O Hobbit – A Batalha dos Cinco Exércitos | Crítica

Antes de começar esta resenha, fica o aviso: nunca li nenhum dos livros de J.R.R. Tolkien, seja a saga de O Senhor dos Anéis ou a obra que originou esta trilogia de O Hobbit, portanto, meu texto analisará o filme por si só, sem comparações. Aliás, é como deve ser, pois comparar mídias tão diferentes como literatura e cinema é um equívoco, afinal nunca, jamais, um filme conseguiu abordar tudo o que foi escrito, afinal de contas, como dito, são linguagens diferentes.

O Hobbit talvez seja uma exceção à regra, já que o diretor Peter Jackson transformou o livro de 300 páginas em um filmão de cerca de 8 horas, dividido em três partes. Digo um filme de 8 horas porque tanto o primeiro, Uma Jornada Inesperada, quanto A Desolação de Smaug apenas fecharam arcos, mas deixaram seus finais abertos para a sequência. Por essa lógica, poderia ter esmiuçado cada linha do livro e feito uma trilogia para ninguém botar defeito, não?

Bem, Jackson com certeza esmiuçou, mas também teve que “encher linguiça”, e isso fica perceptível até para os leigos na literatura. E daí, haja sequências longuíssimas de ação ininterrupta, haja flecha e espada, haja cabeça de Orc rolando e haja dipirona para conter a dor de cabeça depois de cada sessão de mais de duas horas em 3D.

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Mas a ambição por lucros exorbitantes falou mais alto, parece que Jackson e os produtores do estúdio foram tomados pela mesma doença do ouro amaldiçoado que envenena o rei dos anões, Thorin (Richard Armitage), e, cegos pelo lucro, deixaram de lado o desenvolvimento da história e a construção das personagens em prol de sequências de ação e efeitos especiais (desde quando isso se tornou mais fácil do que escrever um roteiro decente?).

Quanto ao filme, ele começa exatamente do ponto em que terminou o anterior, com o dragão Smaug (Benedict Cumberbatch) furioso voando em direção à cidade de Esgaroth, onde destrói quase tudo soltando fogo pelas ventas, numa sequência bem violenta. O humano Bard (Luke Evans) consegue vencê-lo, mas os sobreviventes ficam sem casa e sem comida, e portanto precisam cobrar a promessa que Thorin fez no filme anterior, que era doar uma parte do tesouro em troca de ajuda para adentrar a montanha. Neste meio tempo, ainda há uma cena psicodélica  envolvendo Galadriel (Cate Blanchett), Elrond (Hugo Weaving), Saruman (Christopher Lee) e Sauron, para criar um link com Senhor dos Anéis, enquanto que um exército de elfos e outro de Orcs também vem atrás do tesouro, e os anões que se preparam para defender sua herança, mesmo que seu líder esteja com a mente envenenada.

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O visual continua lindo, grandes planos abertos das montanhas da Nova Zelândia, digo, da Terra Média, e o visual das criaturas, sejam belas, como os elfos, feias, como os Orcs, ou engraçadas, como os anões, parecem saídos direto das fábulas. O esmero que sempre tiveram com maquiagem e direção de arte continuam intactos, pena que a fotografia se perde um pouco com o 3D, claramente feito na pós-produção. As cenas de batalhas, com exércitos compostos por milhares de soldados, são incríveis, mas se esticam demais, ficando cansativo.

E onde está o Hobbit? O protagonista da saga, Bilbo Bolseiro, nesta terceira parte funciona como um elemento-chave na trama, mas nem de longe tem a mesma importância que nos filmes anteriores. Salva-se pela excelente sutil atuação de Martin Freeman e pelo arremedo que o diretor fez no ato final, conferindo uma singeleza que até destoa do restante do filme, mas que mostra a alma desta obra que encantou gerações no mundo todo. Agora, só nos resta dizer; Farewell Terra-Média…

Cotação-3-5

O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos (The Hobbit: The Battle Of The Five Armies)

O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos - poster nacionalDireção: Peter Jackson

Roteiro: Fran Walsh, Philippa Boyens, Peter Jackson e Guillermo del Toro, baseado na obra de J.R.R. Tolkien

Elenco: Lee Pace, Benedict Cumberbatch, Evangeline Lilly, Luke Evans, Richard Armitage, Cate Blanchett, Orlando Bloom, Martin Freeman, Ian McKellen, Manu Bennett, Billy Connolly, Hugo Weaving, Aidan Turner, Christopher Lee, James Nesbitt, Graham McTavish, Stephen Fry, Mikael Persbrandt, Greg Ellis, Dean O’Gorman, Ian Holm, Ken Stott, Bret McKenzie, Stephen Colbert, Sylvester McCoy, Peter Hambleton, Adam Brown, Ryan Gage, Jed Brophy, William Kircher, Lawrence Makoare, Stephen Hunter, John Bell, Mark Hadlow, John Callen, Peggy Nesbitt, Mary Nesbitt, Chris Reilly, Mark Mitchinson, Shane Briant, Simon London, Robin Kerr, Brian Hotter, Joan Dawe, Joseph Gordon, Phil Grieve, Joseph Mika-Hunt, Jeff Slaven, Rosalie van Horik, Christopher Winchester.

Gênero: Ação/Aventura

Duração: 144 minutos

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3 comentários

    • Ué, o próprio filme tem passagens, personagens e desfechos que não possuem no livro. Cinema é uma coisa, literatura é outra, são mídias diferentes, com abordagens e propósitos igualmente diferentes.

      Há pontos na crítica com os quais não concordo e minha nota seria 4/5, mas usar o argumento “vc deveria ter lido o livro” é inútil demais.

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