Boyhood – Da infância à juventude | Crítica

Filme assistido durante o Festival do Rio 2014.

A vida. Momentos. É disso que é feito o novo trabalho de Richard Linklater, mesmo diretor da aclamada trilogia Antes do Amanhecer, Antes do Pôr-do-Sol e Antes da Meia-noite. Nela, Linklater explorou com naturalidade as vidas de Jesse (Ethan Hawke) e Celine (Julie Delpy), dois jovens que se conhecem em um trem para Viena no primeiro filme e desenvolvem três dos mais belos filmes sobre o amor. Podemos dizer que muito da naturalidade com a qual Linklater filma essa trilogia está presente em Boyhood. A diferença é que ele teve uma ótima ideia: que tal filmar por vários anos, como um só filme, de forma que eu possa acompanhar o crescimento do ator e também daqueles ao seu redor? O resultado é único e brilhante.

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boyhood2As passagens de tempo são sutis, através da trilha sonora do filme, que capta a música de cada época vivida pelo seu personagem e também por seu intérprete, Ellar Coltrane. Devo acrescentar um toque pessoal, dizendo que foi fácil me reconhecer através de Mason, já que tivemos uma infância/juventude parecida em termos de cultura pop. Como por exemplo sua irmã, Samantha, (interpretada por Lorelei Linklater, filha do diretor) dançando o hit de Britney Spears “Oops!… I did it again” e o instante em que eles vão comprar o penúltimo livro da saga Harry Potter, saga esta da qual vivi cada momento desde meus 11 anos, em 2001.

Além disso, acompanhar o crescimento de uma criança e todos os seus conflitos desde o divórcio de seus pais, passando por problemas com padrastos e a entrada na adolescência até a ida para a faculdade (momento esse importantíssimo para os americanos, já que é quando eles saem de casa) em suas 2h40 de filme, sem se apegar é impossível. O filme que, hoje em dia, pode ser considerado por muitos longo, passa com leveza e bela simplicidade, abordando todos os temas do crescimento, dúvidas sobre o futuro, estudos, “quem você quer ser quando crescer”, amor, amizades e família, sem ser meloso ou piegas em momento algum.

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Todos os elogios também devem ser entregues a Patricia Arquette e Ethan Hawke, que interpretam seus pais de foma brilhante. E já que falamos em interpretação, Ellar Coltrane nos passa verdade com seu Mason, que, introspectivo, de poucas falas em certos momentos, se expressa bem através de seu silêncio e nos comove com suas angústias e questões quando dialoga. Perto do fim, Linklater se despede de Mason em um momento muito parecido com Antes do Amanhecer, onde os jovens andam e dialogam em uma cena em que daríamos tudo para estar ali presentes. É notável também, além da similaridade dos diálogos e da situação, a referência clara em sua cena final, em que Mason e a garota repetem os mesmos olhares de Jesse e Celine na cabine onde escutam música.

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“Antes do Amanhecer”, Richard Linklater. 1995
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“Boyhood”, Richard Linklater. 2014

E gostaria de finalizar indo um pouco além, aqui, comentando a declaração que Linklater deu para um jornalista ao ser questionado sobre uma sequência de Boyhood:

“Não seria ótimo se Mason deixasse a faculdade, pegasse um trem e conhecesse essa garota na Europa…”. Não sei vocês, mas achei essa a melhor resposta de todas.

 

Cotação-5-5

 

Boyhood – Da infância à juventude (Boyhood)boyhoodposter

Direção: Richard Linklater

Roteiro: Richard Linklater

Elenco: Ellar Coltrane, Patricia Arquette, Lorelei Linklater, Ethan Hawke, Steven Chester Prince, Elijah Smith, Libby Villari, Jamie Howard, Zoe Graham.

Gênero: Drama

Duração: 165 minutos

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