As atrizes e o feminismo | Mulheres do cinema que contribuem com a causa

Dando continuidade ao nosso especial sobre o Feminismo em Hollywood, decidi falar sobre três atrizes de três gerações diferentes, em que cada uma, com sua personalidade e estilo, conquistou respeito e sucesso sem se submeter ao machismo operante na indústria cinematográfica. Decidi falar dessas três especificamente, porque as conquistas que elas obtiveram são pouco conhecidas pelo público em geral (que adolescente de 15 anos já ouviu falar de Liv Ullmann?!). São exemplos poucos citados, mas que fizeram grande diferença para a causa.

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Bette Davis é conhecida mundialmente pelo filme A Malvada e também por ter tido uma carreira repleta de polêmicas. O que muita gente não sabe é que ela quebrou uma série de dogmas machistas da indústria com sua forte personalidade. Desde a uma acirrada briga com a Warner Bros a fazer shows, financiar outros fundos de arrecadação para soldados durante a Segunda Guerra – algo muito malvisto pelos figurões da sétima arte – a ser a primeira presidente mulher da Academia de Artes.

O seu gênio difícil, de sempre fazer o que quer e não ter limites, a colocou no patamar de diva, mas por detrás dessa figura havia uma mulher que lutou para se firmar em sua arte sem se subjugar aos paradigmas retrógrados da indústria. Certa vez, em um teste, um diretor perguntou se ela poderia levantar um pouco a saia acima do joelho. Sua resposta não poderia ter sido mais certeira e afiada, ao estilo Margot Channing: “O que pernas têm a ver com atuar?”

Criada por sua mãe com muitas dificuldades financeiras, Bette logo começou a moldar sua personalidade forte ao se tornar presidente do conselho estudantil na Academia de Cushing. Ela é lembrada desde essa época como enérgica e ambiciosa. Aliás, foi aqui que descobriu seu amor pelo teatro.

Já estabelecida com o status de “atriz talentosa”, Davis começou a ter problemas com a Warner, estúdio com o qual tinha contrato. A empresa queria que ela estrelasse dois filmes e esta se recusou por não gostar dos roteiros. No meio dessa briga, acabou levando o Oscar de melhor atriz por Dangerous. Aproveitando a excelente fase profissional, Bette escreveu ao presidente da Warner, Jack Warner, uma carta pedindo autonomia na escolha de projetos, além de aumento e férias. Jack não aceitou as exigências e, então, iniciou-se uma batalha jurídica onde nenhum dos dois lados estava disposto a ceder, até que a Warner dispensou Bette e ela conseguiu um contrato em Londres para dois filmes.

Orgulhosa, foi para as terras inglesas sem poder, devido à cláusula de exclusividade. O término desse longo processo foi a volta de Davis a NY e à Warner. Junto com a derrota na justiça, veio um belo adiantamento.

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Nesse retorno, ela filmou Jezebel, filme que lhe deu seu segundo Oscar e que apresenta alguns simbolismos feministas em sua narrativa. Ele foi aprovado no Bechdel Test; é um filme sobre mulheres no qual há personagens femininas que conversam entre si sobre outros assuntos que não homens, e sim sobre o papel da mulher e as regras da sociedade. A personagem não é feminista em si, mas possuía várias atitudes do gênero.

Não foi fácil para Davis se firmar, ela lutava com o estigma de não ser tão bonita como uma Rita Hayworth e sabia que só com seu talento e vocação, poderia chegar aonde queria. Fez isso sem se vender – algo de que ela acusava Joan Crawford, que teria dormido com vários chefões de estúdios e figurões da indústria para ascender profissionalmente -, quebrando o dogma de que era preciso ser linda para ser estrela.

Como presidente da Academia, tentou implantar uma cerimônia do Oscar aberta à votação pelo público, além de propor que a festa não fosse um banquete e sim, em um teatro com entradas cobradas para arrecadar fundos para os soldados em guerra. Nessa época, viajou pelo EUA e conseguiu que a cerimonia não fosse feita durante este período. Dizem que foi a responsável pelo nome da estatueta. Reza a lenda que, ao vê-la pela primeira vez, disse que o traseiro do objeto era idêntico ao de seu marido Harmon Oscar Nelson.

Bette também foi uma das primeiras mulheres a montar sua própria produtora, porém ainda teve que dividir os lucros com Jack Warner, que era associado da empresa. Durante sua primeira gravidez, aos 40 anos, começou a filmar um novo filme. Devido a vários problemas entre ela e o restante da equipe, associados a uma grande crise no casamento, Bette sofreu a ameaça de ter seu salário suspenso. Contra-atacando, reuniu a equipe da produção e reclamou das condições de trabalho em público. Esse tipo de intervenção foi o primeiro feito na história em Hollywood e causou o detrimento de sua relação com Jack Warner.

