Hollywood e o feminismo | Sobre a desigualdade de gêneros

Com a estreia mundial de Lucy nos cinemas, foi inevitável vir para debate um assunto cada vez mais recorrente: o feminismo. E como isso se encaixa no nosso post? Assim: para quem acompanha cinema, é fácil perceber que em blockbusters são poucas as mulheres que os protagonizam. Portanto, a estreia de Lucy já chamou a atenção tendo em vista esse ponto, dando assim início a este post, já que valorizamos a importância do feminismo para a sociedade.

“Feminista: pessoa que acredita na igualdade social, política e econômica dos sexos”

Protagonizado por Scarlett Johansson (que vale ressaltar: inicialmente vista por muitos como apenas um sex symbol, cada vez mais vem consolidando seu nome em personagens fortes e, assim, afastando-se do estereotipo), a ficção-científica que tem roteiro e direção de Luc Besson (Nikita – Criada para Matar, O Profissional) vem ser mais um filme contra a corrente predominantemente masculina da indústria cinematográfica. Sobre o filme você pode conferir nossa crítica aqui, mas já fique sabendo: nossa avaliação foi positiva.

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Em 2010, Jennifer Lawrence chamou a atenção de Hollywood pela primeira vez por sua interpretação em Inverno da Alma, o qual foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz. Ela teve mais duas indicações, e foi premiada por sua atuação no mediano O Lado Bom da Vida, em 2013. JLaw possui talento e personalidade, por isso, logo atingiu o status de atual “queridinha de Hollywood”, principalmente após estrelar a trilogia Jogos Vorazes, baseada nos livros de Suzanne Collins. Na história, Jennifer Lawrence interpreta a heroína Katniss Everdeen, uma jovem de 17 anos que se voluntaria no lugar de sua irmã mais nova para os Jogos Vorazes, uma espécie de reality show onde jovens dos 12 distritos do país pós-apocalíptico Panem são escolhidos aleatoriamente e, obrigados, devem duelar até a morte, restando somente um único vencedor.

Team Katniss
“Sou team Katniss. Todo mundo sempre pensa que há um triângulo amoroso, e quando eu leio os livros com minha irmã eu só penso mais em como Katniss vai para os jogos pela sua família. Então, eu sou team Katniss.”

Katniss é uma personagem extremamente forte. Contra um sistema opressor, inicialmente a jovem luta como pode para sobreviver e garantir a vida daqueles que ama. Posteriormente, como veremos nas partes finais (Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 e 2), Katniss será o Tordo, o símbolo da revolução. A voz do povo, dos oprimidos, dos rebeldes, virá através de uma mulher. Com uma personagem tão impactante como essa (em uma trilogia best-seller que rendeu quatro filmes blockbusters), a New York Film Academy realizou, em 2013, uma pesquisa sobre as mulheres no cinema, a partir de uma análise dos 500 filmes mais vistos no período entre 2007 e 2012. O resultado, no entanto, como falamos no início do post, já era o de se esperar para aqueles que possuem o olhar mais atento: a igualdade de gêneros está longe de ser alcançada.

Confira alguns dados que a pesquisa levantou:
Fonte: SuperInteressante

1. Menos mulheres estão nas telas…

Apesar de mulheres serem responsáveis por comprar 50% dos ingressos em sessões nos EUA, apenas 10,7% dos filmes analisados possuíam um elenco equilibrado de homens e mulheres – a proporção média encontrada foi de 2,25 atores para cada atriz.

… e também nos bastidores

Ao se considerar toda a indústria, a proporção fica ainda mais desigual: são 5 homens para cada mulher trabalhando no cinema. Em 2012, apenas 9% dos filmes foram dirigidos por mulheres, e só 15% foram escritos por elas. Entre os produtores, 25% eram mulheres; já em meio aosprodutores executivos o número cai para 17%. Apenas 20% dos que trabalham na sala de ediçãosão do sexo feminino e só 2% dos encarregados pela cinematografia eram mulheres.

