Marvel’s Agent Carter S01E01-02 | Review

É inegável que a indústria de TV americana não investe em séries de ação e aventura protagonizada por mulheres, podemos contar nas mãos as séries de sucesso desde a década de 70 até hoje. Tivemos A Poderosa Ísis de 1975, Mulher Maravilha com a Linda Carter em 1977, curiosamente dois títulos com origens nos quadrinhos da DC Comics, e A Mulher Biônica e As Panteras também nos aos 70. Depois, já nos anos 90, podemos citar Xena, a Princesa Guerreira e Buffy, a Caça-Vampiros, e recentemente Dollhouse de Joss Whedon. Carter 00 Agora, o canal ABC, de propriedade da Disney, aposta em uma série da Agente Peggy Carter (Hayley Atwell), que graças ao imenso sucesso de seu curta “Marvel One-Shot: Agente Carter,” vinculado junto ao Blu-Ray de Homem de Ferro 3, virou realidade. O apelo dos fãs foram ouvidos pelos executivos do canal que encomendaram uma temporada de mid-season (aquelas temporadas curtas que servem para tampar o buraco na programação durante as festas de final de ano e entre temporada.) de 8 episódios, ocupando assim o espaço deixado pelo hiato de Agents of S.H.I.E.L.D.

Começando um ano após os acontecimentos de Capitão América: O Primeiro Vingador, Peggy Carter está insatisfeita trabalhando em um serviço burocrático na Reserva Cientifica Estratégica, a RCE, organização que antecedeu a S.H.I.E.L.D. Mas Carter reencontra sua motivação, quando seu amigo Howard Stark (Dominic Cooper) é acusado de vender armas no mercado negro para inimigos dos Estados Unidos.

Enquanto toda agencia acha que ele é culpado e inicia uma grande caçada por ele, Peggy acredita em sua inocência. Com isso, Peggy se alia a Jarvis (James D’Arcy), mordomo de Howard, e após uma breve investigação, os dois descobrem a existência da organização secreta chamada Leviatã (remanescente da HIDRA, talvez?) e frustram seu plano de contrabandear uma perigosa invenção de Howard que tem a força de obliterar um quarteirão inteiro. Carter 02 A narrativa mantém o tom leve e bem-humorado característico dos filmes da Marvel que agrada em cheio o público. Há uma similaridade narrativa com a qual Joss Whedon impregnou em Buffy, a Caça-Vampiros, alternando sempre a ação com uma boa dose de humor e perigo. Porém, nesta série, a ABC toca num ponto nunca antes mostrado nos filmes: O machismo preconceituoso da sociedade. Já que Capitão América: O Primeiro Vingador falhou miseravelmente em mostrar esse lado da sociedade americana da década de 40, era de se esperar algo do mesmo nível, mas esse defeito foi prontamente corrigido na série.

A Peggy luta com todas suas forças e inteligência contra o machismo americano, e apesar de ser chamada de agente por seus colegas, tantos eles como demais empresários a considera uma mera secretária, ou no pior caso, um objeto de decoração bonitinho que servia apenas como “namorada” do Capitão América durante a Segunda Guerra Mundial. E há também piadinhas mais pesadas, quando insinuam que Peggy “conhece” muitos homens, porém, de modo mais velado, nas entrelinhas, justamente para continuar mantendo o clima leve da Marvel.

Outro ponto bastante positivo destes dois primeiros episódios é justamente seu estilo, há um quê de filme Noir misturado com espionagem a lá os filmes antigos do James Bond com uma ótima recriação de época. Seja mostrando as tradicionais novelas de rádio e as lanchonetes com lindas garçonetes. Carter 01 O ponto negativo fica pelo excesso de clichés de gênero. O líder da SER, Roger Dooley (Shea Whigham de Boardwalk Empire), é a típica figura do comandante que sempre está um passo atrás do mocinho, mocinha no caso, da história e acha que está abafando. Além dos demais agentes que são brutamontes egoístas que servem apenas para destratar a protagonista. Isso sem contar os diálogos poucos inspirados e algumas atuações duvidosas.

Em suma, Agent Carter tem o pior e o melhor dos filmes do Universo Marvel, e acredito que se continuar focando no ambiente social da segunda metade da década de 40, a série conseguirá se destacar das demais produções da Marvel e que ela possa ser a porta de entrada para que outras questões sociais sejam incluídas tanto nos filmes como em Agents of S.H.I.E.L.D., vamos torcer. Agora temos mais 6 episódios pela frente para saber que uma série com uma forte protagonista irá vingar ou não.

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