Clássicos | O Poderoso Chefão: Parte 2

o_poderoso_chefao2_1Comparar o Michael Corleone (Al Pacino) do início de O Poderoso Chefão com o que vemos nas últimas cenas de O Poderoso Chefão: Parte 2 é o mesmo que estar de frente para duas pessoas completamente distintas. Pelo menos, é o que pensamos logo de cara. Porém, uma sequência próxima do final, a última da franquia a mostrar toda a família reunida (com exceção do Padrinho, que nem chega a aparecer realmente na tela), dá um outro escopo à personalidade do caçula dos Corleone.

Michael vai contra toda a família ao decidir se alistar no exército. Embora alegue estar fazendo isso por patriotismo, sua expressão no momento em que todos, menos ele, deixam a mesa para cumprimentar o Padrinho diz o contrário. Parece haver algum tipo de mágoa, um desejo mal reprimido de machucar quem está à sua volta e que fica claro com o desenrolar dos acontecimento de O Poderoso Chefão: Parte 2.

O filme, que se divide entre a história de ascensão do jovem Vito Corleone, vivido por um Robert De Niro em sua melhor forma, nas ruas de Nova York e o conto sobre a derrocada moral de Michael em direção às trevas de seu egoísmo e delírios de poder, tem uma conotação muito mais negativa e menos familiar sobre a máfia do que a narrativa mostrada no primeiro filme.

o_poderoso_chefao2_2Também em comparação com o primeiro filme ou até mesmo com as sequências envolvendo o jovem Vito Corleone, o espectador tira pouca satisfação das vitórias de Michael em sua luta por permanecer no poder dentro do submundo do crime. Apesar de conseguidas com astúcia e inteligência, elas sempre envolvem traição e uma certa dose de sadismo. Michael não derrota seus inimigos em pé de igualdade, e sim os massacra no momento em que estão mais fracos e impotentes.

Como o próprio Tom Hagen (Robert Duvall, que revive seu papel como advogado dos Corleone de forma muito mais melancólica) diz, os tempos estão mudando. Parecia haver uma certa honra no conceito de vingança e de proteção do clã dos Corleone, mas tudo isso cai por terra quando seu líder se volta contra a própria família. A matança e a obsessão pelo poder e dinheiro finalmente escapam ao controle após a morte do Don e aquele que seria seu único filho honesto acaba por se tornar um símbolo de toda a corrupção da máfia italiana. Michael é um homem cada vez mais sozinho e perdido em si mesmo, que concluirá sua saga abandonado em um lugar que representa toda a tradição que ele mesmo foi incapaz de seguir.

O Poderoso Chefão: Parte 2 pode não ser melhor que o filme anterior, mas certamente é um mergulho muito mais detalhado nos aspectos psicológicos de seus personagens, com grande destaque para os dois principais patriarcas. Falta à sequência a enorme quantidade de cenas e falas icônicas do primeiro filme e a presença da lenda que é Marlon Brando em uma das melhores interpretações da história do cinema, embora De Niro alcance também um trabalho impressionante ao encarnar o Don em sua versão mais jovem.

o_poderoso_chefao2_3O que quer dizer que O Poderoso Chefão: Parte 2 acaba não entrando no topo da maioria das listas de melhores filmes de todos os tempos, mas continua sendo um excelente filme, uma obra-prima de um período verdadeiramente sobrenatural dentro da carreira do diretor Francis Ford Coppola. Por mim e pelos milhões de fãs do filme no mundo todo, já é um feito simplesmente formidável.

Anúncios

Deixe seu comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s