Miss Violence | Crítica

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Uma porta se abre e nela acompanhamos uma pequena comemoração de aniversário. Logo percebemos que é de uma jovem adolescente, celebrando seus treze anos ao lado de três adultos, uma outra adolescente –  praticamente de sua idade –  e duas crianças. Ao som de Leonard Cohen, esta família dança na sala e aparentemente o clima está harmônico até a aniversariante se aproximar da sacada da janela e se jogar. Corta para um longo ângulo de seu corpo estirado na calçada e os créditos de abertura sobem.

É assim que se inicia o filme do grego Alexandros Avanas, premiado como melhor diretor no Festival de Veneza, assim como seu ator principal em 2013.  Miss Violence é indigesto e o que o qualifica desta forma não é só o teor da trama, mas a forma como ela é desenvolvida. Nada nos é dado mastigado. Tudo é nas entrelinhas – demora cerca de meia hora para que fique explicito que a jovem de cerca de vinte e poucos anos, Eleni (Eleni Roussinou), não é a esposa do patriarca (Themis Panou)  e sim filha – assim como todo o restante da história. As cores do cenário, figurino e direção de arte contrastam com o clima sombrio que vai se revelando bem aos poucos. Está à mostra, mas aparentemente encoberto pelo embaçado de uma lente. Só adentrando e olhando de perto que se começa a perceber o estranhamento das relações ali.

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O chefe de família, aparentemente calmo e de boa índole (méritos ao excelente trabalho de construção do ator Themis Panou) é o espelho da casa. É o grande mistério da trama. É por ele que tudo passa, como se fosse um ventríloquo. Todos fazem e dizem o que ele quer, e o que assusta, é a forma calma e natural com que manipula a todos. Não só da família mas como os assistentes sociais – únicos que parecem ver algo de errado com aquela família –, o amigo, os seus clientes e até mesmo a diretora da escola de uma de suas netas.

O elenco é impecável, desde a matriarca (Reni Pittaki) – que é a grande revelação do filme – aos pequenos. A naturalidade que todos empenham na frieza desta família, em alguns momentos chega a espantar mais do que o teor da narrativa. Até mesmos nas cenas mais fortes, eles agem de forma extremamente crível. Ponto para a direção de atores e para a condução do diretor. Há poucas cenas explicitas – é nelas que o tom escuro surge, como se fosse para dificultar nossa visualização do conteúdo –, que acabam chocando – nos por aparecerem justamente quando não esperamos mais nada espantoso.

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Usar indigesto e excelente para qualificar algo, parece surreal, mas não neste filme. Alexandre ousa ainda mais ao deixar o final em aberto e ao mesmo tempo terminar o filme com o mesmo corte que começou. Vamos conhecendo e entendo os fatos e ações desta família a cada porta que vai se abrindo, seja da casa, do carro, do lavabo e até mesmo do armário da cozinha. Quando entendemos e ansiamos pela cartada final, ele fecha a porta principal e nos dá um soco no estômago mais forte ainda do que os vários que deu ao longo do filme.

Miss Violence não é uma obra fácil, São noventa minutos observando em um microscópio uma família totalmente disfuncional que soa perfeita e feliz ao olho nú. Mas nós sabemos que isso não existe, só não o que há exatamente de errado. Quando começamos a olhar melhor, regular a lente, percebemos o quão problemáticas, sujas e podres as pessoas podem ser.

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Cotação-5-5

Miss Violence (Miss Violence)

Miss Violence - posterDireção: Alexandros Avranas

Roteiro: Alexandros Avranas e Kostas Peroulis

Elenco: Kostas Antalopoulos, Constantinos Athanasiades, Chloe Bolota, Martha Bouziouri, Rafika Chawishe, Yiota Festa, Giorgos Gerontidakis-Sempetadelis, Minas Hatzisavvas, Nikos Hatzopoulos, Vaso Iatropoulou, Maria Kallimani, Stefanos Kosmidis, Anna Koutsaftiki, Vasilis Kuhkalani, Christos Loulis, Themis Panou, Reni Pittaki, Eleni Roussinou, Maria Skoula, Giorgos Symeonidis, Sissy Toumasi, Kalliopi Zontanou.

Gênero: Drama

Duração: 98 minutos

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