Scarlett Johansson e o feminismo | A trilogia Ela/ Sob a Pele/ Lucy

HERQuando você analisa como um todo a carreira de Scarlett Johansson, torna-se ainda mais difícil entender o que aconteceu com a atriz este ano. No Brasil, foram lançados cinco filmes dos quais ela faz parte, todos eles no mínimo muito bons. Porém, ainda dentro desses cinco filmes, há três que merecem um destaque especial, tanto por sua alta qualidade quanto por sua temática. Sim, eu estou falando da inesperada trilogia formada por Ela, Sob a Pele e Lucy.

Esses três filmes, embora não tenham nenhuma ligação concreta entre si, possuem algumas estranhas similaridades. São todas ficções científicas centradas nas personagens vividas por Johansson (mesmo em Ela, no qual a jovem não vive a protagonista, sua personagem é quem move a grande maioria dos acontecimentos da narrativa). São histórias que causam estranheza, em que a forma física das personagens e suas mudanças têm grande relevância para a narrativa.

Mais interessante ainda é o fato de os três filmes promoverem uma reflexão sobre questões existenciais. Ela, de Spike Jonze, fala sobre aquilo que nos faz ser humanos, ao colocar em tela uma personagem incorpórea que tem uma personalidade e uma presença que desafiam nossas definições sobre o que é existir como um ser pensante. Sob a Pele tem um desenvolvimento muito parecido, com sua protagonista alienígena e predadora sexual acabando por se aproximar demais da humanidade e, em última instância, ao experimentar seus horrores, tentando se afastar o máximo possível dela.

scarlett2Lucy é o caso mais diferente dos três, já que a jovem, no começo do filme, dá início à sua metamorfose em um ser superpoderoso e evoluído, distanciando-se cada vez mais do restante da raça humana. Aqui a reflexão (se é que há alguma, já que o principal objetivo do diretor e roteirista Luc Besson é fazer um filme de ação divertido) fala mais sobre a origem e evolução do homem ao longo do tempo e sobre seus limites físicos e mentais.

A mulher como um ser superpoderoso e acima do restante da humanidade é uma ideia interessante e desenvolvida de três formas completamente distintas nesses filmes. Em Lucy, por exemplo, essa aquisição de conhecimento e de poderes é externa à personagem, causada por substâncias que ela não pode nem consegue controlar, o que tira um pouco da força e relevância da personagem como heroína de ação.

Em Ela, tudo isso vem por mérito próprio. Conforme o sistema operacional Samantha alimenta sua própria curiosidade e necessidade de se aperfeiçoar cada vez mais, não apenas no conhecimento mas também na criação de coisas completamente novas, fica evidente sua capacidade inventiva e, no final, sua superioridade intelectual em relação ao ser humano.

scarlett3Sob a Pele mostra os conflitos de sua protagonista de forma diferente. Não há uma evolução de suas faculdades físicas ou mentais, já que no filme a personagem é apresentada como uma predadora sexual movida quase que inteiramente por um forte instinto de sobrevivência. Dos três, é o que tem uma mensagem mais forte ligada ao feminismo, já que com a aproximação dos seres humanos, e mais especificamente dos homens, vem também um desejo de se distanciar totalmente da pele que a personagem utiliza como camuflagem ao longo de todo o filme. Depois que ela conhece realmente o homem, escolhe deixar de ser mulher.

Coincidência ou não, o fato é que três dos filmes mais interessantes deste ano tiveram uma mulher como protagonista ou como seu tema principal, e essa mulher calhou de ser Johansson, que parece estar tomando decisões muito mais interessantes para sua carreira nos últimos tempos. Vista quase que exclusivamente como sex symbol por boa parte do público, costumava receber pouco reconhecimento por sua capacidade de atuação. Porém, seu trabalho de voz em Ela e sua interpretação contida em Sob a Pele lhe renderam muitos elogios.

A maioria do público americano é formada por mulheres, o que levanta a pergunta: Por que não temos mais filmes protagonizados por elas no circuito? Parece que a resposta está chegando não apenas através dos imensos blockbusters com jovens estrelas, como Jogos Vorazes ou Divergente, mas também de filmes ligeiramente menores e de fundo filosófico, como Ela e Sob a Pele, e de longas de ação, como o próprio Lucy, que estreou em primeiro lugar no cinemão americano, derrotando o Hércules do bombado Dwayne Johnson. Quem sabe no futuro esta “trilogia acidental” estrelada por Johansson não acabe entrando para a história do cinema?

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