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Depois do nascimento da filha, sua carreira começou a entrar em crise. A Warner não estava mais disposta a aceitar “os caprichos” de Davis e ela não se dava conta do declínio artístico em que se encontrava. Quando começou a discutir com o grande cineasta King Vidor, Jack a demitiu por não suportar mais suas constantes queixas em relação a toda a equipe de trabalho.

Alguns anos depois, Bette descobriu que sua filha Margot sofria de uma doença mental incurável, que a deixava agressiva e impedia seu desenvolvimento intelectual. Davis foi aconselhada por todos a devolver a criança para o centro de adoção, mas ela não aceitou isso e internou a menina em um dos mais respeitáveis e caros centros de médico dos EUA. O tratamento custava muito e Bette estava à beira da falência depois de vários insucessos na carreira. Mesmo assim, bancou e cuidou da menina até o fim.

No início da década de 60, cheia de dívidas e sem trabalho, Davis publicou em um jornal: “Atriz desempregada, ganhadora de 2 Oscar, com experiência teatral”. Robert Aldrich viu e chamou para fazer um dos seus maiores sucessos: O Que Teria Acontecido a Baby Jane?

Bette trabalhou até os 81 anos de idade. Infelizmente, sofreu, como a maioria das grandes atrizes, com a passagem do tempo que limitava seus papéis. Acabou passando os últimos anos fazendo TV, tendo ganho um Emmy e escrito duas autobiografias. Mas é inegável que, enquanto viveu, não passou despercebida e nem abaixou a cabeça para ninguém.  Foi a primeira mulher a receber um prêmio pelo conjunto da obra do American Film Institute.

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Liv Ullmann, musa de Bergman, mãe de Linn, atriz, diretora, roteirista, escritora e embaixadora da Boa Vontade pela UNICEF. Durante o começo da carreira, viveu à sombra do diretor sueco, mas por sua personalidade e força,conseguiu se desvencilhar do estigma de “mulher de Ingmar” e consolidou uma carreira belíssima. Como embaixadora da UNICEF, já visitou diversos países e fundou uma organização para ajudar mulheres e crianças refugiadas, na qual se mantém ativa para divulgar e angariar fundos.

Conseguiu ter o direito de escolha a projetos, tanto pequenos e europeus, quanto em Hollywood. Foi mãe solteira, fez viagens com seu grupo norueguês de teatro por vários países quando estava no topo da carreira cinematográfica e escreveu duas autobiografias reveladoras sobre o que sentia e pensava. Deu voz à mulher, à atriz e à mãe em uma época em que isso ainda não era bem visto.

Cresceu em uma casa só de mulheres – seu pai e avô morreram quando era bem pequena – e parte daí o seu jeito livre de viver. Sempre teve sua privacidade respeitada e pôde fazer o que quisesse. Foi mandada para um colégio interno aos 15 anos, onde permaneceu por uma quinzena. Depois mudou-se para Londres e passou a viver em um abrigo católico para poder estudar teatro.

Voltou à Noruega e, após dois anos tentando, conseguiu entrar para a Academia de Teatro do país. Conheceu Bergman – era casada com um psiquiatra na época –nas filmagens do filme Persona (as lead são duas mulheres e a história gira em torno da relação que elas constróem). Largou do marido e foi viver com o cineasta em sua ilha. Foi um período de quatro anos em que ela diz ter sido uma prisão, mas ao mesmo tempo libertador. Na sua concepção, ela buscava um companheiro e Bergman uma mãe.

Voltou a Olson com sua filha, arranjou emprego em Hollywood e disse não aos dogmas da indústria.

Em seu livro “Mutações”, soltou o verbo sobre a situação da mulher, principalmente uma que seja solteira e não tenha “nenhum homem no momento”. “Um homem pode ir a um restaurante sozinho, à noite, mas eu não posso fazer o mesmo evitando: a)criticas b)o oferecimento de companhia masculina na qual não estou interessada c) causar pena.”

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Quando pediu um salário igual ao de um colega homem, recebeu a alegação de que ele sustentava uma família e por isso ganhava mais. Denunciou a injustiça em seu livro. Não só sobre este fato, mas sobre o fato de a mulher que sustenta a casa não ter os mesmos direitos que o homem.

