Tamanho de jogo é documento?

A mais recente polêmica dos jogos de videogame surgiu com o mais novo jogo exclusivo pra PS4 “The Order: 1886”, tudo pelo fato do jogo ser curto demais. Antes mesmo do lançamento oficial e das reviews medianas do jogo, um dos criadores, Dana Jan afirmou que as pessoas estavam “procurando um motivo pra odiar o jogo” após as notícias de que o game poderia ser terminado em cerca de 5 horas.

O quão é importante a duração de um jogo?

Na Game Developers Conference do ano passado alguns dados coletados revelaram que somente 42% das pessoas terminaram Mass Effect 3, e que 47% conseguiram concluir a campanha de Batman: Arkham City, e apenas 39% dos jogadores chegaram até o fim de The Walking Dead: Season One. Esses são apenas alguns exemplos de jogos que foram elogiados pela crítica e que possuem uma duração considerável, com reviravoltas que garantem horas e horas com o controle na frente da TV.

Acontece que, infelizmente, a duração de um jogo será sempre associada com a sua qualidade, quando na verdade uma tem pouco ou quase nada a ver com a outra. Se você está se divertindo com a história, que diferença faz quando ela termina se você soube aproveitar bem a experiência? Quem tem o costume de jogar jogos indie sabe que duração e qualidade quase nunca andam de mãos juntas. Taí como exemplo “Limbo”, um jogo de puzzles que pode facilmente ser concluído em poucas horas, mas que possui uma história de fundo tão rica e emocionante, que vale a pena cada segundo que você controla o personagem principal.

limboPlayDeadGamesNem todo jogo precisa ser um épico de 100 horas pra valer a pena, até porque nem todo mundo tem tempo, disposição e habilidade pra jogar um épico de 100 horas. Assim como um jogo de 50 horas não é necessariamente melhor do que um de 45 horas, há diversos outros fatores que devem ser levados em consideração além da duração de um jogo, como por exemplo o que lhe foi prometido.

A questão é o custo-benefício

Vamos continuar com os exemplos citados acima. Enquanto Limbo pode ser comprado por cerca de R$ 15,00 na Steam, The Order: 1886 chega com o salgado preço de R$179,00, exclusivo pra um console que chegou ao nosso país custando R$ 4000,00. Vale investir tanto em algo que você irá se entreter por uns dois dias e depois deixar de mão? A questão aqui já é diferente, e lembra um pouco a polêmica envolvida com Metal Gear Solid V: Ground Zeroes ano passado.

The Order acaba por ser um jogo singular, com elementos técnicos de alta qualidade, usando todo o potencial dessa nova geração de consoles, mas que não possui multiplayer ou nenhuma opção de DLC, o que faz com que a revolta pela duração do jogo, somada ao preço cobrado seja no mínimo razoável. Quando se paga caro por um produto, especialmente um jogo de videogame, espera-se que ele corresponda a suas expectativas, pra fazer o seu dinheiro valer a pena.

theorder-1886-prevendaProvavelmente não existe uma fórmula capaz de determinar com precisão o quanto um jogo deve durar pra justificar seu preço, tudo vai depender da experiência que você passar ao jogá-lo pela primeira vez, seja você gastando 4 horas ou semanas pra concluir o modo single-player. Se a história me cativar o suficiente, provavelmente este será um jogo o qual revisitarei muitas e muitas vezes como um filme do qual a gente adora e se surpreende a cada vez que revemos.

The Order: 1886 Críticas – o que falaram do jogo?

Omelete – 2/5

“A falta de criatividade dos desenvolvedores se replica no roteiro. Todos os mistérios e o interesse acerca da trama que The Order: 1886 parecia esconder pelos becos de Londres se diluem em uma história de conspiração batida.” Leia o resto aqui

Kotaku – sem nota

“O valor de um jogo não depende da sua duração e sim da experiência em que ele traz. Por isso, não é por causa da pouca duração The Order deve ser martirizado e sim por não trazer nada mais do que um jogo bonito de se ver e frustrante de se jogar.” Leia o resto aqui

Eurogamer – sem nota “The Order: 1886 é verdadeiramente uma experiência cinematográfica elevada a níveis nunca vistos anteriormente. A tal ponto que quase mais parece uma coreografia cuidadosamente orquestrada que faz tudo para conduzir o jogador pela mão.” Leia o resto aqui.

Metro – 4/10Insuportavelmente chato desde os seus primeiros momentos, com um roteiro mal escrito, personagens sem graça, e ação repetitiva. Sem modos de jogo adicionais.Leia o resto aqui (em inglês)

IGN – 6,5/10Seus melhores aspectos são a sua aparência deslumbrante, atmosfera e estilo – que são verdadeiramente fantásticos – e uma ficção divertida. Mas o rápido gameplay, raso, lento e genérico nos fez sentir como uma experiência que teria sido melhor adaptada a um filme do que um jogo.Leia o resto aqui (em inglês)

Anúncios

Deixe seu comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s