck, Sabine Timoteo, Agnese Graziani, Monica Bellucci, André Hennicke, Luis Huilca, Eva Lea Pace Morrow, Maris Stella Morrow, Carlo Tarmati, Margarete Tiesel.

Gênero: Drama

Duração: 110 minutos

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