Sou o apoio de minha família, mas não tenho ajuda em casa, sob a forma de uma esposa, como ele tem. Em caso de divórcio, o marido, com maior frequência, tem a possibilidade de escolher. A mulher é levada a se sentir culpada quando quer ou precisa trabalhar e deixar outras pessoas tomarem conta de seu filho. Porque é mulher e a criança precisa dela em casa. Como ele é homem, é normal que dê atenção prioritária à sua profissão.Quando um homem e uma mulher não se casam, é ela a mãe de um filho ilegítimo. É dela a responsabilidade. Tem de sacrificar dezoito anos de sua vida para o que é melhor para a criança. Ela tem de recusar trabalho e contato com outras pessoas quando não pode pagar por ajuda ou obtê-la.  Tem de correr para casa e ser pontual, porque sabe que qualquer pessoa que ajuda irá embora caso se sinta explorada….A mulher tem as mesmas necessidades e desejos dos homens. Precisamos de amor e queremos dá-lo. Se ao menos todos aceitassem que não existe diferença entre nós no tocante aos valores humanos… Não importa o sexo. Não importa a vida que escolhemos viver. Tenho meu incômodo, minha menopausa, meu horror de seios murchos e minha consciência da menina que sou e que não aparece mais no meu rosto.”

Uma declaração destas causou um rebuliço na época. Liv se tornou musa do feminismo mesmo sem querer. Sua coragem inspirou dezenas de mulheres do movimento. Um dos parâmetros da sociedade ao qual Liv se negou a se adequar foi o estético. No livro, ela relata mais uma vez sua revolta com isso e com a forma como a mulher é adestrada a ser.

“As mulheres são compelidas a mudar de perfume, de creme para as mãos, lavar o cabelo com ervas especiais, maquiar o rosto até ficar irreconhecíveis, melhorar o busto – tudo para apanhar e/ou conservar um homem.”

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Sobre plástica, nem preciso dizer que ela é contra e pretende deixar o seu rosto ser aquilo a que está destinado.

Viveu muitos anos com a culpa de não ser uma boa mãe, por achar que sempre privilegiava sua carreia em vez da filha Linn. Mais uma vez no livro, faz um desabafo sobre esse sentimento. Assume sua insegurança em relação isso e diz amar o que faz e não poder abrir mão disso. Hoje em dia, ao ser questionada sobre essa sensação de impotência, declara:

“Sim, eu me senti muito culpada. Quando olho para trás agora, não sinto mais essa culpa. Dei o máximo que pude e poderia fazer. Falhei, mas quem não falha?”

Reafirma que a mulher pode ter a escolha de viver sozinha, mas a sociedade não permite isso, pois esta prega que a mulher tem que ter um homem ao lado para ser feliz. Ela provou que não.

Sua carreira como diretora começou pelo simples fato de estar cansada de trabalhar com péssimos cineastas e pela escassez de personagens femininas interessantes acima de trinta anos. Dirigiu vários curtas, longas e peças de teatro. Seu próximo filme é a adaptação da peça Miss Julie, um embate de sexos e luta de classes.

Revela que há um grande preconceito da mídia ainda em relação a cineastas mulheres e que às vezes esse retrocesso faz elas abandonarem/ser demitidas de projetos por falta de suporte e rumores infundados. Rejeita o rótulo de cineasta feminista, se diz apenas uma diretora que foi cercada durante toda a vida por questões femininas e que precisa tratar disto. Revela que talvez o fato de ser mulher a faça soar com uma linguagem diferente do que seria se fosse um diretor homem em um set, mas a intensidade do trabalho e competência é a mesma.

Quando estava planejando dirigir a adaptação de A Casa de Bonecas, de Ibsen, Ullmann falou sobre a situação atual da mulher. Hoje, na visão de Liv, para ser uma “boneca” temos que mostrar ter prazer em viver, mas nunca revelar do que somos capazes ou nossa força. Tudo isso para manter o homem ao lado. O mesmo jogo de antes, só um pouco mais reformulado e camuflado.

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Ellen Page se tornou conhecida ao mundo pelo seu papel em Juno – filme que conta a história de uma jovem adolescente de 16 anos que fica grávida, mas não quer ser mãe – o filme tende a ter uma visão pró-vida. A atriz, no entanto, declarou na época ser pró escolha, ou seja, defende que a mulher tenha a opção de fazer o que bem entender com seu corpo e tome suas próprias decisões sobre ele.

