Selma: Uma Luta Pela Igualdade | Crítica

la_ca_1021_selmaO que mais incomoda em filmes como Selma: Uma Luta Pela Igualdade não é a mania irritante que a política tem de relegar ao segundo plano as necessidades humanas básicas em prol da autopromoção ou a violência que alguns grupos são obrigados a sofrer devido à intolerância de muitos ou mesmo as injustiças cometidas que jamais puderam ser reparadas historicamente.

O que realmente mais incomoda é perceber que uma camada expressiva da população acreditava (e, em muitos casos, ainda acredita) que a cor de sua pele a torna superior a outras pessoas e lhe dá o direito de fazer o que bem entender sem sofrer nenhum tipo de punição.

Ao mostrar de forma crua um recorte da história americana, no qual o lendário Martin Luther King (David Oyelowo, em uma performance excepcional) se bate justamente contra esse tipo de gente, fica difícil não gostar do filme.

SELMAPor outro lado, o fato de conseguir emocionar justamente por não fazer concessões quanto à violência física e psicológica sofrida por seus personagens é o que o diferencia da maioria dos longas recentes sobre o tema, como o medíocre O Mordomo da Casa Branca, e que o aproxima de alguns outros bons filmes, entre os quais 12 Anos de Escravidão, vencedor do Oscar do ano passado.

Em 1965, pouco depois de receber o Prêmio Nobel da Paz em uma cerimônia inócua para seus objetivos como líder popular, King vai ao estado sulista do Alabama, nos Estados Unidos, para liderar uma marcha na pequena cidade de Selma pelo direito de voto. Embora uma lei federal garantisse o voto aos negros, as restrições impostas a eles em cartórios do sul, na prática, impediam que chegassem às urnas.

Em meio ao clima de agitação popular, o presidente Lyndon B. Johnson (Tom Wilkinson) é apresentado como um manipulador impessoal, que teme que a questão atrapalhe suas ambições políticas e procura adiar uma votação do Congresso para uma nova lei que garanta o voto sem restrições aos negros. A pressão aumenta quando George Wallace (Tim Roth), o governador racista do estado do Alabama, manda que a polícia espanque e mate os manifestantes, para evitar que levem em frente sua marcha pacífica.

selma3A forma como a diretora Ava DuVernay retratou o presidente dos EUA, considerado um dos grandes auxiliadores da causa negra na época, provocou a fúria de historiadores, que acusaram o filme de infidelidade com a história. A própria cineasta confessou ter tomado diversas liberdades e defendeu o longa como uma obra de arte que não tem a pretensão de reproduzir a realidade.

De fato, o filme apela para o melodrama e um certo maniqueísmo desconfortável por diversas vezes. Porém, cenas como o assassinato a sangue frio de um manifestante pacífico ou a primeira tentativa de marcha, que acabou com centenas de feridos pela polícia, acaba justificando em parte essa escolha.

No entanto, se o roteiro apresenta um problema realmente grave, é sua falta de foco na apresentação do que o conflito representou para a população americana branca e negra da época. Por vezes, ele acaba se perdendo em meio às dificuldades familiares de King, aos conflitos internos do movimento negro, às tediosas articulações políticas de gabinete e a discursos que, embora belos em sua essência, não acrescentam muito à narrativa e prejudicam o ritmo do filme.

selma4Mesmo assim, é impossível negar a força de Selma e da maioria de suas cenas. Há uma, especialmente, em que um militante de 82 anos (Henry G. Sanders) lamenta a morte sem sentido de seu neto (Keith Stanfield), que tentava defender a mãe da brutalidade da polícia. Em sequências como esta, DuVernay demonstra sua habilidade como cineasta, excedendo o puro e simples melodrama manipulador para deixar marcas indeléveis na memória.

Cotação-4-5Selma: Uma Luta Pela Igualdade - poster nacionalSelma: Uma Luta Pela Igualdade (Selma)

Direção: Ava DuVernay

Roteiro: Paul Webb

Elenco: David Oyelowo, Carmen Ejogo, Jim France, Trinity Simone, Mikeria Howard, Jordan Christina Rice, Ebony Billups, Nadej K. Bailey, Elijah Oliver, Oprah Winfrey, Clay Chappell, Tom Wilkinson, Giovanni Ribisi, Haviland Stillwell, André Holland, Ruben Santiago-Hudson, Colman Domingo, Omar J. Dorsey, Tessa Thompson, Common, Lorraine Toussaint, David Morizot, David Dwyer, E. Roger Mitchell, Dylan Baker, Ledisi Anibade Young, Kent Faulcon, Merriwether Stormy, Niecy Nash, Corey Reynolds, Wendell Pierce, Stephan James, John Lavelle, Trai Byers, Keith Stanfield, Henry G. Sanders, Charity Jordan, Stan Houston, Tim Roth, Greg Chandler Maness, Nigel Thatch, Stephen Root, Michael Papajohn, Brian Kurlander, Jeremy Strong, Elizabeth Diane Wells, Tara Ochs, David Silverman, Charles Saunders, Dexter Tillis, Cuba Gooding Jr., Alessandro Nivola, Michael Shikany, Brandon O’Dell, Dane Davenport, Brandon Carroll, Mark Cabus, Christine Horn, Dan Triandiflou, Jody Thompson.

Gênero: Drama

Duração: 128 minutos

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