Magia ao Luar | Crítica

_TFJ0034.NEFUm arrogante e charmoso mágico inglês está fazendo mais uma de suas famosas apresentações de ilusionismo quando um amigo, também do ramo artístico, aparece e lhe pede uma ajuda; o objetivo é desmascarar uma jovem americana que está ludibriando uma família riquíssima ianque, alegando poder conversar com espíritos. Esta é a trama da nova comédia romântica de Woody Allen, que dispensa qualquer apresentação ao gênero. A história se passa no sul da França durante a década de vinte, em pleno verão europeu, o que dá um timing perfeito para o clima jazzista que Woody tanta gosta e utiliza como trilha de seus filmes. Apesar de ter muitos pontos positivos, eles não são capazes, juntos, de ajudar no déficit representado pela soma total da produção.

Lançando um filme por ano, o diretor americano acabou criando uma lenda com a instabilidade, vamos dizer assim, da qualidade de suas histórias. A cada projeto seu que é anunciado, começam os burburinhos, suposições e achismos para tentar adivinhar se a próxima obra estará no nível de Manhattan/Annie Hall ou de Scoop/O escorpião de Jade. Felizmente ou infelizmente, dependendo do ponto de vista que você queira adotar, Magia ao Luar está mais para Tudo Pode Dar Certo.

Apesar de possuir diálogos excelentes, cheios de humor e com um roteiro feito “a mãos de ouro”,  como se diz, a trama do racional versus fé, já muito explorada por ele, se torna enfadonha e apática. Toda a discussão e o desenrolar da narrativa parece destoar do clima solar e colorido do cenário e figurino. Colin Firth vive pela milésima vez o inglês rico, mal humorado, cético e arrogante.

Magic-in-the-Moonlight-Colin-Firth-Emma-StoneNão que isso seja ruim.  Não há ator melhor para viver esse tipo de arquétipo do que ele. O problema é que, dessa vez, Mr. Darcy desencaixa da leveza da história e seu personagem não tem a menor afinação com o da jovem e bela médium vivida por Emma Stone. Esta, que é sempre carismática, acaba falhando quando há a exigência de algo mais dramático.  Soando em algumas cenas caricata e sem embasamento cênico ou, como alguns profissionais do ramo dizem, fé cênica, desta vez somente os seus imensos olhos azuis não são capazes de dar sustentação às várias camadas que uma composição de personagem pede, principalmente quando criada por quem foi.

Os personagens coadjuvantes se acomodam bem ao clima e ritmo da história. Eles parecem estar realmente vivendo na Europa da década de ouro, diferente da dupla principal, que passa dúvidas de sua credibilidade o tempo todo. Apesar de haver uma boa sustentação argumentativa, a história se estende demais e nem mesmo uma Eileen Atkins consegue nos manter atentos ao que estamos assistindo.

A direção de Woody também parece estar em falta de sincronia com o roteiro. Arrastada e até mesmo largada, a condução impede que o romance dos protagonistas crie uma empatia conosco. Não existe nem mesmo curiosidade para descobrir a “grande” verdade. Quando é revelada, não há um clímax de surpresa ou de espanto. Ela é jogada de forma banal e trivial. A famosa liberdade que o diretor americano dá a seus atores acaba por prejudicar a possível empatia que a história deveria ter. Com um tema desses, faltou um pouco mais de ritmo e malícia por parte dos protagonistas. Tudo muito bonitinho e limpinho, até mesmo para uma obra de Allen. A sensação é de que estamos vendo uma novela das 6 do tipo Chocolate com Pimenta, sabe?!

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Se em Meia-Noite em Paris a leveza e o clima europeu funcionavam perfeitamente com as paranoias e dilemas das personagens de Allen, aqui ela não se adequa e ainda atrapalha a credibilidade da trama. Infelizmente, apesar de ser bem escrito e ter bons diálogos pontuais o tempo todo, o filme é lento e preguiçoso.

Resta torcer para que sua nova história, que já está sendo rodada, novamente com Emma Stone como protagonista, desta vez ao lado de Joaquin Phoenix, siga à risca a lenda que se criou; após um filme ruim virá um bom. Depois do show de Blanchett na sua versão de Um Bonde Chamado Desejo (Blue Jasmine), só nos resta torcer para que se mantenha a teoria de qualidade criativa deste famoso e neurótico diretor.

Cotação-3-5

Magia ao Luar (Magic In The Moonlight)

Magia ao Luar - poster nacionalDireção: Woody Allen

Roteiro: Woody Allen

Elenco: Colin Firth, Antonia Clarke, Natasha Andrews, Valérie Beaulieu, Peter Wollasch, Jürgen Zwingel, Wolfgang Pissors, Sébastien Siroux, Simon McBurney, Ute Lemper, Catherine McCormack, Eileen Atkins, Erica Leerhsen, Jeremy Shamos, Hamish Linklater, Didier Muller, Emma Stone, Marcia Gay Harden, Jacki Weaver, Ronald Alphonse, Ronald Baker, Kelly Keto, Olivier Marchevet, Geroges Edouard Nouel, Mark Sims, Rudolf Krause, Patrick Zard, Pedro Chomnalez, Jessica Forde, Paul Bandey, Lionel Abelanski, Kenneth Edelson.

Gênero: Comédia/Drama/Romance

Duração: 97 minutos

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