Antes de Juno, já havia chamado a atenção em Menina Má.Com. Com apenas 16 anos, fazia uma garota que, revoltada com casos de pedofilia, aprisionava um pedófilo e o mantinha em cárcere sob tortura até obter o que planejava. Um papel bem forte que ela desempenhou muitíssimo bem. Após sua indicação ao Oscar por Juno, manteve sua carreira fazendo dramas e comédias com personagens femininas,que significam mais do que uma mocinha em uma comédia romântica estereotipada.

Em sua conta no Twitter, costuma dar declarações fortes e comentar assuntos relacionados aos direitos da mulher e da comunidade LGBT. Um exemplo desse ativismo foi quando a Warner anunciou que não iria mais colocar personagens femininas como lead characteres em seus filmes, por que o retorno de bilheteria era abaixo do esperado. Page questionou: “O que aconteceu? O que deu errado? O que isso significa para as mulheres em Hollywood e os papéis femininos vão para aonde? “

Quando é perguntada sobre sua visão da forma como Hollywood trata a mulher, declarou ver de uma forma horrível, diz se sentir sortuda por ter conseguido papéis interessantes, mas que há muitas mulheres na indústria que não possuem a mesma sorte. Acrescenta que o mundo é muito crítico em relação à mulher em si e que, mesmo um filme protagonizado por uma figura feminina que esteja no topo da bilheteria, não é o suficiente para que haja outros desse tipo.

Devido à escassez de personagens femininas interessantes – apenas 23% das mulheres em filmes possuem falas -, Page começou a escrever um roteiro “extremamente feminista”: “Um roteiro em que a mulher tem o controle sobre o seu destino e o amor não é a coisa principal na história.” . Não é à toa que toda sua carreira é pautada por filmes que procuram despertar reflexão em suas vidas e sobre as atitudes que tomamos.

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Foi ativa na defesa da implementação da lei Plan B –  que libera a venda da pílula do dia seguinte sem prescrição médica – este ano nos Estados Unidos. Em uma entrevista ao jornal The Guardian, questionou o porquê da mulher hoje ter medo de se autodeclarar feminista, como se a palavra soasse pejorativa. Page se afirmou como tal e com orgulho.

Ainda sobre o sexismo em Hollywood, declarou que o grau na indústria é fortíssimo e que a mulher é vista como um objeto sem fala, que deve agir e pensar como o homem acha e impõe sobre ela: “Se uma atriz não tem personalidade e consciência sobre si, estará totalmente perdida nesse meio.”

Page sempre chamou a atenção pelo seu visual “tomboy” e sua sexualidade sempre foi questionada. Sobre a aparência, ela diz se sentir sempre insegura mas que procura ficar atenta para não se abater. Mostra-se preocupada com o bombardeio de propagandas e imagens que incentivam o consumo desenfreado e o modo de vida nada saudável em busca de um corpo perfeito. Não critica a mulher que usa minissaia ou maquiagem, apenas se recusa a criar uma personagem e fugir do que é realmente. Usa o que gosta e ponto final.

No começo deste ano se assumiu gay em uma conferência pelos direitos dos homossexuais em Las Vegas. A própria confessa que procurou se esconder o máximo que pôde, mas que estava cansada disso e da imprensa especulando sobre sua sexualidade. Abaixo, segue sua corajosa e inspiradora declaração:

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Esperamos que mais Bettes, Livs e Elles apareçam e contribuam tanto quanto elas, ajudando-nos em nossa luta contra esse retrocesso que é o machismo, não só em Hollywood, mas na sociedade em geral.

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4 comentários

  1. A Geena Davis que é uma atriz que anda meio sumida na área do cinema/televisão mas já foi indicada ao oscar, tem uma iniciativa muito legal. Ela tem um instituto de mídia e gênero, que tem diversas pesquisas sobre a representação feminina na mídia, seja ela filme, série e comercias, fala sobre a falta de representação feminina, e a representação simplista das mulheres na mídia e tem uma iniciativa para aumentar essa representação. Enfim eu acho no sentido prático e pragmático uma iniciativa interessante com relação a representação feminina. http://seejane.org/ esse é o site do projeto.

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  2. Adorei o texto! É sempre bom falar sobre a presença de feministas e em um meio tão machista quanto a sétima arte, mais que extremamente importante. Uma dica pra um texto futuro: Greta Gerwig!
    Imagino que aqui: “Page sempre chamou a atenção pelo seu visual “toyboy” e sua sexualidade sempre foi questionada.” você quis dizer “tomboy”.
    Beijos ❤

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    • Sim Kamilla, foi esse termo mesmo. Acabei me confundindo kkk. Mil desculpas, já foi corrigido e obrigada pela sugestão. Greta tem chamado muito a atenção e fazendo bonito. Uma excelente pauta para um futuro post. Beijos

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