Jane Fonda e o feminismo | A liberdade sexual de Barbarella

No longínquo ano de 1962, uma história em quadrinhos escandalizou a sociedade francesa, chegou a ser proibida, mas aos poucos conquistou o país. Ganhou um filme em 1968 e se espalhou pela Europa e pelo mundo, onde virou ícone do movimento feminista nos anos seguintes.

Podemos afirmar que Barbarella, protagonizado pela linda Jane Fonda (Ganhadora de 2 Oscar por ‘A Noite dos Desesperados’ de 1969 e ‘Klute – O Passado Condena’ de 1971), foi o primeiro filme de uma super-heroína na história do cinema. Barbarella aos poucos se transformou em um clássico cult da ficção-cientifica erótica, tendo sucesso mundial, e elevando Jane Fonda à categoria de sex-symbol.

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Em um futuro longínquo, a humanidade conquistou o espaço e trouxe paz e amor a toda a galáxia. Um cientista chamado Duran-Duran (Milo O’Shea) desafiando a lei, cria uma arma destruidora chamada “raio positrônico,” e foge com esta arma para o planeta Tau Ceti com objetivos escusos. A astronavegadora Barbarella é chamada então para cuidar dessa ameaça à paz, sendo que no caminho cai por diversas vezes nas mãos dos bandidos, e ao ser salva, recompensa os mocinhos realizando todos seus desejos.

No universo do filme, sexo é feito com uma pílula e toque de mãos que geram orgasmos nas duas partes. No início Jane Fonda consegue nos mostrar uma Barbarella incrivelmente inocente e pura, que prega os valores de paz e amor, mas após ter relação sexual de forma tradicional, se dá conta dos prazeres do sexo e parte em busca de sua autoafirmação sexual, chegando ao decorrer do filme, inclusive, salvando sua própria vida ao ser capturada e encarcerada dentro de um órgão musical que mata suas vítimas levando-as ao orgasmo supremo.

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Graças ao seu talento, a atuação de Jane Fonda consegue nos levar a crer na mudança psicológica de sua personagem, já que desde o inicio do filme, o diretor, que na época era seu marido, tinha apenas a intenção de passar uma imagem sexy de Barbarella. A cena dos créditos iniciais com o strip-tease em gravidade zero é uma das cenas mais sensuais que já feitas no cinema, nos mostrando de forma abundante todos os predicados da atriz, que até para os padrões de hoje são bastante altos.

Jane Fonda conseguiu ser extremante fiel a personagem dos quadrinhos, onde ela é representada como um James Bond espacial de saias. Mas a atuação dos demais personagens é rasa e os diálogos são comparáveis com as melhores linhas de um filme pornô, como por exemplo, quando Barbarella é salva por um caçador no meio da geleira, e ela pergunta o que ele quer de recompensa, ele se limita a dizer – “quero fazer amor com você.”

O único ator que merece um pouco mais de destaque é John Phillip Law. Seu personagem surge no cenário de Sogo, em clara alusão as cidades bíblicas de Sodoma e Gomorra, uma cidade com ruas rodeadas de tudo que é mal e vil na sociedade, como drogas, sexo e violência, e que inclusive tem final parecido com a das cidades bíblicas. Ele interpreta um anjo, cego pela maldade do tirano da cidade, mas com um imenso potencial de bondade e compaixão, o que é evidenciado em sua frase mais impactante – “anjos não fazem amor, anjos são amor”.

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Apesar de ótimas frases aqui e ali, os diálogos em sua maioria tem a profundidade de um pires, Phillip convence bem como um cego, porém o restante, são apenas personagens caricatos em busca de satisfazer suas próprias ambições e desejos carnais. O filme, assim como os quadrinhos europeus, tem uma narrativa diferente dos americanos, em diversos ocasiões diminui o ritmo e apela para o lado sensual, onde percebemos claramente que ele foi filmado para um público mais adulto, dando foque total ao masculino, principalmente na sequencia da gaiola dos periquitos, que serve apenas para mostrar o lindo corpo da Jane Fonda.

barbarellaO filme é uma aventura psicodélica, onde em certas partes parece que o diretor tomou LSD e resolveu filmar, o que se pode perceber devido ao excesso de tomadas com fundo daqueles líquidos com óleos que não se misturam, comuns do movimento hippie da década de 60, sendo extremamente fiel a obra original, desde as cenas na planície de gelo, passando pela cidade labirinto subterrânea e por fim a cidade cosmopolita de Sogo.

O público atual vê o filme como uma comedia erótica, tanto pelos atores canastrões, quanto pelas situações surreais, que parecem servir apenas para mostrar os dotes da Jane Fonda. Porém, graças a sua forte atuação e carisma, sua personagem conseguiu sair de um simples objeto sexual utilizado para sustentar as fantasias de milhares de homens, para uma mulher forte e decidida com uma alta dose de liberdade sexual. Levantando assim, já na década de 60, que o corpo da mulher é dela e ela faz o que quer com ele, transando com quem quer, quando tem vontade, sem precisar ser taxada pela sociedade como prostituta ou pior.

 

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