Clássicos | Psicose

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Alfred Hitchcock já era o diretor de cinema mais conhecido mundialmente, considerado o “mestre do suspense”, quando decidiu escrever e filmar Psicose (1960), baseado num livro digamos, de gosto duvidoso. Nem o estúdio comprou a ideia de um longa cuja protagonista era morta na metade do filme,além, claro, das questões morais da época. A personagem principal, a sexy Marion Crane (Janet Leigh), tinha um affair com um homem desquitado, e a cena inicial dos dois seminus num quarto de motel barato foi um escândalo, Hitchcock teve que usar sua inteligência magistral para burlar a censura.

Psicose por fim foi financiado pelo próprio cineasta, que teve que hipotecar sua casa e mais tudo o que tinha para colocar sua ideia nas telas. O risco era grande, mas o mestre sabia no que estava se metendo: Psicose foi o maior sucesso de sua carreira. Essa “saga” pra tirar o filme do papel, inclusive, você pode conferir no não tão bom mas interessante Hitchcock, de 2012, com Anthony Hopkins, Helen Mirren e Scarlett Johansson.

psycho 2Mas voltemos ao clássico em questão. Hitchcock, além de tudo, abriu um precedente não só por criar um dos maiores thrillers de todos os tempos e influenciar cineastas do gênero até hoje, pois ele estabeleceu as bases do terror psicológico, mas por mostrar ao mundo que era possível, com um orçamento baixo, criar uma obra-prima. Afinal, a arte não tem preço, e Psicose é, absolutamente, uma grande obra de arte.

A começar pelos enquadramentos milimetricamente calculados, colocando em cena tudo o que o espectador precisa visualizar, e de forma bela, que enche os olhos, os close-ups que nos fazem sentir a tensão dos personagens e a fotografia que cria todo o clima de suspense. Ah, e como não deixar de citar a memorável trilha sonora, quem nunca viu e ouviu os acordes da famosa cena do chuveiro? Nasceu para ficar na história.

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Psicose, para quem não sabe, começa com a personagem supracitada Marion Crane, que no desespero e num ímpeto de paixão, furta quarenta mil dólares da imobiliária em que trabalha para fugir com seu amante, Sam (O bonitão John Gavin), no caminho, após algumas desventuras, acaba num motel escondido na antiga rodovia (não é um motel no estilo brasileiro, nos EUA é como eles chamam espécies de pousadas), lugar este que é administrado por Norman Bates (Anthony Perkins), um rapaz simpático e solitário, que mantém uma delicada relação com a mãe. Após o assassinato de Marion (na famosa cena do chuveiro), sua irmã, Lila (Vera Miles), Sam e o detetive Arbogast (Martin Balsam) vão atrás de pistas, chegam ao Bates Motel e aí…melhor não estragar a surpresa para quem ainda não assistiu.

Psicose é uma análise psicológica de uma psiquê humana distorcida, Hitchcock foi brilhante ao transmitir o lado sombrio de cada ser humano. O cineasta nunca fez filmes de monstros, ao invés disso escolheu expôr o monstro no homem. Escalar a então grande estrela Janet Leigh como protagonista era heterodoxo para a narrativa de Hitchcock por tratar a personagem Marion como um ponto crucial do filme, mas não um fator essencial. Norman Bates, magistralmente interpretado por Perkins, é um dos maiores monstros de filmes de terror, com seu rosto inocente e amigável e comportamento modesto, mas que mantém um lado obscuro. Há muitos temas freudianos presentes dentro de Bates, que nutre um forte sentimento por sua mãe por quem ele padece para permanecer fiel, mas não se atreve a sair de seu lado. É o Complexo de Édipo levado às últimas consequências.

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Psicose pode ser visto nos cinemas pela rede Cinemark. Confira a programação.

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