Foxcatcher: Uma História Que Chocou o Mundo | Crítica

Filme assistido durante a 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo
foxcatcher

Tente não levar muito a sério. O subtítulo sensacionalista brasileiro tem pouco ou nada a ver com o sombrio e lento Foxcatcher do cineasta Bennett Miller. O trabalho, assim como as duas únicas obras anteriores do diretor (Moneyball – O Homem Que Mudou o Jogo e Capote), cria uma narrativa emocionalmente complexa e distanciada de seus personagens, colocando o espectador na posição de assisti-los sem jamais saber muito sobre eles.

A história que chocou o mundo é a do multimilionário americano John du Pont (Steve Carell, irreconhecível como um homem nascido em berço de ouro e vindo de uma das famílias mais ricas de seu país) junto ao time de luta greco-romana que cria, chamado de Foxcatcher em homenagem a sua fazenda. Ele quer fazer do lutador Mark Schultz (Channing Tatum), medalhista de ouro nas Olimpíadas, o mestre de seu novo treinamento, que visualiza como um celeiro dos grandes atletas norte-americanos.

Esse é o ponto de partida para uma história que tem cada vez menos a ver com esporte e treinamento e mais com noções de ego, autoestima, fracasso e decadência. Du Pont, conforme vamos começando a perceber, quer adotar uma imagem paternalista e amigável, além de tentar soar como uma pessoa inspiradora, claramente para impressionar alguém. Esse alguém, como descobrimos em uma peça-chave do filme, é a sua mãe.

foxcatcher2Nesse sentido, o longa se foca em duas figuras centrais que têm como maior meta impressionar figuras maternas e paternas. No caso de Mark, é o irmão que o criou como um verdadeiro pai, Dave Schultz (Mark Ruffalo), e de quem sempre esteve à sombra. Até mesmo seus maiores feitos como lutador são atribuídos ao treinamento que ele lhe deu, e agora Mark quer se desvencilhar de sua influência para provar que é capaz de vencer sozinho.

A atmosfera de Foxcatcher é sempre densa e carregada de ameaça, graças à sobriedade do estilo imprimido por Miller e à paleta de cores escuras utilizada na fotografia do australiano Greig Fraser, que impede qualquer instante de total alegria ou conforto ao longo da narrativa. O resultado é que o filme se impregna de uma ameaça velada e inconstante, principalmente nas cenas em que du Pont está presente.

Em termos de atuação, Carell, tem suas expressões faciais bastante delimitadas pela maquiagem pesada, mas consegue imprimir um tom de terror à sua postura, à sua forma de andar e, principalmente, à sua fala baixa e mansa, tão vagarosa e cadenciada que quase denuncia estar escondendo por detrás de si uma mente perturbada. Tatum é uma grande surpresa, dando uma bem-vinda leveza ao papel do brutamontes Mark. Ruffalo está bem como Dave, mas acaba sendo pouco requisitado e não tem tanto com o que trabalhar no papel.

foxcatcher3Na realidade, Foxcatcher é uma história real absurda contada com competência e talento, mas que não consegue (nem tenta) ir muito além de si mesma. Ao mesmo tempo em que o fato de sabermos muito pouco dos personagens que se encontram naquela situação é usado como uma vantagem narrativa em alguns momentos, a distância acaba sendo tanta que nos importamos pouco ou nada com eles. Não é algo essencial para toda narrativa ter alguma empatia com os personagens, mas, para a história que Miller quer contar, parece ser um detalhe no mínimo muito importante.

Cotação-4-5foxcatcher4Foxcatcher – Uma História Que Chocou o Mundo (Foxcatcher)

Direção: Bennett Miller

Roteiro: E. Max Frye, Dan Futterman

Elenco: Steve Carell, Channing Tatum, Mark Ruffalo, Vanessa Redgrave, Sienna Miller, Anthony Michael Hall, Guy Boyd, Brett Rice, Samara Lee, Jackson Frazer, Jane Mowder, Daniel Hilt, Lee Perkins, Tara Subkoff.

Gênero: Biografia/Drama/Esporte

Duração: 134 minutos

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