Considerando estes cargos, 38% dos filmes analisados empregaram uma ou nenhuma mulher; apenas 10% empregaram entre 6 e 9 mulheres.

 

2. Elas têm menos voz…

Segundo o levantamento, mulheres representam apenas 30,8% dos personagens com falas.

… e menos roupas

Entre as personagens femininas com falas, cerca de 1/3 delas aparecem em cenas de nudez. Analisando todos os membros do elenco, a instituição descobriu que apenas 7% dos homens usavam roupas sexualmente reveladoras. A porcentagem sobe para 28,8% quando se tratam de mulheres. Além disso, 26,2% das atrizes ficam parcialmente nuas; entre os atores, esse número cai para 9,4%. Pior ainda, a percentagem de meninas adolescentes que foram representadas com alguma nudez nos filmes aumentou 32,5% entre 2007 e 2012.

 

3. São os homens que recebem mais dinheiro

Considerando o valor agregado dos salários recebidos pelos 10 atores mais bem pagos de 2013, segundo a revista Forbes, os homens receberam 465 milhões de dólares. Já entre as 10 atrizes mais bem pagas de Hollywood, o salário total recebido foi de 181 milhões de dólares. Além disso, entre os 16 maiores salários recebidos pelos artistas, nenhum pertencia a uma mulher.

 

4. Idade é documento

Enquanto entre os atores mais bem pagos de Hollywood a média de idade é de 46,5 anos, entre as atrizes a média é de 34,8 anos, e nenhuma delas tem mais de 49 anos. Desde o ano 2000, a idade média das vencedoras do prêmio de Melhor Atriz foi de 36 anos; entre os vencedores da estatueta de Melhor Ator, a média foi de 44 anos.

 

5. Eles também levam mais estatuetas

Ao longo de 85 anos de história do prêmio da Academia, apenas 4 mulheres foram indicadas na categoria de Melhor Diretor(a): Lina Wertmüller (1976), Jane Campion (1994), Sofia Coppola (2004) e Kathryn Bigelow (2010), que se consagrou como a primeira mulher vencedora da estatueta naquele ano.

Apenas 7 produtoras receberam estatuetas pelo prêmio de Melhor Filme (todas elas co-produzindo longas com homens); 8 mulheres receberam o prêmio de Melhor Roteiro Original e 8 por Roteiros Adaptados.

Em 2013, nenhuma mulher foi indicada às categorias de melhor direção, cinematografia, montagem, roteiro original e trilha sonora original. No mesmo ano, levando em consideração as 19 categorias do prêmio, 140 homens receberam indicações, contra apenas 35 mulheres.

Coincidentemente (ou não), 77% dos membros da Academia (responsáveis por escolher os vencedores) são homens.

Tendo isso em vista, o Cinelogin resolveu montar uma lista com heroínas e personagens femininas que se destacam em Hollywood em artigos que serão postados semanalmente e atualizados com os links neste post. Acompanhe!

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3 comentários

  1. Adorei! Contemporâneo e muito propositivo este post! Sou professor de Artes no Estado de São Paulo e pretendo usar este post em aula, pode…? Obrigado e valeu por escreverem posts que pensam o cinema e o papel das sociedades nas produções cinematográficas! Realmente,uma aula! Parabéns!

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    • Oi, Gutto! Agradecemos muito pelo seu elogio! Fique à vontade para utilizar nosso texto, ficaremos honrados.

      E nos acompanhe, mais artigos sairão sobre o tema, amanhã mesmo teremos um sobre o filme “À Prova de Morte”, do Tarantino. 🙂

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  2. Acho que os dados não espantam, não é mesmo? Qualquer espectadora mais atenta percebe que há um abismo aí. E mesmo nos filmes com “mulheres fortes”, muitas vezes temos uma personagem que tem tudo pra deslanchar….. e morre na praia quando surge o herói fodão. 😦

    E Katniss é maravilhosa. Uma personagem pra gente se sentir representada. ❤

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