Êxodo: Deuses e Reis | Crítica

Exodo 3

Adaptações literárias para o cinema são sempre complicadas,quando é uma adaptação da Bíblia então, nem se fala, sempre há controvérsias. Mas não quero bater na tecla novamente das diferenças de mídia que tornam impossível uma adaptação 100% fiel, afinal, a narrativa de um filme deve valer-se por si só, e não pela fonte de onde foi adaptada (Hitchcock e Kubrick adaptavam livros ruins e os transformavam em obras-primas). Há de se levar em conta a liberdade artística do diretor e dos roteiristas. Ridley Scott, o diretor, já há algum tempo vem sofrendo uma crise criativa, por assim dizer. O criador de clássicos como Blade Runner e Alien já não vem conseguindo o mesmo êxito do passado e vem se tornando cada vez mais um diretor-operário de grandes estúdios.

Mas é inegável que sabe filmar grandes sequências com um tom épico como ninguém. Voltarei a isso logo mais, vamos nos ater primeiro à história e à composição dos personagens, talvez o maior problema do filme. O longa é baseado no Livro do Êxodo, que compõe o Antigo Testatmento, contando a história de Moisés e a libertação dos Hebreus que viviam sob um regime de escravidão pelos Egípcios por volta de 1250 A.C. Moisés, que era Hebreu, cresceu como um príncipe do Egito, sendo criado pela irmã do Faraó após ser salvo por ela quando foi deixado num cesto de vinco num rio, após o faraó ter ordenado matar todos os meninos hebreus nascidos naquela época.

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No filme, um cético Moisés (Christian Bale) cresce junto de Ramsés (Joel Edgerton), o herdeiro do trono Egípcio, como um primo-irmão, e a relação dos dois tem um tom shakespeareano, enquanto Moisés é um grande general e preferido do faraó Seti (John Turturro), Ramsés é o filho mimado e invejoso, que, apesar da amizade, nutre um rancor que fica evidente depois da profecia da sacerdotiza (de que aquele que salvasse a vida do rei se tornaria o grande líder do povo), e Moisés o salva em uma batalha, e depois quando descobre sua verdadeira origem hebraica, usa isso para expulsá-lo do Egito, embora o laço afetivo de quase irmão o impede de assassiná-lo naquele momento.

E é este tom que afasta o filme da história original bíblica e pode fazer muitos religiosos torcerem o nariz, mas é tudo em prol da sétima arte. Já a liberdade criativa que atrapalha é o fato dos personagens falarem e agirem como pessoas contemporâneas, usando linguajar e trejeitos modernos demais, contrastando com todo o visual de milhares de anos atrás. Afinal, mesmo que o filme seja em inglês e os atores majoritariamente caucasianos, isso seria mais fácil de relevar se a expressão corporal e linguística fosse mais rebuscada. Não deve ter sido desleixo, e sim proposital, mas não deu certo.

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O que deu mais certo, além do tom romanceado de tragédia shakespeareana, são os efeitos visuais. O longa, filmado em 3D, tem um visual espetacular, uma fotografia que se intensifica ao invés de perder o brilho nas lentes multidimensionais e efeitos visuais de perder o fôlego, sem causar a sensação incômoda de estarmos olhando para milhões de pixels como acontece em filmes que abusam do CGI. Ridley Scott, apesar de estar perdendo a mão em suas narrativas, ainda é um mestre em tomadas épicas.

A versão do Êxodo sob a óptica do século XXI também não poderia deixar de aproveitar o grande talento de Christian Bale (sempre no tom certo, nunca over) e sua presença intimidadora, que vai ficando vulnerável ao se tornar um temente a Deus. O Moisés agora se mantém jovem e forte durante quase toda a história, tanto que Aarão, seu irmão e porta-voz, é quase que um figurante na história. E Deus também ganhou uma versão com liberdade poética, na forma de um menino. Para quem é religioso, talvez tudo isso pareça um sacrilégio, mas é apenas entretenimento.

Cotação-3-5

Êxodo: Deuses e Reis (Exodus: Gods and Kings)

Êxodo: Deuses e Reis - poster nacionalDireção: Ridley Scott

Roteiro: Adam Cooper, Bill Collage, Jeffrey Caine e Steven Zaillian

Elenco: Christian Bale, Joel Edgerton, John Turturro, Aaron Paul, Ben Mendelsohn, María Valverde, Sigourney Weaver, Ben Kingsley, Hiam Abbass, Isaac Andrews, Ewen Bremner, Indira Varma, Golshifteh Farahani, Ghassan Massoud, Tara Fitzgerald, Dar Salim, Andrew Tarbet, Ken Bones, Philip Arditti, Hal Hewetson, Christopher Sciueref, Emun Elliott, Anton Alexander, Jonathan Rodriguez, Maykol Hernandez, Kevork Malikyan, Aaron Neil, Nicholas Khan, Phil Perez, Jorge Suquet, Giannina Facio, Anthony Rotsa, Ayoub El Hilali, Alejandro Naranjo, Miguel G. Borda, Emmanuel Akintunde, David Olawale Ayinde, Kiko Castro, Ibrahim Fagge, David Georgiou, Hayden Hayder, Joshua Johnson, Sayed Kassem, Kenny Knight, Barrie Martin, João Costa Menezes, Serhat Metin, Gerard Monaco, Adrian Palmer, Laurent Plancel, Joseph G. Quinn, Anna Savva, Kelly Schembri, Emeka Sesay, Mens-Sana Tamakloe, Jane Thorne, Ian Tripp, Mike Walker, Ziad Abaza, Amin Ali.

Gênero: Ação/Aventura/Drama

Duração: 150 minutos

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