Por uma Mulher | Crítica

pour-une-femme (1)Histórias sobre a Segunda Guerra há aos montes, clássicas, eternizadas e esquecíveis. Mas o logo pós, o período de reconstrução da Europa, quase nunca chamou a atenção da sétima arte. É uma pena. No meio dos destroços do que sobrou, houve muitos que sobreviveram e recomeçaram do nada. Muitos conseguiram sobreviver, com muito esforço obviamente. Lena e Michel (Benoît Magimel e Mélanie Thierry) são dois entre tantos outros que conseguiram. Salva por ele ainda no campo, através de um casamento combinado, eles imigraram para França no intuito de construir uma nova vida longe de todo o horror que viveram. E neste país, conseguiram montar uma família. Vossa história que é inspirada na vida dos pais da diretora Diane Kurys, dá origem ao filme. O tema central é a busca de uma moça, Anne (Sylvie Testud), pelo passado de seus pais enquanto viveram juntos, antes de seu nascimento. Após a morte de sua mãe, ao ajudar a sua irmã mais velha (Julie Ferrier), que conviveu com eles neste período, descobre que houve uma terceira pessoa na relação: seu tio Jean (Nicolas Duvauchelle). Este chegou a Lyon misteriosamente, depois de anos, quando se acreditava que já havia morrido em um campo de concentração. Surgem então peças nunca vistas antes por ela e isso a instiga a remontar um quebra-cabeças com o qual conviveu durante toda a vida sem saber. pour-une-femme (2)O casamento perfeito de Lena e Michel logo se desestrutura, não só com a chegada do irmão. A presen;a de Jean apenas culmina a revelação de que o relacionamento marital é praticamente de fachada, mas ambos fingem ou não querer ver isto. Percebemos que Lena está mais com o marido por gratidão do que por amor, o oposto dele. Cada vez mais envolvido com o partido comunista e os negócios, Michel acaba sufocando-a com seu machismo e carinho, não permitindo que ela fizesse nada a não ser uma dona de casa. É claro que com um outro homem convivendo consigo e que tem o comportamento diferente de seu marido, acaba por atrair o desejo pelo novo e aventuresco. Ainda mais quando sua melhor amiga (Clotide Hesme) rege sua vida de uma forma completamente avessa a da dela. Madeleine age impulsivamente e se permite viver um amor fora do casamento.

A outra ponta do triângulo, Jean, traz consigo um segredo acerca do seu passado e a parte histórica dentro da narrativa. O mistério envolvendo sua aparição do nada, seus encontros com o amigo Sacha (Clément Sibony) e as mentiras que conta a Michel sobre a familia demoram um pouco para se desenvolver de forma clara e nos revelar o porquê disso tudo. Ao mesmo tempo que isso se torna um trunfo para prender nossa atenção e nos desviar um pouco do melodrama, também cansa pela demora.

pour-une-femmeEste [e o grande problema da narrativa.Todo o mistério de Jean, da família de Michel e do então romance de Lena com seu cunhado, acaba por demorar demais para acontecer e quando ocorrem os clímaxes (acredito que há 2 neste confuso roteiro) já se perdeu o interesse em continuar a montar o quebra-cabeça. O roteiro, como já disse, é bem confuso. Apesar de longo, o enredo não é minimalista e sim cheio de barriga. A parte do presente (anos 80), onde há a trama das irmãs, é totalmente desinteressante e não acrescenta em nada. Porém, a direção de arte e a trilha sonora são bem competentes em criar o clima desse pós-guerra. Os planos, normalmente longos quando envolvem segredos (predominantes no filme) e curtos quando se exige mostrar algo mais dramático dos atores, são bem colocados, mas não acrescentam o ritmo que a história pede por ser justamente bem longa. Fazendo um paralelo da fruição do filme com o que ele pretender causar; a pretensão é muito bem representada na cena de sexo entre Lena e Jean. O que obtemos está muito bem colocado nas cenas dela com o marido na cama. pour-une-femme (3)Talvez o grande problema seja o fato de ser uma história real adaptada por uma pessoa muito próxima. Se no filme Anne busca a verdade, Diane tenta criar a sua da forma mais respeitosa possível, dando mais uma sensação de homenagem do que a verdade. Não que o filme não nos mostra os defeitos dos pais e a consequência de seus atos, mas tudo é tão pudico que não nos ajuda a nos interessar pelo que estamos vendo. O resultado final acaba por valer mais pelas questões técnicas do que pela narrativa em si, que, talvez com uma outra edição mais limpa, teria um resultado melhor. Valeu pela homenagem. Cotação-3-5

Por Uma Mulher (Pour Une Femme)

Direção: Diane Kurys

Roteiro: Diane Kurys

Elenco: Benoît Magimel, Mélanie Thierry, Nicolas Duvauchelle, Sylvie Testud, Denis Podalydès, Julie Ferrier, Clotilde Hesme, Clément Sibony, Marc Ruchmann, Jean-Claude Bolle-Reddat, Christian Taponard, Francesco Calabrese, Franck Gourlat, Elisa Ruschke, Ondine Barry, Véra Barry, Esther Voyer, Véronique Kapoyan, Emmanuel Vieilly, Eric Chambon, Iryna Solovy.

Gênero: Drama/Romance

Duração: 110 minutos

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