Relatos Selvagens | Crítica

Filme assistido durante a 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo
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O ser humano é uma coisa engraçada. Ele consegue aceitar uma infinidade de afrontas, provocações e infortúnios, mas uma coisinha de nada do dia a dia pode liberar esse ódio acumulado ao longo de toda uma vida. É o caso do personagem de Ricardo Darín no segmento denominado A Bombinha dentro de Relatos Selvagens. Um homem comum, engenheiro, libera todas as suas frustrações com o sistema e a sociedade que o cerca ao receber uma multa de trânsito e ter seu carro guinchado.

O resultado de sua explosão não é exatamente positivo, já que o homem perde aos poucos sua família, o emprego estável, a dignidade e a própria liberdade. Mas, refletindo o que havia sido dito em um curta anterior, “a prisão não é tão ruim como muita gente pensa. É muito melhor do que aqui fora”.

Esse é o clima que predomina em todos os seis segmentos de Relatos Selvagens, filme argentino que angariou simpatia no último Festival de Cannes e que vai representar seu país na disputa pelo Oscar. Dirigido por Damián Szifrón, trata de histórias em que o homem é levado ao seu limite e responde ao ambiente hostil à sua volta de forma violenta e inesperada.

relatos_selvagens2Uma premissa simples, que funciona maravilhosamente bem. O filme usa e abusa da brutalidade e de um humor negro (em alguns casos, bem negro) carregado de significados. Com produção de Pedro Almodóvar, o filme é extremamente bem feito e tem um toque de classe que por vezes faz um contraste direto com os temas tratados.

Ainda assim, mesmo sendo melhor que a maioria das antologias de curtas que chegam aos cinemas (relembrando, por exemplo, o péssimo Rio, Eu Te Amo, que estreou recentemente), Relatos Selvagens também está sujeito à irregularidade típica desse tipo de produção. Alguns segmentos se destacam com brilhantismo, como o que envolve uma briga entre dois motoristas ou o do pior casamento do mundo.

Outros, como o que conta um caso de vingança por envenenamento, soam menos inspirados, embora sejam no mínimo razoáveis. Ajuda bastante o fato de Szifrón ser responsável por todos os curtas, evitando uma maior instabilidade ou uma exagerada variação entre eles.

relatos_selvagens3O que salta aos olhos é a simplicidade com que as narrativas se desenvolvem e o fato de que um filme similar a esse soe praticamente impossível de ser feito no Brasil. Trata-se de um cinema que mescla referências pop com o cult de maneira inteligente, o que pode explicar o sucesso que o longa tem feito igualmente com o público e com a crítica.

As possibilidades de Oscar parecem distantes, até mesmo graças ao formato adotado pela narrativa, mas não se trata disso. O cinema brasileiro de qualidade foi marginalizado e hoje é produzido principalmente de forma independente, o que contribuiu para uma elevação das excelentes produções pernambucanas, que têm se destacado nos últimos anos. Relatos Selvagens é, por incrível que pareça, um filme mainstream e teve bilheteria recorde em seu país. Quem imagina uma produtora que faz Até Que a Sorte nos Separe e Vestido pra Casar sendo capaz de oferecer um filme como este ao grande público? Bom, não precisa responder, a pergunta foi retórica.

Cotação-4-5Relatos Selvagens - poster nacionalRelatos Selvagens (Relatos Salvajes)

Direção: Damián Szifrón

Roteiro: Damián Szifrón

Elenco: Liliana Ackerman, Luis Manuel Altamirano García, Alejandro Angelini, Damián Benítez, Cristina Blanco, Gustavo Bonfigli, César Bordón, Pablo Bricker, María Laura Caccamo, Camila Sofía Casas, Pablo Chao, Juan Pablo Colombo, Rita Cortese, Gustavo Churchio, Alan Daicz, Ricardo Darín, Germán de Silva, Diana Deglauy, Claudio Delan, Miguel Di Lemme, Walter Donado, Héctor Drachtman, Nancy Dupláa, Graciela Fodrini, Camila Franco, Marcelo Frasca, Ángel Frega, Andrea Garrote, Lucrecia Gelardi, Diego Gentile, Martín Gervasoni, Darío Grandinetti, Paula Grinszpan, Silvina La Morte, Juan Santiago Linari, Federico Liss, María Rosa López Ottonello, Pablo Machado, Lucila Mangone, Oscar Martínez, María Marull, Luis Mazzeo, Daniel Merwicer, Margarita Molfino, Pablo Moseinco, Carlos Moyá, Horacio Nin Uria, Osmar Núñez, María Onetto, Javier Pedersoli, Fiorella Pedrazzini, Miguel Ángel Platinado Grando, Marcelo Pozzi, Erica Rivas, Victoria Roland, Noemí Ron, Leonardo Sbaraglia, Mariano SIgman, Emilio Soler, Diego Starosta, Ricardo Truppel, Abian Vain, Carlos Alberto Vavassori, Horacio Vay, Ramiro Vayo, Diego Velázquez, Mónica Villa, Liliana Weimer, Julieta Zylberberg.

Gênero: Comédia/Drama/Suspense

Duração: 122 minutos

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