Especial CL 3 anos: Diretores Autorais – Robert Rodriguez

Robert_Rodriguez

Infantil. Grotesco. Superficial. Bizarro. Muitas coisas já foram ditas deste cineasta texano com alma de chicano, nem todas exatamente virtuosas. Sempre com seu chapéu de caubói na cabeça, Robert Rodriguez apenas por si só já é uma figura que chama atenção por onde passa. Divididor de opiniões, seu estilo excêntrico e único de nunca foi e provavelmente nunca será unanimidade, mas quem liga? A verdade é que seu amor pelo chamado cinema-B, pelo gore e pelo espírito de não se levar a sério gera filmes divertidíssimos e mesmo hilários, mas apenas se você tiver gosto por esse tipo de humor. Deu para perceber que se trata de um diretor bem específico, não?

Sua característica mais marcante, os projetos de baixo orçamento, colabora com o estilo do cineasta no sentido de que Rodriguez procura sempre abraçar o barato, o mal feito, o defeito e expô-los ao ponto de alcançar o grotesco – extraindo um efeito curioso no processo, seja de humor, choque ou mesmo puro horror. É impossível não reconhecer um filme de Robert Rodriguez, sua direção é muito característica. Divide algo de cool com seu amigo e parceiro recorrente Quentin Tarantino, mas não é tão elegante. Rodriguez habita o submundo. E você pode adorá-lo ou odiá-lo, mas jamais poderá ficar indiferente.

Um-Drink-no-Inferno-1996

Começando sua carreira nos anos 90 com filmes menores como O Mariachi (1992) e A Balada do Pistoleiro (1995), o diretor só chamou as atenções do público quando dirigiu o surpreendente Um Drink no Inferno (1996), onde começou a parceria com Tarantino. Com um inteligente roteiro (de Tarantino) que faz uma inacreditável mudança no tom da história, o filme começa como um típico road, retratando como dois irmãos criminosos sequestram uma família inteira visando atravessar a fronteira para o México, e de alguma maneira passa a ser sobre um massacre a vampiros. A maneira como o filme explora essa virada tem um quê de sensacional. E não é necessário dizer que os vampiros de Rodríguez não são nem um pouco bonitinhos, certo? Com George Clooney e Tarantino brilhando em seus papéis, e Salma Hayek transbordando sensualidade em sua breve participação, Um Drink no Inferno figura entre os maiores trabalhos do diretor até hoje.

Mas não só de bizarrices e violência é feito o cinema de Robert Rodriguez. O diretor também demonstrou talento com o universo infantil (quem diria!) em filmes pipoca eficazes como a franquia Pequenos Espiões (2001 / 2002 / 2003 / 2011), onde contou coma colaboração de Antonio Banderas e Carla Cugino. Aqui Rodriguez demonstra leveza e entrega filmes fluidos, com personagens carismáticos e deliciosamente aventurescos. Típicos filmes de Sessão da Tarde, no melhor sentido do termo. Outro filme seu seguindo essa linha é o simpático As Aventuras de Shark Boy e Lava Girl (2005), que apresentou o futuro lobisomem friendzone de CrepúsculoTaylor Lautner.

spy_kids_image_3

Mas o mundo de Rodriguez está mesmo na violência gráfica, nos criminosos e prostitutas. Não é à toa que seu maior trabalho é a maravilhosa adaptação dos quadrinhos de Frank Miller, Sin City (2005). Aqui o diretor faz seu trabalho mais impressionante, ao empregar com maestria um preto e branco que joga com a distribuição de luz e sombras, compondo quadros belíssimos que não apenas funcionam quase que literalmente como uma transposição das páginas dos quadrinhos originais para as telas como também encaixa de maneira sublime ao tom noir das histórias de Miller. Ainda assim o diretor aproveita para deixar sua marca no filme, colocando traços de sua habitual violência gráfica e não tendo a menor vergonha de expor seu uso de green screen, algo que é a sua cara.

Mostrando seu talento ao colorir pontualmente elementos em cena característicos sempre com o intuito de chamar atenção do expectador e causar reações específicas (um exemplo: o sangue de determinado vilão surge amarelo e ressalta assim sua falta de humanidade), Rodriguez entrega em Sin City sua obra-prima e entra definitivamente para o rol dos grandes.

sin city

Mas a carreira do cineasta não para por aqui, outro grande momento foi a retomada da parceria com Tarantino no interessante projeto Grindhouse (2007), buscando homenagear as sessões de cinema baratas típicas dos subúrbios americanos dos anos 70. Sua contribuição para o projeto, o gore explícito Planeta Terror, é um filme onde o texano se sente completamente à vontade para ser visualmente nojento e bizarro como só ele consegue ser. Basta dizer que a trama é sobre a luta de uma prostituta que tem a perna amputada e a substitui por uma metralhadora (!!!) combatendo uma infecção zumbi que vem se alastrando e que faz o corpo das pessoas se derreterem em bolhas de pus. Pouco doentio, não? E ainda assim, o filme consegue ser hilariamente divertido com seus inúmeros erros de continuidade, seus diálogos propositalmente toscos e seus efeitos visuais de segunda linha.

E de um trailer falso exibido dentro do projeto Grindhouse surgiu a excelente brincadeira que foram os dois filmes da franquia Machete (2010 / 2013), onde o até então eterno coadjuvante de Rodriguez, o sisudo mas carismático Danny Trejo, finalmente ganhou seu papel de destaque. E arrisco dizer que em seu jeito robertrodriguiano, Trejo conquistou seu lugar frente ao panteão dos brucutus. Que outro cara você já viu entrar quebrando o vidro de uma janela usando as tripas do inimigo do andar de cima como corda? Alô Stallone! Está perdendo um puta casting para seus Mercenarios aqui.

Atualmente em vias de lançar a aguardadíssima sequência de Sin City, Robert Rodriguez pode até ser entendido como um diretor de segunda linha. E daí? Ninguém sabe ser de segunda linha como ele. 

Machete_kills

Anúncios

Deixe seu comentário!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s