O Doador de Memórias | Crítica

o_doador_de_memorias2A Hollywood de hoje parece se alimentar cada vez mais de modinhas e tendências bem pouco confiáveis, principalmente no que se refere ao cinema juvenil. Após a explosão de vampiros, zumbis e lobisomens (uma série de crias vergonhosas oriundas de uma outra franquia de qualidade no mínimo questionável), o sucesso de Jogos Vorazes fez com que as produtoras acreditassem que filmes sobre jovens lutando contra um futuro distópico e opressivo seriam o novo chamariz ideal para atrair essa lucrativa faixa de público.

Enquanto o trailer de um tal Maze Runner – Correr ou Morrer passa a impressão de seguir essa mesma tendência e Divergente parece já ter sido lançado com a pretensão de sugar um pouco mais desse néctar, estreou no cinema esta semana um novo produto desse gênero incrivelmente recente, que é mais ou menos como uma ficção científica para adolescentes com um guia básico embutido sobre práticas ditatoriais. O Doador de Memórias conta a história de um mundo em que os seres humanos resolveram suprimir todas as suas emoções para garantir o fim da violência e da desigualdade entre as pessoas.

Jonas (Brenton Thwaites), por algum motivo mal explicado, é escolhido como o único receptáculo de todas as memórias da humanidade de antes desse período regrado e supostamente feliz. Porém, com a ajuda de um ancião da comunidade (Jeff Bridges, no papel do tal doador do título), ele acaba descobrindo a monstruosidade que é tirar do homem aquilo que faz dele um ser humano e decide lutar para recuperar o que lhe foi tomado.o_doador_de_memoriasVisualmente, o filme faz algumas escolhas interessantes. Iniciado em preto e branco, aos poucos esse mundo futurista vai ganhando cores mais fortes conforme Jonas adquire novas memórias e passa a compreender a importância de voltar a sentir emoções. Mesmo que para coisas pequenas, como ouvir música ou descer uma montanha nevada montado em um trenó. O design de produção mistura ambientes modernos e clean com espaços mais cinzentos, o que passa uma bela ideia da “evolução” que convive com uma inusitada decadência moral e espiritual.

É uma pena que, conceitualmente, o filme não consiga acompanhar a eficiência de seu visual. O roteiro não vai além de sua premissa básica (e óbvia) de que ter emoções é melhor do que não ter. Fica perdido entre a ficção científica e a fantasia com um fundo moral, já que nunca toma tempo para explicar seus muitos mistérios, mas também parece pender muito mais para o lado da tecnologia do que para o sobrenatural ou mágico.

Não existem na história questionamentos sobre os diversos problemas que causaram essa ruptura radical com nossa humanidade. Então, o filme fica no óbvio de colocar toda a culpa nas costas de uma vilã convenientemente instalada como a chefe dos anciãos (Meryl Streep, praticamente inexpressiva) e deixa para os bonzinhos fazerem o bom trabalho, contrariando inúmeras vezes ao longo do caminho a lógica estabelecida pelo próprio filme.

o_doador_de_memorias3De fato, parece ser esse um dos maiores problemas dessa nova onda de filmes juvenis: o maniqueísmo e o simplismo exagerados. Ao mesmo tempo em que todos parecem acreditar que têm algo importante a dizer e sentem que suas histórias são extremamente inteligentes, na maioria dos casos não passam de formas ligeiramente modificadas de fazer com que o público engula velhas lições moralistas. O caso de O Doador de Memórias pode ser considerado ainda mais grave nesse panorama, pois, além de ter pouquíssimo de interessante a dizer, ainda o faz de maneira desajeitada e incoerente.

Cotação-2-5O Doador de Memórias - poster nacionalO Doador de Memórias (The Giver)

Direção: Phillip Noyce

Roteiro: Michael Mitnick e Robert B. Weide, baseado no livro de Lois Lowry

Elenco: Jeff Bridges, Meryl Streep, Brenton Thwaites, Alexander Skarsgård, Katie Holmes, Odeya Rush, Cameron Monaghan, Taylor Swift, Emma Tremblay, Alexander Jillings, James Jillings, Jordan Nicholas Smal, Saige Fernandes, Renate Stuurman, Vanessa Cooke, John Whiteley, Kira Wilkinson, Meganne Young, Thabo Rametsi, Vaughn Lucas, Katharina Damm, Jaime Coue, Jefferson Mays, Coleman Lannum, Irina Miccoli.

Gênero: Drama/Ficção

Duração: 97 minutos

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