Trash – A Esperança Vem do Lixo | Crítica

trashO livro Trash, do autor britânico Andy Mulligan, conta a história de um catador de lixo que passa seus dias revirando montanhas de dejetos. É bastante possível que o autor, que trabalhou no Brasil durante algum tempo, tivesse em mente a disposição dos nossos lixões para compor o plano de fundo de sua narrativa. Foi o que pensou o diretor Stephen Daldry (o mesmo de Billy Elliot e As Horas), que veio para o país gravar sua adaptação da obra escrita, intitulada Trash – A Esperança Vem do Lixo.

De certa forma, o filme funciona como um conto bastante fantasioso sobre esperança e combate à corrupção. É claramente a visão de alguém que vem de fora sobre os nossos problemas, bastante ingênua, simplista e inexata. A estrutura narrativa lembra bastante o último filme do diretor, Tão Forte e Tão Perto, que, apesar da recepção mista, acabou recebendo mais indicações ao Oscar do que merecia.

Na trama, os jovens Raphael (Rickson Tevez), Gardo (Eduardo Luis) e Rato (Gabriel Weinstein) moram sem os pais em um lixão do Rio de Janeiro. Certo dia, Raphael encontra uma carteira recheada de dinheiro que contém pistas para um grande segredo. Ela foi jogada fora por José Angelo (Wagner Moura), um homem que arrisca a vida para lutar contra um deputado corrupto (Stepan Nercessian).

trash2O olhar estrangeiro de Daldry fica claro não apenas no desenvolvimento da trama, mas também pela irregularidade das atuações. Selton Mello, por exemplo, vai muito mal como o grande vilão da história, no que poderia ter sido ajudado por um outro diretor mais acostumado a atuar no Brasil. Nelson Xavier, um ótimo ator, também soa pouco à vontade em sua breve participação. Os americanos Rooney Mara e Martin Sheen, por outro lado, pouco têm para fazer em cena e parecem ter sido acrescentados apenas para forçar uma identificação com o público de língua inglesa.

Porém, nem tudo é ruim. O elenco mirim compensa essas falhas com interpretações naturais e uma ótima química em cena. Se a aventura e o drama funcionam durante a maior parte do tempo, isso se deve principalmente ao trio.

Aliás, embora o filme tenha problemas com sua argumentação moral (que ainda inclui os protestos de junho de 2013 em um contexto totalmente equivocado), a narrativa em si nunca deixa de ser interessante. A jornada de Raphael, Gardo e Rato em busca de algo que nem mesmo eles sabem o que é consegue prender a atenção do público ao longo das quase duas horas de projeção.

trash3Portanto, se Trash – A Esperança Vem do Lixo não está no nível de outros trabalhos anteriores do cineasta (com exceção de Tão Forte e Tão Perto, que é fraco mesmo), trata-se ainda assim de um longa bem feito e de um filme de ação razoavelmente competente. Infelizmente, a barreira cultural e a trama mal resolvida impediram que a história empreendesse voos mais altos.

Cotação-3-5Trash: A Esperança Vem do Lixo - poster nacionalTrash – A Esperança Vem do Lixo (Trash)

Direção: Stephen Daldry

Roteiro: Felipe Braga e Richard Curtis, baseado no livro de Andy Mulligan

Elenco: Rooney Mara, Martin Sheen, Wagner Moura, Selton Mello, André Ramiro, Jesuíta Barbosa, Daniel Zettel, Stepan Nercessian, Nelson Xavier, Rickson Tevez, Gisele Fróes, José Dumont, Gabriel Weinstein, Maria Eduarda, Eduardo Luís, Gabrielle Weinstein, Leandro Firmino da Hora.

Gênero: Aventura/Drama

Duração: 114 minutos

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