Interestelar | Crítica

interestelarA Terra está destruída. Não há alimento suficiente para todo mundo. Por isso, ser fazendeiro se tornou a principal atividade. Ao mesmo tempo, densas nuvens de areia destróem tudo que o homem tenta construir. O mundo está mandando uma clara mensagem à humanidade: saiam daqui o mais rápido possível.

Nesse planeta pós-apocalíptico, nossas grandes façanhas são postas em dúvida. A viagem à Lua não passou de uma mentira para iludir a União Soviética. Todo homem precisa olhar para baixo e nunca para cima. Perdemos a capacidade de sonhar.

Esse é o futuro pós-apocalíptico imaginado por Nolan em Interestelar. Uma praga, que nunca é completamente explicada, nos leva diversos passos para trás na escala evolutiva. Em dado momento, Donald (John Lithgow) coloca em palavras aquilo que já havíamos percebido há algum tempo: nossa grande era de invento e inovação ficou para trás, provavelmente para sempre. Cooper (Matthew McConaughey), seu filho, é a única pessoa capaz de nos salvar da tragédia iminente.

Fica claro que o diretor Christopher Nolan imaginou seu filme nos moldes de um 2001: Uma Odisseia no Espaço modernizado, mas com a sensibilidade de um Terrence Malick para as relações humanas. Assim, toda a saga do renascimento da humanidade deveria ser contada através do amor entre um pai e sua filha (Mackenzie Foy/ Jessica Chastain/ Ellen Burstyn). Por algum motivo, o filho de Cooper acaba sendo jogado para escanteio desde o início.
interestelar2O problema com o projeto, incrivelmente ambicioso, não é outro além do próprio diretor. Nolan é um dos cineastas mais racionais do cinema atual e, até hoje, não havia sido capaz de se deixar levar por sequências poéticas, divagações filosóficas ou mesmo pela jornada onírica dos sonhos. Prova disso é A Origem, um filme excelente sobre sonhos, mas que os trata da forma mais metódica e formulaica possível.

O resultado do embate entre essas duas forças opostas (sonho e racionalidade) é um filme desajeitado, de ritmo irregular e com uma infinidade de ideias jogadas na tela com pouco impacto. Longos diálogos, que têm o único propósito de expor conhecimentos científicos ou detalhes da narrativa para o público, acabam minando a força de momentos que deveriam deixar o espectador maravilhado, literalmente sem ar.

Ao mesmo tempo, a tentativa de acrescentar uma mística à produção acaba levando a gigantescos problemas narrativos. O mistério e as imensas lacunas deixadas por ele dentro de um roteiro que se pretende inteligente e complexo, ao invés de um efeito de encantamento, acabam parecendo, simplesmente, incompetência.

Para um projeto tão acalentado pelo cineasta, Interestelar também é estranhamente apressado e falho. A conveniência de certos recursos narrativos e cênicos chega a ser risível e fica clara no primeiro encontro de Cooper com os cientistas da NASA. Até quando o filme acerta, em uma sequência emotiva elevada graças à atuação de McConaughey, a obra em seguida sabota seu efeito, colocando na boca da astronauta Amelia Brand (Anne Hathaway) um ridículo discurso sobre a transcendência do amor para além do tempo e espaço.

interestelar3Curiosamente, é quando Nolan tenta levar a cabo seu filme de maior emoção que o cineasta se trai e entrega, na realidade, sua obra mais problemático até o momento. Sim, os efeitos especiais são maravilhosos e os atores se esforçam ao máximo. McConaughey, principalmente, se entrega ao papel de maneira comovente.

Porém, fora isso, não há muito para se apreciar em Interestelar além de uma narrativa corrida, cheia de furos e momentos constrangedores, que demonstra por trás de sua tentativa de grandiosidade uma frágil trama de lugares comuns extremamente mal explorados ao longo de suas quase três horas de exibição. Mesmo entretendo ocasionalmente, o filme é o primeiro erro completo de cálculo do diretor. Ao menos esse erro faz jus às proporções megalomaníacas do projeto: é simplesmente gigantesco.

Cotação-2-5
Interestelar - poster nacionalInterestelar (Interstellar)

Direção: Christopher Nolan

Roteiro: Jonathan Nolan e Christopher Nolan

Elenco: Matthew McConaughey, Wes Bentley, Anne Hathaway, Jessica Chastain, Elyes Gabel, Michael Caine, John Lithgow, Topher Grace, Casey Affleck, Mackenzie Foy, Ellen Burstyn, Collette Wolfe, David Oyelowo, Bill Irwin, William Devane, Jeff Hephner, Leah Cairns, Timothée Chalamet, Liam Dickinson, David Gyasi, Mark Casimir Dyniewicz, Francis X. McCarthy, Kristian Van der Heyden, Lena Georgas, Alexander Michael Helisek, Marlon Sanders, Andrew Borba, William Patrick Brown, Benjamin Hardy, Matt Damon.

Gênero: Aventura/Drama/Ficção

Duração: 169 minutos

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3 comentários

  1. […] Quem também brilha é Harrison Ford, mesmo numa participação coadjuvante, como uma peça-chave do vasto passado de Adaline. Há muito não se via como um personagem vulnerável, um homem comum. Outro ponto forte é Ellen Burstyn, no papel da filha já octogenária de Adaline. É impressionante como ela e Lively convencem como filha e mãe. Um fato curioso é que Burstyn viveu uma situação parecida recentemente no papel de filha de Matthew McCounaghey em Interestelar. […]

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